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ESPORTE

Rui ‘Macaco’: artilheiro absoluto em todos os clubes por onde passou

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Ruy Macaco morreu aos 58 anos, vítima de um derrame cardiovascular. Foto/Acervo Manoel Façanha

 

Por Francisco Dandão

Quando na infância, Rui Francisco de Melo Filho, nascido em Brasiléia-AC, no dia 13 de novembro de 1948, era escalado como goleiro. Quando pegava uma bola, porém, ele saía driblando meio mundo até chutar contra a meta adversária. Um dia, ele foi visto fazendo isso pelo então craque Cidico, que o chamou para fazer um teste no juvenil do Vasco da Gama-AC.

Ele estava com 15 anos quando fez o teste no Vasco e se saiu tão bem que, apesar da pouca idade, nem chegou a jogar pelo time juvenil, sendo mandado diretamente para o comando do ataque do time principal. Transcorria o ano de 1964 e ele já despontou como um dos artilheiros do certame estadual. Jogou tanto que em 1965 foi contratado pelo Rio Branco.

 

Rio Branco – 1965. Em pé, da esquerda para a direita: Campos Pereira, Dinaldo, Zé Augusto, Rômulo, Dadá, Stélio e Romeu. Agachados: Rui Macaco, Klerman, Ernani Petroleiro, Babá e Elízio. Foto/Acervo Francisco Dandão.
GAS – 1967 – Em pé, da esquerda para a direita: Toinho, Viana, Palheta, Pional, Chico Alab e Rocha. Agachados: Amílcar, José Augusto, Babá, Rui Macaco e Ailton. Foto/Acervo Francisco Dandão

 

Em 1966, duas novas camisas: a do Atlético Clube Juventus e a do Andirá Esporte Clube. No Juventus a passagem foi bem rápida. Inconformado por não ter jogado num amistoso contra o Flamengo-RJ, Rui foi procurar abrigo no Morcego da Cadeia Velha. O bom desempenho dele no Andirá o levou no ano seguinte ao Grêmio Atlético Sampaio – GAS.

Atlético Acreano – 1970. Em pé, da esquerda para a direita: Altir, Rui Macaco, Mário Mota, Dêmis, Maurício Bacurau, Toinho, Zé Alab e Bosco. Agachados: Danilo Galo, Oliveira, Euzébio, Moreira, Célio e Vítor. Foto/Acervo Lourival Pinho.

Entre 1968 e 1973, uma parada no mesmo local. Identificado com a magia da camisa azul e branca do Atlético Acreano, Rui jogou seis campeonatos pelo Galo. Só se mudou em 1974, para formar num dos maiores esquadrões da história do Independência. Depois disso, em 1976, veio uma bem-sucedida aventura internacional, no CAR, de Riberalta, na Bolívia.

 

Atlético Acreano – 1971. Em pé, da esquerda para a direita: Amílcar, Eliel, Belo, Dêmis, Mário Mota, Toinho, Pincel, Zé Alab e Rômulo. Agachados: Fernando Diógenes, Chico Preto, Eusébio, Rosemir, Rui Macaco e Jair Feitosa. Foto/Acervo Francisco Ferreira de Araújo
Independência – 1973. Em pé, da esquerda para a direita: Melquíades, Clérman, Chicão, Jorge Floresta, Deca, Flávio, Chico Alab, Manoel, Pitéo, Eró, Otávio e José Augusto. Agachados: Lelê, Mané Garrincha, Mundoca, Carlinhos, Euzébio, Bico-Bico, Rui Macaco, Bebé e Júlio César. Acervo Manoel Façanha.
Independência – 1974. Em pé, da esquerda para a direita: Zé Lins (diretor), Flávio, Chico Alab, Escapulário, Palheta, Deca e Zé Augusto. Agachados: Bico-Bico, Aldemir Lopes, Rui Macaco, Augusto, Júlio César e Tonho. Foto/Acervo Zacarias Fernandes.

 

Aposentadoria dos gramados aos 34 anos

De 1977 até 1982, quando pendurou as chuteiras, aos 34 anos, Rui voltou a defender o Independência e teve uma breve passagem pelo São Francisco, neste por insistência do presidente Vicente Barata. E inclusive no time Católico, tido como um dos clubes pequenos do futebol acreano, apesar de já estar em final de carreira, o craque mais uma vez figurou na artilharia.

Independência – 1978. Em pé, da esquerda para a direita: Ilzomar, Deca, Belo, Santiago, Chiquinho, Henrique e Ronivon (treinador). Agachados: Valdir Silva, Rui, Laureano, Saúba e Tonho. Foto/Acervo Francisco Dandão

Nem sempre, porém, houve reconhecimento por parte dos treinadores do talento do artilheiro Rui. Às vezes, ele teve que mudar de clube para mostrar que ainda era o goleador de sempre. Foi o caso de um episódio que aconteceu quando ele voltou de Riberalta, em 1977, e se apresentou para treinar no Atlético Acreano, a convite do presidente Adauto Brito da Frota.

A questão é que neste ano de 1977, o time do Atlético Acreano era comandado pelo experiente professor Walter Félix de Souza, o “Feiticeiro Té”. E para o referido treinador, o ataque titular ideal do Galo deveria ser formado por Manoelzinho, Valdir “Pai Véi” e Nelson, não importando o quanto outros jogadores pudessem se dedicar e rebentar nos treinamentos.

Chateado com a reserva, e sabendo que o Independência estava de olho nele, Rui pediu ao presidente Adauto Frota para ser liberado. Pedido atendido, ele se mudou para o Tricolor de Aço e jurou que daquele dia em diante seu maior adversário seria o treinador Té. Conclusão: no primeiro jogo contra o Atlético, vitória do tricolor com Rui marcando quatro belos gols.

Reconhecimento nacional e nomes em destaque

Em 1974, numa reportagem da revista Placar, de circulação nacional, Rui foi apontado como o segundo maior artilheiro do Brasil daquele ano, incluindo estados onde o futebol era profissional e os em que onde ainda se praticava o amadorismo (Acre, Rondônia, Roraima e Amapá), atrás apenas do atacante Dario “Peito de Aço”, que era centroavante do Atlético Mineiro.

Nas entrevistas que ele costumava conceder, principalmente para as emissoras de rádio (Andirá e Difusora Acreana), quando ainda jogava e logo depois de abandonar os jogos oficiais, Rui costumava ressaltar esse fato de haver sido o segundo maior artilheiro do Brasil como uma das maiores alegrias da sua carreira. Algo que, no dizer dele, superava todas as tristezas.

São Francisco – 1982. Em pé, da esquerda para a direita: Pantinha, Raimundinho, Jorge, Cabo Lira, Leitão e Almiro. Agachados: Rui, Bismarck, Bidu, Amarildo e Adherbal. Foto/Acervo Francisco Dandão

Ele gostava também de exaltar a capacidade do treinador Té, apesar da mágoa de ter sido preterido por este quando da sua segunda passagem pelo Atlético. Nos seus depoimentos, Rui não cansava de explicar que o citado comandante era o melhor entre os que ele trabalhou, que sabia orientar os jogadores em todos os detalhes do jogo, tanto técnicos quanto táticos.

O artilheiro Rui Francisco de Melo Filho, que faleceu aos 58 anos, no dia 19 de abril de 2007, vítima de um Acidente Vascular Cerebral, também não hesitava quando lhe pediam para escalar uma seleção acreana de todos os tempos. Para ele, esse time formaria com: Zé Augusto; Chico Alab, Deca, Palheta e Duda; Dadão, Euzébio e Hélio Fiesta; Bico-Bico, Rui e Tonho.

 

 

 

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