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sexta-feira, janeiro 22, 2021

Hoje fazem 32 anos que Chico Mendes foi morto

Evandro Cordeiro para o Acrenews 

 

O dia 22 de dezembro é um marco da esquerda no Brasil por uma razão sinistra: exatamente nessa data, às 18h30, em Xapuri, o sindicalista Chico Mendes era assassinado com um tiro de escopeta que perfurou a parte superior do abdômen. A morte causou um turbilhão à época e, sem dúvida, se entendeu depois, catapultou o projeto da esquerda de chegar ao poder. A morte do líder, conhecido por coordenar “empates” contra fazendeiros, tornou-se um evento controverso depois, principalmente com a decepção que foi a esquerda no poder. Chico deixou de ser mártir para muitos, passando a ser lembrado pela direita como alguém que teria sido apenas usado por um projeto cuja cabeça estava a quilômetros do Acre e que não reunia só o Brasil, mas a América do Sul. De qualquer forma, militantes de esquerda no Estado continuam evocando a execução dele como paralelo de governos atuais. Bem menos, mas ainda.

CONHEÇA UMA PARTE DESSA HISTÓRIA PELA ÓTICA DO PROFESSOR DA UFAC ELDER ANDRADE

Chico Mendes iniciou a vida sindical em 1975, como secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento. A tática utilizada pelos manifestantes era o “empate” — manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizou também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos, os chamados posseiros.[1] Em 1977 participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo eleito vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) local. Recebe, então, as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros, o que lhe rende problemas com seu próprio partido, descompromissado com as causas pelas quais Chico Mendes lutava.[4] Em 1979, usa seu mandato para promover um foro de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri. Acusado de subversão, é preso e torturado mas, sem apoio algum das lideranças políticas locais, não consegue registrar na Polícia a ocorrência da tortura da qual fora vítima. [carece de fontes]

Representantes dos povos da floresta (seringueiros, índios, quilombolas) apresentam reivindicações durante 2º Encontro Nacional, em Brasília
Em 1980, Chico Mendes ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, sendo uma de suas principais lideranças no Acre e tendo participado de comícios ao lado de Luis Inácio Lula da Silva na região.[5] No mesmo ano, é enquadrado na Lei de Segurança Nacional como “subversivo” a pedido de fazendeiros da região, que tentaram manchar sua reputação alegando que ele teria incitado o assassinato de um capataz de fazenda por vingança ao assassinato do então presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia, Wilson Sousa Pinheiro.[6] Em 1981 Chico Mendes assumiu a direção do Sindicato de Xapuri, do qual foi presidente até sua morte. Candidato a deputado estadual pelo PT em 1982, não conseguiu se eleger.[4] Em 1984, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus e absolvido por falta de provas. [carece de fontes]

Chico Mendes iniciou a vida sindical em 1975, como secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento. A tática utilizada pelos manifestantes era o “empate” — manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos. Organizou também várias ações em defesa da posse da terra pelos habitantes nativos, os chamados posseiros.[1] Em 1977 participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo eleito vereador pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) local. Recebe, então, as primeiras ameaças de morte por parte dos fazendeiros, o que lhe rende problemas com seu próprio partido, descompromissado com as causas pelas quais Chico Mendes lutava.[4] Em 1979, usa seu mandato para promover um foro de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri. Acusado de subversão, é preso e torturado mas, sem apoio algum das lideranças políticas locais, não consegue registrar na Polícia a ocorrência da tortura da qual fora vítima.[carece de fontes]

