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ESPORTE

Janeiro molhado

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Como costuma acontecer em todos os anos, chove muito em janeiro nas diversas regiões do Brasil. Chove muito e os problemas se repetem. Alagações num canto, gente desabrigada em outro, desmoronamentos, carros boiando na correnteza… Enfim, tudo mais ou menos sempre do mesmo jeito.

Também faz muito calor. No Rio de Janeiro, onde eu tenho passado mais tempo nos últimos anos, chegou a fazer mais de 40 graus. Passear ao ar livre nesses dias quentes chegou a ser uma temeridade. Se esconder sob a proteção do ar condicionado, então, foi a melhor ideia que ocorreu a todos.

Mas, apesar dessas condições, digamos, adversas, o futebol não parou. Melhor dizendo: o futebol começou. É preciso seguir o calendário, que o tempo não para e a única coisa que todo mundo tem, como diriam os filósofos, é o instante. Nada acontece fora do presente, absolutamente nada.

E então, como se o futebol seguisse a natureza, o que se viu nesse primeiro mês do ano foram jogos quentes e, na maioria, recheados de bolas nas redes. Se fosse o caso de usar uma metáfora onde se juntassem o tempo e a bola, se poderia dizer que o ano começou com uma “chuva de gols”.

No Campeonato Carioca, por exemplo, nos dezoito jogos disputados nenhum terminou em zero a zero. Os artilheiros parecem estar com a pontaria afiada. E em alguns confrontos os placares foram bem elevados (Vasco 4 x 2 Maricá, Volta Redonda 3 x 0 Flamengo e Fluminense 3 x 2 Nova Iguaçu).

Da mesma forma, no Campeonato Acreano, no outro extremo do país, agora falando do meu estado de origem, nos seis primeiros jogos foram marcados 21 gols. Média de 3,5 gols por jogo. Tal e qual o Rio de Janeiro, para a alegria da torcida, nenhuma partida terminou com o placar em branco.

Em três desses seis jogos iniciais do Acreanão, inclusive, saíram mais de 3 gols: Independência 2 x 2 Santa Cruz, Galvez 4 x 1 São Francisco e Rio Branco 3 x 2 Vasco. E nos outros três saíram pelo menos dois gols: Adesg 1 x 1 Humaitá, Humaitá 2 x 1 Santa Cruz e Galvez 2 x 0 Rio Branco.

Se continuar nessa pegada, mais do que chover gols nos campeonatos regionais, que se encerram em meados de fevereiro, quando o calendário do futebol brasileiro segue outros caminhos, a gente vai ter é uma cachoeira. A ideia da cachoeira é boa. Ainda mais quando a temperatura está alta!

Só não pode, cochicha no meu ouvido uma voz vinda sabe-se lá de onde, virar dilúvio. Não pode virar dilúvio nem marcha de destrambelhados às margens de alguma rodovia. Marcha de destrambelhados saindo de nenhum lugar não chega a lugar algum. Ainda bem que a Terra é redonda!

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