A vida simples da mulher mais poderosa do governo Gladson, a “primeira ministra” Silvânia Pinheiro

Evandro Cordeiro para o Acrenews

 

A jornalista e mestra em letras linguagem Silvânia Pinheiro foi chamada esses dias pelo governador Gladson Cameli (Progressistas) de “primeira ministra” de seu governo. O título concedido pelo chefe do Estado era uma resposta à especulações sobre uma possível saída dela da secretaria de Comunicação, onde está desde o primeiro dia de mandato dele, janeiro de 2019. Para bom entendedor, ficou claro. Ela é figura de proa da gestão.
Para ganhar o título de “primeira ministra”, a antiga repórter Silvânia Pinheiro andou chão – e não foi pouco. Ela é a caçula dos sete filhos da artista mais proeminente de Sena Madureira no século passado, dona Alaíde Chaves Pinheiro da Silva, cantora e compositora falecida em 2011 aos 74 anos.

É irmã gêmea da Sandra, com quem é univitelina de aparência extravagantemente incrível. Criada pela mãe separada, foram raras as facilidades encontradas para chegar onde chegou – talvez isso explique a simplicidade com a qual se comporta até hoje.
Em seu caminho até aqui, o mais fácil que Silvania Pinheiro conseguiu foi ser trazida de Sena Madureira pela irmã mais velha, a lendária jornalista Vânia Pinheiro, para estagiar no jornal O Rio Branco, o mais antigo do Acre e uma espécie de escola do jornalismo até a década passada. O ruim é que, apesar da influência da irmã, a Pinheiro mais nova seguiu o velho rito de todo cidadão que aspirava a profissão de repórter: ralar como “foquinha”, como são denominados iniciantes nas redações, por intermináveis tempos até ter um texto aprovado por editores, no caso de O Rio Branco na época, os exigentes Mario Emílio Malaquias, Tião Maia, Socorro Camelo, entre outros. “Deixei ela na mão do editor e fui embora. Não pedi nenhuma facilidade pra ela porque queria que ela aprendesse de verdade e o resultado está ai”, diz a orgulhosa irmã, Vânia Pinheiro.

A promoção de “foca” para repórter não demorou tanto para a Silvânia. A tímida mocinha de Sena Madureira, de língua presa, mostrou rápido seus dotes para o bom jornalismo. Em pouco tempo chamou a atenção de todo mundo, inclusive – e para sua sorte – dos donos da empresa, Narciso e Célia Mendes. Elogiada pelo profissionalismo, pela forma responsável com que se portava, Silvana foi alçada ao cargo de editora chefe, uma cadeira disputada por celebridades intelectuais. Pois ela aproveitou a oportunidade com unhas e dentes. Começou também a estudar. Fazia uma coisa e outra com a mesma ganância. Queria vencer na vida.

Em 2005 teve um encontro, e eu estava junto, com um garotão bonito, dono de um sorriso rasgado, tão espontâneo quanto a forma como expunha seu desejo de entrar para a política. Aquele rapaz era ate então apenas o sobrinho do ex-governador Orleir Cameli, o ainda fofinho Gladson, remodelado mais tarde por uma bariátrica. Foi amor profissional à primeira vista. Naquele dia, no apartamento dela no Manoel Julião, ficou decidido: Silvânia cuidaria da imagem daquele garoto sonhador. Estava criada a relação que a transformou na “primeira ministra”, para quem ainda não sabia.

 

VIDA SIMPLES

Silvânia Pinheiro Diniz é, aos 42 anos, a mais acreana dos secretários de comunicação que passaram ao longo dos 60 anos de emancipação política do Estado pelo Palácio Rio Branco. Nasceu em Sena Madureira, casada com o também senamadureirense Mac Mailan, um policial rodoviário Federal de tradicional família do município.

É mãe dos garotos Eduardo e Fernando. Como o marido, ela não ostenta nem mesmo a inteligência privilegiada. Prefere as férias na ainda bucólica Sena. Não tem aspirações como um cargo eletivo, por exemplo. Quer lecionar em alguma faculdade quando terminar sua jornada com o atual governador.
Em toda sua trajetória até chegar à comandante das comunicações do atual governo, não mudou nem mesmo o estilo de vestir. No jornal, quando escalada para alguma reportagem longe da redação, sobrevivia com o mínimo.

“A gente comia farofa, não é?”, lembra. E era. Não esquece os velhos colegas de redação, a quem ajudava sempre que podia. A mesma gentileza ela levou para a redação do jornal A Gazeta, onde também foi editora chefe e encantou o guru velho Silvio Martinello, um dos mais experientes escribas do velho Acre. Martinello nunca perdeu a oportunidade de elogiar efusivamente sua antiga editora.

 

ELA FICA

Silvânia Pinheiro continua frugal. Sem frescuras. A mesma sempre. Não sei se por isso, mas ela fica no governo, Gladson já disse – e repetiu algumas vezes. Tem a confiança dele e da família. Ela agradece e oferece tudo o que tem recebido da vida à mãe, dona Alaíde, a poeta preferida e a cantora que está sempre nas paradas musicais de sua vida, intérprete vencedora do festival Boca de Mulher com a canção “Xote do Maconheiro”, do amazonense Antônio Marazona. “Minha família é linda e unida, mas um capítulo especial é da minha mãe”, diz a secretaria de Comunicação, que voltou das férias para tocar a nova marca do governo, por meio da qual o governador evoca a unidade de um time à sua equipe. “Um time só jogando pela nossa gente”, diz a peça. Silvânia é a camisa 9. A 10, claro, é do Gladson.

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