“O MDB tem um tamanho que não está espelhado no governo”, diz Bittar sobre o que falta para o “casamento”

O senador Márcio Bittar (MDB) defende seu partido no palanque do governador Gladson Cameli (Progressistas) em 2022. Mas tem uma ressalva para que isso seja questão encerrada: o partido ser contemplado de uma vez por todas na gestão. Ao Acrenews, Bittar, que é relator do orçamento da União disse mais o seguinte:

Acrenews – O que significa para os acreanos ter um senador daqui como relator do orçamento da União?

Márcio Bittar – O fato de eu ser acreano, senamadureirense, hoje senador e relator do orçamento, eu imagino que isso pode é deve inspirar os jovens do Acre, mas, particularmente os de Sena, que como eu, aos 14, 15, 16 anos de idade, era um peão do meu pai, trabalhando na roça, rachando estaca, andando quatro horas e meia em lombo de animal, debaixo de chuva, para chegar em Sena Madureira, e se naquela época alguém dissesse que eu um dia ia ser senador, relator do orçamento do país, eu diria que essa pessoa tava louca. Então se foi possível pra mim é possível pra quem está me vendo, principalmente para quem tem uma vida como eu tinha, aos 14, 15 anos de idade.

Acrenews – O que o Acre ganha, efetivamente, com o senhor como relator?

Márcio Bittar – O que o Acre vai ganhar é que todo relator do orçamento, além do que eu acredito que possa ser uma inspiração, é natural que ganhe porque tem a emenda de relator e é natural que todo relator prestigie a sua terra e o Acre vai receber um volume de emenda maior que as minhas próprias emendas individuais. Talvez ultrapasse o valor das emendas de todos os paralanntares do Acre. Nos todos juntos temos cerca de R$ 350 milhões por ano. Então como relator devo ultrapassar esse valor.

Acrenews – Como é sua relação com o governador Gladson Cameli?

Márcio Bittar – Olha, eu gosto do Gladson (Cameli, Progressistas). A gente tem uma relação de mais de 10 anos, 20, sei lá. O Gladson era um guri ainda. Eu tinha uma parceria com o Eduardo Braga em 2002, quando perdi a eleição. Eu arrendei minha fazenda, a do meu irmão, e arrumei mais três, tudo documentado, diga-se de passagem, e eu que tocava o negócio. Eu ia sempre a Manaus. Naquela época o Gladson tava estudando em Manaus, sempre muito curioso com as coisas do Acre. Sempre me procurava. Me lembro de estar um dia com ele, mesmo ainda um garotão, ele já falava desse desejo dele de servir ao Acre. Isso acabou acontecendo. Ele foi eleito deputado federal. No começo ia ser candidato comigo no PPS, mas acabou indo para o então PDS e sempre dizendo que tem uma dívida comigo, mas bobagem. Não me deve nada. Quando se elegeu, disse que era a última vez que ajudava a Frente Popular. E foi isso que aconteceu. Quando ele se reelegeu e tirou o partido do governo e veio para o nosso lado. Depois trabalhei quatro anos para viabilizar a chapa, eu candidato ao governo e ele para o senado. Eu perdi a eleição, mas ele se elegeu e eu disse que ele era o nome para govenro. Claro que teve resistência dentro do nosso meio, mas acabamos consolidando. Então acho que tive papel importante tanto na candiatura dele ao Senado quanto para o governo. E agora em 2018 fui recompensado. Ele defendeu meu nome para o Senado. Foi muito importante o apoio incondicional dele para que eu ganhasse a eleição para senador.

Acrenews – O MDB estar ou ainda vai estar com o governo Cameli?

Márcio Bittar – O MDB, eu tenho dito desde o começo, há dois anos, que entendo que o processo natural é o MDB ajudar o Estado porque tem dois deputados federais e um senador. É uma obrigação nossa ajudar ao Estado e o Gladson. E o mais natural também é que, depois de 20 anos enfrentando o PT, e o Gladson ganhando a eleição, é natural que ele vá pra reeleição. Acho que o MDB deve e pode estar na chapa dele. Vamos lembrar que o vice vai virar governador porque ele deve disputar o senado ao final de seu segundo mandato. Continuo achando que isso é natural que o MDB venha pro governo. Claro que o partido tem razões para não se achar contemplado no governo, mas o Gladson pode corrigir.

Acrenews – O senhor teve proseando esses dias com seus pariceiros lá por Sena Madureira?

Márcio Bittar – Sena Madureira é minha cidade natal. Toda vez que vou lá eu me comovo, lembro de muita coisa. Então por mais que eu seja hoje senador, tenha uma agenda oficial, não é possível passar lá sem me misturar às pessoas, principalmente ali onde era a fazenda do meu pai. Ali tem pessoas que sabem e contam minha história. Muita gente tem história comigo ali. Gente que venceu comigo, que atolou na estrada comigo. Então enquanto eu for senador, quando chegar em Sena vou ter sempre uma agenda dupla

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