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RAIMUNDO FERREIRA

Quando o grito vence guerras e o silêncio também é a tese desta terça-feira, 29, do nosso colunista Raimundo Ferreira

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O SILÊNCIO

Para que nossas mensagens e ideias sejam melhor ouvidas, decodificadas e compreendidas, será necessário emiti-las por meio de potentes decibéis e entonações bem colocadas? Ou poderíamos apenas escolher o momento e a oportunidade certos para transmiti-las em silêncio?

Ao observarmos episódios e circunstâncias ao longo da história, percebemos que, em algumas ocasiões, brados ensurdecedores, dados a plenos pulmões, decidiram batalhas, salvaram vidas e resolveram situações aparentemente complexas. Por outro lado, a atitude de não emitir qualquer ruído — ou seja, o ato de permanecer em completo silêncio — também foi responsável pela manutenção da paz e pela resolução de problemas que pareciam insolúveis.

As utilizações, funções, efeitos e feitos promovidos pelo silêncio são inúmeros. De modo geral, comportamentos e atitudes como descanso, repouso, recolhimento, ociosidade, paciência, indisposição ou apatia podem, de certo modo, ser entendidos como expressões silenciosas.

No campo da filosofia, o silêncio é visto como uma ferramenta para o autoconhecimento, por meio da reflexão e, até mesmo, como uma forma de comunicação. Ou seja, não se trata apenas da ausência de ruído, mas de um estado consciente que pode trazer paz, sabedoria e ensinamentos profundos.

A diferença básica entre essa visão introspectiva e a noção de silêncio voltado ao sossego está no propósito: a primeira busca o bem-estar individual e a exploração interior, enquanto a segunda — a chamada “lei do silêncio” — visa garantir o direito coletivo ao descanso e à saúde, evitando os excessos de ruído e suas consequências.

Sem querer desviar (e já desviando) o rumo da conversa, gostaríamos de destacar um episódio bastante pitoresco — para não dizer cômico — observado aqui em João Pessoa, em um estabelecimento que serve iguarias regionais (cujo nome preferimos não citar). Como parte da decoração, há um passarinho de plástico preso em uma gaiola. Em tom descontraído, perguntamos à garçonete se aquele passarinho cantava. Com muito bom humor, ela respondeu de pronto: “Canta, mas no momento está em repouso.”

Nada parece representar melhor o silêncio total e absoluto do que um passarinho de plástico preso em uma gaiola. Caberia até um daqueles jargões populares: “mais silencioso que passarinho de plástico na gaiola.” E, para fechar, imagine aquela clássica imagem da enfermeira com o dedo indicador sobre os lábios, pedindo silêncio — o gesto universal do recolhimento.

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