Condenado a mais de 23 anos pela morte de artista chilena no Acre pede revisão de sentença

3 de Julho Notícias

Recurso de apelação deve ser julgado pela Câmara Criminal do TJ-AC nesta quinta-feira (14). José Vagner Bezerra foi condenado por feminicídio e furto em júri ocorrido em setembro do ano passado, na 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar da Comarca de Rio Branco.

Quatro meses após ter sido condenado pela morte da artista chilena Karina Constanza Bobadilha Chat, de 22 anos, José Vagner Pedrosa Bezerra, de 46, pediu a revisão da sentença. O recurso está em pauta para ser julgado em sessão desta quinta-feira (14) da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre.

Bezerra foi condenado a 23 anos e 11 meses de prisão em regime fechado pelos crimes de feminicídio e furto. O julgamento dele ocorreu no dia 2 de setembro do ano passado na 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar da Comarca de Rio Branco.

Karina era artista de rua e foi encontrada ferida com mais de 20 facadas em fevereiro do ano passado, na Avenida Amadeo Barbosa. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu no pronto-socorro da capital.

O homem confessou o crime e foi denunciado por feminicídio e furto e está preso no Complexo Penitenciário de Rio Branco.

O processo está em segredo de Justiça, mas o TJ-AC confirmou que o recurso feito pela defesa de Bezerra vai ser analisado nesta quinta. O relator é o desembargador Pedro Ranzi.

Entramos em contato com a advogada que fez a defesa dele no júri popular, Helane Christina, mas ela informou que atuou como advogada dativa apenas durante o julgamento e que não foi ela quem entrou com o recurso.

O júri condenou Bezerra pela morte da artista com três qualificadoras: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio. Os jurados também condenaram o acusado por ele ter furtados os objetos da vítima após o crime.

Laudo descartou violência sexual

Como o suspeito afirmou que tentava um relacionamento com a vítima e ela se negou, e por isso acabou morta, a polícia chegou a investigar se a chilena tinha sido vítima de violência sexual.

O delegado responsável pelo caso, Cristiano Bastos, informou, na época da morte, que o resultado do laudo descartou que Karina tenha sido vítima desse tipo de violência.

“Foi colhido material genético dela, foi feito o exame no Instituto Médico Legal de Rio Branco e está descartada essa hipótese”, afirmou Bastos.

‘Família impactada’

A tia de Karina, Kary Chatt, contou que a menina era malabarista e havia saído do Chile em abril de 2019.

Revoltada, ela pede por justiça. “Minha Karinita foi assassinada por um animal maldito do Brasil. Exijo justiça. A família está muito mal, estamos impactados e tristes. Chega de abusos e assassinatos. Ela era alegre, bela, terna e solidária. Um amor. Não entendo”, lamentou.

No Facebook, a avó da chilena, Silvia Irturra, usou o perfil no Facebook para lamentar a morte da neta e fez um texto se despedindo.

“Em direção à luz, você está viajando para o paraíso, já não estás neste plano, estás no plano celestial. Pedimos a Deus que a encha de mais luz dando a felicidade celestial e a paz eterna hoje à nossa imensa dor. Abriremos as nossas mãos e os nossos corações e te deixaremos ir. Você merece viver longe da dor, viver sem mágoas nem lágrimas. Te deixamos ir, mas nunca te esqueceremos”, escreveu.

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