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sexta-feira, janeiro 22, 2021

“Gladson não sufocou imprensa, nem impôs candiaturas em 2020”, diz Moisés Diniz, o homem que reorganizou a agenda política do governo

 

O experiente ex-deputado Moisés Diniz assina um artigo publicado em sua página no Facebook com um balanço político em relação ao comportamento do governador Gladson Cameli (Progressistas) com uma precisão cirúrgica. Articulador político do governo, cotado para ter ainda mais força a partir de 2021, Diniz reconhece, entre outras, o exemplo dado pelo governador quando o assunto é imposição. “Ele não sufocou a imprensa, nem impôs candiaturas nessas eleições”, escreve, provavelmente para fazer um paralelo com governos recentes. Veja o artigo completo:

 

QUANDO NÃO COMPARA,
A OPINIÃO PÚBLICA DESAMPARA

* Moisés Diniz

Em 1999, o governador Jorge Viana (como não tinha dinheiro e nem tinha ainda se alinhado com FHC) passou todo o ano ocupando a opinião pública com a CPI do Crime Organizado, bem menos organizado do que está hoje com as facções. A população delirava. Câmeras, algemas, luzes, Aleac no palco.

Em 2019, Gladson Cameli teve que reorganizar um governo, com herança administrativa, política e ideológica de 20 anos, aonde os filhos dos cargos comissionados tinham feito faculdade e já trabalhavam no governo dos pais. Havia se formado uma casta dirigente e intermediária (partidariamente organizada e tecnicamente eficiente), com alguns ocupando a mesma pasta a 10, 15 anos.

Havia ainda uma diferença brutal. Na época petista, havia um partido gigante (o PT) que jogava óleo diesel na grama dos aliados e crescia sozinho. Dividir poder com partidos nanicos é um passeio. A aliança do Gladson trouxe junto grandes partidos e expressivas e tradicionais lideranças. A prova disso é que cada senador é de um partido diferente.

Aí veio a pandemia, pra mandar pra casa os técnicos e lideranças políticas que estavam chegando e conhecendo a máquina, deixando o governador quase sozinho. Houve políticos importantes, aliados do governador, que ficaram cinco meses de quarentena. O WhatsApp virou a grande mesa de reunião. Não era todo parlamentar que encarava os aviões pra Brasília, em busca de recursos. O medo da COVID-19 deixou o governo quase sozinho, com um governador viajando (independente da pandemia) e se expondo dentro de hospitais, encorajando as pessoas, sendo rigoroso com os protocolos da ciência, sendo o único governador do Brasil que não construiu ou alugou hospitais de lona de campanha e um dos poucos aonde não teve escândalos com recursos financeiros e nem deixou acontecer o horror do enterro em valas. Gladson controlou, dentro do possível, a brutalidade e a velocidade da pandemia.

É preciso reconhecer também o esforço de alguns deputados federais e senadores que, mesmo no perigo da pandemia, não descansaram na busca de recursos. A população sabe e reconhecerá todos eles.

Gladson Cameli distribuiu poder aos aliados, como nunca na história do Acre, não sufocou a imprensa, não impôs candidaturas do seu partido em 2020 e agora vai entrar 2022 com obras estruturantes e ações sociais de apoio e socorro aos mais pobres.

O mais importante do Gladson é que ele não joga a sujeira pra debaixo do tapete e não guarda rancor de quem quer que seja.

E, apesar de sua juventude, não permitiu a politização da pandemia, priorizou salvar vidas e está pagando um preço político por isso. Mas, o povo reconhece.

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