Dupla que tentou resgatar detentos durante tentativa de fuga no AC é condenada a mais de 30 anos de prisão

G1
Grupo de mais de 30 presos tentou fugir da Unidade Manoel Neri da Silva, em Cruzeiro do Sul, em junho de 2020 — Foto: Mazinho Rogério/G1

Grupo de mais de 30 presos tentou fugir da Unidade Manoel Neri da Silva, em Cruzeiro do Sul, em junho de 2020 — Foto: Mazinho Rogério/G1

Os acusados de tentar resgatar um grupo de presos durante uma tentativa de fuga em massa na Unidade Manoel Neri da Silva, em Cruzeiro do Sul, em junho do ano passado, foram condenados a mais de 30 anos de prisão. Moisés Duarte Bezerra e Ernegildo Pinheiro Nepomuceno vão responder pelos crimes de porte ilegal de arma, por integrar organização criminosa e tentativa de fuga.

A decisão é do Juízo da Vara de Delitos de Organizações Criminosas e ainda cabe recurso. No último dia 29, o policial penal Adevani Silva Gonçalves, preso desde época do crime, suspeito de facilitar ações de uma facção criminosa e na tentativa de fuga de 33 presos, foi condenado pelo crime. O servidor público cumpre pena na unidade prisional de Cruzeiro do Sul.

A sentença contra o policial penal foi dada pela Vara de Delitos de Organização Criminosa de Cruzeiro do Sul. O caso está em segredo de Justiça.

Os detentos estavam prontos para serem resgatados pelos acusados, presos com armas, munições e grampos de metal para dar suporte à fuga. Uma revista encontrou vários buracos em celas da unidade na época.

Mais de 30 presos estavam prontos para fugir em Cruzeiro do Sul  em junho de 2020 — Foto: Asscom/PM-AC

Mais de 30 presos estavam prontos para fugir em Cruzeiro do Sul em junho de 2020 — Foto: Asscom/PM-AC

Sentença

 

Conforme o processo, Moisés Duarte Bezerra foi condenado a 14 anos, um mês e oito dias de reclusão e Ernegildo Pinheiro Nepomuceno a 16 anos, seis meses e dois dias, ambos em regime inicial fechado. Os dois não podem recorrer da sentença em liberdade.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Ernegildo Nepomuceno. Já o advogado de Moisés Bezerra, Fábio dos Santos Santana, afirmou que vai entrar com recurso contra a sentença. Segundo ele, o cliente não pertence a organização criminosa.

“Na própria sentença, os próprios policiais falam que ele não tem cadastro em organização criminosa, mas estava na modalidade ‘colado’. Já os depoimentos dizem que ele tinha cadastro em organização criminosa, mas, em momento nenhum, eles apresentaram esse cadastro. Um policial falou que ele tinha, a defesa requereu isso, mas falou que não era da especializada e foi condenado”, justificou.

Santana alegou ainda que o cliente já tinha passagem pela polícia muito antiga. O advogado acrescentou que o acusado tem emprego fixo e tem empresa registrada. Desde a época do crime, o acusado segue preso.

Mais envolvidos

 

No dia 27 de janeiro, investigadores da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) cumpriram sete mandados de prisão preventiva contra detentos dos presídios de Rio Branco e também de Cruzeiro do Sul pelo crime de organização criminosa.

Os alvos da operação seriam presos que teriam participado do planejamento da fuga em massa no presídio de Cruzeiro do Sul no ano passado. Logo após a tentativa ter sido frustrada pela polícia, seis detentos foram transferidos para o presídio de segurança máxima de Rio Branco.

O delegado Pedro Paulo Buzolin, responsável pela operação em Rio Branco, disse que no presídio Antônio Amaro, que fica no Complexo Penitenciário da capital, foram cumpridos seis mandados de prisão e um foi cumprido no presídio de Cruzeiro do Sul. Logo após o detento do interior do estado receber o mandado, ele também foi transferido para o presídio da capital esta semana.

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