Connect with us

Valterlucio Campelo

Lula da Silva quer enlatar a liberdade, escreve nosso colunista Valterlucio Bessa Campelo

Publicado

em

Spread the love

Valterlucio Bessa Campelo

Em mais uma de suas viagens internacionais, que aproveita para mostrar o mundo à Janja e dar uma folga à crise interna, Lula da Silva, agora na Índia, enveredou por um tema que adoraria já ter resolvido em seu nefasto governo – a regulação da mídia, da IA, das plataformas digitais, enfim, de tudo que signifique liberdade de expressão. Os motivos que apresenta são as “práticas extremamente nefastas, como o emprego de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho”. De longe, parece um rosário de boas intenções, mas vistos de perto eles apenas vestem de boa aparência seus reais interesses tão torpes quanto a sua própria natureza autoritária. O que ele quer mais que tudo é adotar, como já confessou em outra oportunidade (ver AQUI), o modelo chinês de controle social aí incluindo o sistema de crédito social.

Aos desavisados, isso significa uma sociedade que funciona como um grande experimento comportamental, onde cada gesto é recompensado ou punido por um sistema invisível. O modelo chinês de crédito social tão admirado por Lula, por Flávio Dino, por militares e embaixadores brasileiros que vivem a transitar daqui para lá e de lá para cá, enquanto “aquele chinês” que Lula pediu a Xi Jinping (ver AQUI) não avisa que chegou, é uma engenharia moral que transforma a vida cotidiana em um jogo de pontos, no qual a liberdade é substituída por conformidade.

Nele, o indivíduo deixa de ser sujeito e passa a ser objeto — um elemento administrável, previsível, domesticado. A liberdade se dissolve aos poucos. A fila de vantagens oferecidas começa com a segurança (veja a fala de Lula na Índia), depois vem a ordem (veja o STF) e, por fim, vem o bem comum, claro, nada é feito por essa gente sem esse emblema fajuto. No final das contas você aceitou o jugo e sua liberdade foi usurpada. Já ouviu falar no DREX? (veja AQUI).

Kant já advertia que nada é mais perigoso do que um Estado que trata seus cidadãos como crianças (lembrou a trapaça de cuidar dos pobres?). A tutela permanente destrói a capacidade de pensar (em que transformaram nossas faculdades?) e agir por conta própria. Neste momento, a autonomia dá lugar à dependência.

O crédito social é uma espécie de behaviorismo: prêmio para quem se comporta conforme o mandamento e castigo para quem desobedece (lembre as taxas, limites e impostos que os ambientalistas querem adotar). O estado passa a ter o indivíduo como um sujeito a ser adestrado, o exercício da cidadania se transforma em seguir os comandos. Se funciona na China, pode funcionar no resto, certo? Depende de o aceitarmos em troca de previsibilidade e segurança.

O modelo chinês só pode funcionar a partir do controle da informação. Controlando quem fez ou disse o quê, o controle total é uma questão de algoritmo. Em seguida, quem fará o quê, também. A retórica adotada pelo sistema será sempre altruísta – proteger menores, o meio ambiente, mulheres, direitos humanos, combater as fakenews etc. Quanto mais dependente for a sociedade, mais disposta ela estará a trocar liberdade por bem-estar, privacidade por segurança e assim por diante. Basta ver os discursos do Lula da Silva para perceber rapidamente o uso que ele faz dessa linguagem falaciosa. Nas sombras, Zé Dirceu o representa em diálogos sino-cabulosos.

A resistência a esse modelo não é apenas política, é cultural, daí a dificuldade de implantá-lo no ocidente. Fundamentos liberais como os direitos individuais, a educação crítica, a diversidade, o debate, a livre escolha, a alternância do poder etc., embasam a recusa a aceitar que o Estado imponha uma visão do que pode e do que não pode.

Nunca se sabe do que Lula da Silva e seus cúmplices são capazes, especialmente quando tomado por uma necessidade imperiosa como a que se apresenta – a reeleição. Eles não admitem serem derrotados, não assumem a deterioração que provocou nos pilares econômicos do Brasil, foram longe demais na farsa do golpe que prendeu e aniquilou inocentes, afundaram demais na lama da corrupção. A implantação do projeto de controle social precisa de pelo menos mais um mandato.

O lado bom da história é que Lula está perdido. As doses de “bondade” que aplica na população mais pobre não funcionam como antes. Está enfraquecido pelos escândalos de corrupção que emergiram com força de lado a lado. Nem o STF, chafurdado entre bancos, consultorias, advocacias e sabe-se lá mais o que, tem robustez para protegê-lo, o TSE está sob nova direção e o povo, enquanto contar com a liberdade de informação que ele quer controlar, saberá se manter à margem da dominação. Sim, Lula quer nos enlatar, mas não vai.

Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, “Arquipélago do Breve”, encontra-se à venda através de suas redes sociais e do e-mail valbcampelo@gmail.com.

Continue lendo

EXPEDIENTE

O Portal Acrenews é uma publicação de Acrenews Comunicação e Publicidade

CNPJ: 40.304.331/0001-30

Gerente-administrativo: Larissa Cristiane

Contato: siteacrenews@gmail.com

Endereço: Avenida Epaminondas Jácome, 523, sala 07, centro, Rio Branco, Acre

Os artigos publicados não traduzem, necessariamente, a opinião deste jornal



Copyright © 2021 Acre News. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por STECON Soluções Tecnológicas