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GOSPEL

Edificando a alma com sabedoria inabalável

Publicado

em

Por Chico Araújo*

Na busca pela essência da existência humana, a sabedoria emerge como o alicerce primordial, ecoando as palavras de Aristóteles em sua “Ética a Nicômaco”: “A sabedoria é a virtude mais exata das ciências”. Provérbios 24, 3-4 ilustra isso com precisão: “Com a sabedoria se constrói a casa, e com a prudência ela se firma; pelo conhecimento, os quartos ficam cheios de bens preciosos e agradáveis”. Aqui, a construção não é mera arquitetura física, mas a edificação da vida social e psíquica, alinhando-se à visão antropológica de Claude Lévi-Strauss, que em “Tristes Trópicos” descreve as sociedades como estruturas simbólicas erguidas sobre o conhecimento coletivo. Essa fundação sábia contrapõe-se à fragilidade do instinto isolado, convidando-nos a transitar da mera sobrevivência para uma existência enriquecida, onde o conhecimento preenche os vazios da alma, tal como em Salmos 119, 105, que proclama a palavra como “lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho”.

Contudo, essa construção demanda vigilância contra as forças destrutivas que permeiam as relações humanas. A inveja e a maldade, raízes profundas da violência social, são advertidas em Provérbios 24, 1-2: “Não tenha inveja dos maus, nem deseje a companhia deles; porque o coração deles trama violência, e seus lábios só falam maldades”. Essa exortação ressoa na análise sociológica de Émile Durkheim em “O Suicídio”, onde ele identifica a anomia – o colapso das normas sociais – como fermento para comportamentos desviantes, impulsionados por corações que tramam divisões. Psicologicamente, Sigmund Freud, em “O Mal-Estar na Civilização”, explica essa trama como o embate entre o id impulsivo e o superego repressivo, onde a maldade verbal surge como sublimação de agressões reprimidas. Assim, evitar tais companhias não é mero isolamento, mas uma estratégia antropológica de preservação cultural, semelhante à advertência em 1 Coríntios 15. 33: “Não se deixem enganar: ‘As más companhias corrompem os bons costumes'”. Essa transição da construção sábia para a evitação do mal revela que a prudência não é passiva, mas um escudo ativo contra a erosão social.

Elevando-se acima da força bruta, a sabedoria redefine o poder humano. Provérbios 24, 5-6 afirma: “Melhor ser sábio que ser forte, e o conhecimento vale mais que a força; pois a vitória depende do número de conselheiros”. Friedrich Nietzsche, em “Assim Falou Zaratustra”, proclama que “o homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem”, sugerindo que a verdadeira força reside na superação intelectual, não na muscular. Sociologicamente, Max Weber em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” enfatiza o papel das estratégias racionais na vitória econômica e social, onde conselheiros representam redes de racionalidade coletiva. Essa ênfase em estratégias para adversidades conecta-se à resiliência psicológica descrita por Viktor Frankl em “Em Busca de Sentido”, que via o conhecimento como ferramenta para transcender o sofrimento. Biblicamente, isso ecoa em Eclesiastes 9, 18: “Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra”, guiando-nos logicamente para o exame da fraqueza interna, pois sem conselheiros, a força individual desmorona ante os desafios.

A verdadeira medida da força, no entanto, revela-se na adversidade. Provérbios 24, 10 alerta: “Se você fraqueja no dia da desgraça, é sinal de que a sua força é bem pequena”. Essa introspecção psicológica alinha-se à hierarquia de necessidades de Abraham Maslow, onde a autorrealização demanda resiliência para superar crises, evitando o colapso da pirâmide psíquica. Antropologicamente, Margaret Mead em “Sexo e Temperamento em Três Sociedades Primitivas” observa como culturas constroem rituais para forjar essa força interna, transformando desgraças em ritos de passagem. A transição para o cuidado com as ações surge naturalmente, pois a fraqueza não é apenas física, mas moral, como em Tiago 1, 12: “Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida”.

Nesse contexto, o controle da língua emerge como pilar da integridade. Provérbios 24, 12 e 28 advertem: “Aquele que vigia sobre a sua vida sabe de tudo, e pagará a cada um conforme as obras que tiver feito”; e “Não testemunhe sem motivo contra o seu próximo, e não engane com os lábios”. Carl Jung, em “O Homem e Seus Símbolos”, interpreta a língua como manifestação do inconsciente coletivo, onde palavras maliciosas revelam sombras não integradas. Sociologicamente, Erving Goffman em “A Apresentação do Eu na Vida Cotidiana” descreve o falar como performance social, onde o engano corrói a “face” coletiva. Essa vigilância linguística conecta-se à sabedoria maior, pois, como em Tiago 3, 5-6, “a língua é um pequeno órgão do corpo, mas orgulha-se de suas grandes realizações. Vejam como uma grande floresta é incendiada por uma pequena faísca”.

Por fim, a sabedoria promete um horizonte inabalável. Provérbios 24, 14 declara: “A sabedoria é assim: se você a encontrar, terá futuro, e sua esperança não fracassará”. Essa visão filosófica ecoa em Platão, “A República”, onde a sabedoria é a ideia do Bem, iluminando o caminho para a eudaimonia. Contrastando com a preguiça, que destrói esse futuro, Provérbios 24, 30-34 adverte: “A miséria do vagabundo cairá sobre você, e a indigência o atacará como homem armado”. Isso reflete o conceito de procrastinação em Albert Bandura, em sua teoria da autoeficácia, onde a inércia erode a crença em si mesmo. Antropologicamente, Bronisław Malinowski em “Argonautas do Pacífico Ocidental” nota como sociedades evitam a preguiça através de rituais produtivos, preservando a coesão. Em Provérbios 6, 6-8, a formiga exemplifica a diligência, fechando o ciclo: da construção sábia à rejeição da indolência, a vida se firma na ação prudente, tecendo um tapete lógico de virtude humana.

*Advogado, jornalista e teólogo, autor do livro “Quando Convivi com os Ratos” (2024), Sombras do Poder (2025) e Memórias de Um Repórter (2025), todos pela Editora Social.

 

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