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SAÚDE

Ressaca quando acordar em 2026? Entenda o que fazer com os sintomas

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Dor de cabeça, boca seca, náusea, mal-estar geral e aquela sensação de “corpo travado”. A ressaca é tão conhecida quanto imprevisível: pode pegar leve em quem bebeu muito e castigar quem exagerou pouco. Mas o que exatamente está acontecendo no organismo? E o que realmente ajuda a melhorar?

A ressaca é resultado de uma combinação de processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos desencadeados pelo álcool.

Segundo Patricia Neri Cavalcanti, nutricionista do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, o etanol é transformado no fígado em acetaldeído, uma substância tóxica responsável por parte do mal-estar. A desidratação —mesmo leve— explica sintomas como dor de cabeça, boca seca, fadiga e fraqueza, enquanto a irritação gástrica causada pelo álcool contribui para náuseas e desconforto abdominal.

A esse conjunto, soma-se outro mecanismo importante. Endocrinologista e médico do esporte do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Cohen, Clayton Macedo explica que a ressaca acontece quando o nível de álcool no sangue já caiu, mas o corpo continua lidando com seus efeitos inflamatórios, hormonais e metabólicos.

Ele afirma, ainda, que o álcool inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a diurese e favorecendo desidratação, sede, tontura e piora da dor de cabeça.

“É um pacote de múltiplos efeitos do álcool”, diz. “A pessoa acorda com sensação de corpo moído, fadiga e hipersensibilidade porque há liberação de citocinas inflamatórias.”

 

Macedo explica que o álcool irrita a mucosa do estômago e do intestino, altera o refluxo e retarda o esvaziamento gástrico —um conjunto de efeitos que intensifica a náusea e o desconforto após a ingestão.

Ainda de acordo com o especialista, a bebida também favorece episódios de hipoglicemia, especialmente quando consumida em jejum ou após atividade física, o que pode provocar tremor, sudorese e palpitação. Além disso, o álcool fragmenta o sono e reduz sua qualidade, o que contribui para irritabilidade, cansaço e maior sensibilidade à dor no dia seguinte.

Por que há ressacas piores que outras?

 

As diferenças começam na genética: algumas pessoas produzem ou ativam menos as enzimas responsáveis por metabolizar o álcool, o que prolonga seus efeitos e aumenta o mal-estar. Patricia explica que indivíduos com alterações hepáticas, uso regular de medicamentos ou inflamação no fígado também metabolizam o álcool mais lentamente.

“Cada dose impõe estresse adicional a um órgão já fragilizado”, diz. “Por isso, duas pessoas que bebem o mesmo tanto podem ter ressacas muito diferentes.”

 

Segundo a especialista, bebidas diferentes também causam ressacas diferentes. E isso se dá não apenas pela quantidade ingerida, mas pela presença de congêneres –substâncias produzidas naturalmente durante a fermentação e o envelhecimento, como pequenas quantidades de metanol, taninos, histaminas e sulfatos.

NOTA DA EDIÇÃO: Esses compostos estão presentes em níveis seguros nas bebidas legalmente produzidas e não têm relação com casos de intoxicação por metanol, que ocorrem somente quando a bebida é adulterada.

No contexto da ressaca, esses congêneres podem aumentar inflamação, irritação gastrointestinal e dor de cabeça, além de intensificar sintomas como dor de cabeça, náuseas e mal-estar. Segundo a especialista:

  • Mais ressaca: vinho tinto, uísque, conhaque;
  • Intermediário: cerveja;
  • Menos ressaca: vodca e gim, por serem bebidas mais “puras”.

Mas ela relembra que a sensibilidade individual e a quantidade ingerida continuam sendo os maiores determinantes do estrago no dia seguinte.

64% dos brasileiros declaram que não beberam álcool em 2025 — Foto: Adobe Stock

64% dos brasileiros declaram que não beberam álcool em 2025 — Foto: Adobe Stock

Engov, Epocler e sal de frutas apenas aliviam sintomas isolados da ressaca — Foto: reprodução

Engov, Epocler e sal de frutas apenas aliviam sintomas isolados da ressaca — Foto: reprodução

E os remédios?

 

O neurologista Diogo Haddad, do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas, alerta que paracetamol deve ser evitado após consumo excessivo de álcool, porque ambos são metabolizados pelo fígado e podem aumentar o risco de toxicidade hepática.

Anti-inflamatórios também exigem cautela: o álcool irrita o estômago, e esses medicamentos podem aumentar o risco de gastrite e sangramento gastrointestinal —além de sobrecarregar os rins em pessoas desidratadas.

“Automedicação logo após beber não é uma boa prática. O mais seguro é hidratar, repousar e aguardar o organismo eliminar o álcool. Se a dor persistir no dia seguinte, aí sim um analgésico pode ser considerado”, afirma.

 

Os especialistas convergem que fórmulas anti-ressaca, chás e suplementos vendidos on-line não têm evidência consistente. A ressaca é multifatorial e difícil de padronizar em estudos. Não existe substância capaz de neutralizar os efeitos tóxicos do álcool de forma imediata.

“A melhor estratégia continua sendo reduzir excessos, alternar bebidas alcoólicas com água e garantir sono, alimentação leve e hidratação adequada”, diz Patricia.

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