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RAIMUNDO FERREIRA

“O perigo do julgamento”, artigo do professor Raimundo Ferreira, discorda sobre a “ocasião fazer o ladrão”

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O PERIGO DO JULGAMENTO

Apesar de sermos avessos a afirmativas inflexíveis, também enxergamos perigo no relativismo excessivo de alguns conceitos tradicionais e até universais, pois nem sempre as verdades são tão absolutas quanto aparentam, assim como nem todo relativismo deve ser tão mitigado como geralmente ocorre.

Todavia, diante da afirmativa comum de que “somos todos produtos do meio”, percebemos uma evidente contradição. Embora alguém também já tenha afirmado que “a ocasião faz o ladrão”, discordamos frontalmente dessa ideia. Em nossa visão, o ladrão já nasce feito, disposto e com a personalidade forjada para a prática do crime; a questão da disposição e da vontade, em algum momento, acabará se manifestando.

Ou seja, as influências do meio, ainda que possam exercer pressão, incentivo ou oferecer oportunidades, se o indivíduo não carrega essa índole em sua personalidade, o crime jamais acontecerá.
Nesse contexto, poderíamos escrever até um tratado sobre práticas de desmando, crimes, apoderamento de bens e recursos públicos e desvios de toda ordem, especialmente envolvendo representantes políticos. Contudo, não adentraremos essa seara, tampouco corroboraremos com a crença daqueles que defendem a ideia de que a ocasião faz o ladrão.

Entretanto, no campo das teorias psicológicas, existe a defesa de que o ser humano, dotado de capacidade intuitiva e inventiva, pode ser facilmente sugestionado e passar a alimentar versões e imagens distintas de uma mesma pessoa, criando diferentes personalidades conforme a situação ou a influência recebida. Com isso, fortalecem-se suspeitas e até se constroem razões e motivos para julgar alguém com o caráter e a personalidade que melhor satisfaçam determinados intentos.

Essas atitudes, e posteriormente práticas de avaliação ou julgamento, podem ter início a partir de uma suspeita criada e alimentada exclusivamente na própria mente, ou ainda por influência de terceiros.

Por exemplo, em determinado dia ou momento, você se encontra com alguém que, apesar de ser seu amigo ou amiga, pode estar enfrentando algum problema pessoal. Por essa razão, o cumprimento ocorre de forma diferente do habitual. A partir desse pequeno episódio, começa-se a forjar uma imagem distinta da pessoa; em seguida, esse momento é associado a outros, e assim vão-se alimentando percepções e diferenças, até que se passa a julgar esse indivíduo como alguém de má índole ou mesmo um potencial inimigo.

Esse processo pode culminar em rompimentos e sérios desentendimentos, tudo motivado por algo que foi criado e alimentado apenas na própria cabeça, ou incentivado pela influência de outrem.

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