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RAIMUNDO FERREIRA

Professor Raimundo Ferreira de Souza escreve nesta quarta-feira, 14, sobre o preconceito

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SOBRE O PRECONCEITO

Quando emitimos opinião sem conhecer com profundidade e exatidão sobre o que estamos relatando, além de estarmos sendo precipitados, estamos praticando a pre-avaliação, ou pre-conceituação. Ou seja, julgando algo antes que seja identificada a sua verdadeira essência.
Sob a ótica da filosofia, o preconceito — que pode ser entendido também como uma forma de rejeição — sempre existiu e, de certa maneira, está ligado a outro comportamento e atitude que igualmente sempre fizeram parte da vivência humana e dos relacionamentos sociais: o egoísmo. Por essência, o ser humano, desde os primórdios das civilizações, cultiva a prática da superioridade, buscando priorizar excessivamente os próprios interesses e desejos, colocando-se sempre em primeiro lugar e ignorando as necessidades alheias.
Essas atitudes já foram motivo de muitas guerras e, apesar da reconhecida evolução da modernidade, tais comportamentos continuam presentes e, de certo modo, ainda orientam a forma de agir e pensar de muitas pessoas na atualidade. A ideia de superioridade segue alimentando o ego e parece oferecer, ainda que apenas na teoria, uma falsa satisfação para muita gente.
As pessoas praticantes desse comportamento e, de alguma forma, crentes dessa ideia distorcida, fecham os olhos e passam a acreditar que todos os seus atributos são melhores do que os dos outros. Consequentemente, passam a considerar que a cor da sua pele, sua orientação sexual, suas preferências, sua religião, sua ideologia política, seus gostos, entre outros aspectos, são superiores aos atributos, valores e preferências alheios.
A verdade é que, enquanto esse egoísmo — ou melhor, essa atitude de superioridade — não for extirpado da mentalidade humana, não será possível combater o preconceito entre os seres humanos. Ou seja, continuaremos sempre nos achando superiores aos outros e alimentando o preconceito, criando novos e, muitas vezes, cultivando até sentimentos de vingança, buscando superar o preconceito do outro e podendo, inclusive, dar origem a um preconceito de mão dupla.
Algumas teorias sobre as origens e a formação do preconceito descrevem exemplos claros desse fenômeno. Um deles ocorre por meio da generalização: alguém conhece um francês que não correspondeu à sua expectativa, não era uma boa pessoa, e passa a rotular todos os franceses como gente desqualificada. Outro exemplo é o da particularização: conforme sabemos, o nazismo já acabou há muitos anos, mas algumas pessoas ainda carregam essa ideia na mente e, ao se depararem com um alemão, passam a taxá-lo como nazista. Há também a questão da crença e do fanatismo: algumas pessoas discriminam outras por conta da religião ou consideram inimigos declarados aqueles que não compartilham da mesma ideologia política.
Quem cultiva esse tipo de preconceito e de tantos outros, acredita que sua opinião representa uma verdade absoluta e que os outros estão sempre do lado mais pobre — intelectual, moral ou social — da sociedade.
Sobre algumas orientações que poderíamos contribuir, seria interessante observar que, as pessoas são diferentes em todos os aspectos; os momentos e as circunstâncias também são mutáveis, o próprio tempo é mutável e, por conta destas dinâmicas, as pessoas precisam ser conhecidas uma por uma, nos mínimos detalhes, levando-se em conta todas as particularidades, para que se possa emitir alguma opinião. Na verdade, achamos que não devemos julgar as pessoas de forma alguma.

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