GERAL
Morre o indigenista Antônio Macedo, uma autoridade em sua área há pelo menos meio século no Acre
Altino Machado
Com profundo pesar, registra-se o falecimento do indigenista Antônio Luiz Batista de Macedo, o estimado Txai Macedo, ocorrido na manhã deste domingo, 15, aos 73 anos, em Cruzeiro do Sul.
O Acre é devedor da obra e da dedicação de Txai Macedo. Por mais de meio século, dedicou-se aos estudos, às identificações e às demarcações de territórios indígenas e reservas extrativistas, o que resultou na consolidação de extensas áreas públicas e contínuas da União, notadamente na faixa de fronteira com o Peru e a Bolívia. Seu esforço contribuiu decisivamente para que parcela expressiva do território acreano ⎯mais de 47% de seus 16,5 milhões de hectares⎯ permanecesse resguardada como patrimônio coletivo.
Fez de sua vida uma causa em favor do protagonismo de indígenas, seringueiros e ribeirinhos. Teve papel destacado na fundação da Comissão Pró-Indígenas do Acre, em 1979, enfrentando, com destemor, a repressão e a omissão estatais no período do regime militar, quando a expansão da fronteira agropecuária multiplicava conflitos fundiários.
Não foram raras as ocasiões em que precisou enfrentar invasores, pistoleiros e interesses poderosos que se insurgiam contra a legalidade e a dignidade dos povos originários.
Sua amizade com Chico Mendes e com Aílton Krenak deu origem à histórica Aliança dos Povos da Floresta, um dos mais inovadores movimentos sociais da Amazônia. Índígenas e seringueiros ⎯tantas vezes instigados ao conflito por interesses alheios⎯ uniram-se em torno de um propósito comum: resistir ao avanço do desmatamento e à sanha dos latifundiários.
Guardo a honra de sua amizade. No ano passado, recebi-o em minha casa, na companhia do antropólogo Txai Terri Vale de Aquino. Entre cafés e reminiscências, revisitamos jornadas por aldeias na região de Boca do Acre e Cruzeiro do Sul, testemunhos da coragem e da devoção de um homem que jamais se furtou ao chamado da floresta.
O guerreiro Txai Macedo parte, mas permanece na memória do Acre e na história da Amazônia. Que os grandes espíritos da floresta o acolham com as honras devidas àqueles que, em vida, souberam servir com bravura, lealdade e amor aos povos e à terra que escolheram defender.