Representantes dos povos da floresta (seringueiros, índios, quilombolas) apresentam reivindicações durante 2º Encontro Nacional, em Brasília
Em 1980, Chico Mendes ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, sendo uma de suas principais lideranças no Acre e tendo participado de comícios ao lado de Luis Inácio Lula da Silva na região.[5] No mesmo ano, é enquadrado na Lei de Segurança Nacional como “subversivo” a pedido de fazendeiros da região, que tentaram manchar sua reputação alegando que ele teria incitado o assassinato de um capataz de fazenda por vingança ao assassinato do então presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Brasiléia, Wilson Sousa Pinheiro.[6] Em 1981 Chico Mendes assumiu a direção do Sindicato de Xapuri, do qual foi presidente até sua morte. Candidato a deputado estadual pelo PT em 1982, não conseguiu se eleger.[4] Em 1984, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus e absolvido por falta de provas.[carece de fontes]

 

STR-Xapuri. Usando da mesma estratégia que Chico usava, o grupo formado por Assiz, Raimundão, Júlio Barbosa, Leide Aquino entre outros, começou a conversar e a reagrupar velhos militantes, novos extrativistas, antigos e novos companheiros e companheiras da luta pela preservação da floresta e, agora, pela consolidação das cadeias produtivas e da comercialização dos produtos da florestais.

 

A questão para eles era a partir daquele momento – mais precisamente a partir do final de 1982, quando Chico Mendes assume a presidência do STR de Xapuri – criar condições políticas que pudessem impedir a continuidade daquele modelo e buscar, simultaneamente, uma alternativa de reforma agrária que atendesse aos interesses da categoria majoritária da base social do sindicato, os seringueiros. É nessa perspectiva que é gestada a proposta de Reserva Extrativista.

Dispostas a trilhar novos caminhos, as lideranças do STR de Xapurí abandonavam uma das principais estratégias adotadas pelo sindicalismo acreano até então, qual seja, de garantir sob o modelo de “modernização” vigente um espaço para a pequena propriedade fundiária, nos moldes prescritos no Estatuto da Terra.

As reservas extrativistas foram instituídas através do Decreto-lei Presidencial nº 98.987/90. No essencial, elas foram pensadas como alternativa para a regularização jurídica das áreas ocupadas tradicionalmente pelos seringueiros e outros trabalhadores extrativistas. Essas terras deveriam ser incorporadas ao patrimônio da União, sendo a regularização do uso mediante critérios estabelecidos de comum acordo pelos moradores dessas áreas.

As Resex passaram a ser consideradas, particularmente pelos seringueiros de Xapuri, como a “reforma agrária dos seringueiros”.

Da resistência pela terra à re-existência sob a mercantilização da natureza

Como sabemos, o assassinato de Chico Mendes – principal liderança do MSTR no Acre – em dezembro de 1988, produziu grande repercussão internacional. Esse fato, somado ao processo de “reformas do Estado” desencadeado em meados da década de 1990, acabou exercendo influencias significativas no tratamento da questão agrária/ambiental no estado. Seja no âmbito da mediação dos interesses desse campesinato ou na formulação e implementação de políticas públicas. No primeiro caso, deve-se chamar atenção para três fenômenos que interferiram diretamente na condução do MSTR: o primeiro, relaciona-se com o extraordinário crescimento da influência Conselho Nacional dos Seringueiros, não só no Acre, mas em vários estados da Amazônia. Graças a uma forte articulação internacional com organizações e movimentos ambientalistas, o CNS acabou atraindo muitas doações a “fundo perdido” para investimento em projetos de “desenvolvimento comunitário”, que iam desde apoio a comercialização de produtos extrativos, construção de agroindústrias, até a formação de lideranças sindicais e comunitárias. Abriu ainda na esfera governamental, um canal de interlocução centralizado nas instituições ligadas ao meio ambiente.

Elder Andrade de Paula Professor Adjunto do DFCS da UFAC, Coordenador do Núcleo de Pesquisa: Estado, Sociedade e Desenvolvimento na Amazônia Ocidental

 

Encontro entre Chico Mendes e Lula no Acre à época da “onça beber água” e o jornal O Rio Branco com a manchete da morte do líder seringueiro no dia seguinte: primeiro veículo a noticiar a morte

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