Gabriel Rasteli
De tanto não saber discutir, nos profissionalizamos em brigar, escreve o colunista Gabriel Rasteli

Futebol, política e religião não se discutem. Ao menos era assim o famoso ditado popular que ao longo de muitos anos foi repetido aos quatro cantos do Brasil.
Em meio a tantos assuntos que são considerados “tabus”, os três elementos citados nessa célebre frase são tão corriqueiros na vida do brasileiro que não fazia o menor sentido atribuí-los como um tabu.
Na verdade, hoje há um crescimento exponencial no consumo de conteúdo político em todo território nacional.
A recíproca também é verdadeira no que se refere à religião e a espiritualidade, que ainda movimentam uma parte do consumo literário brasileiro.
E o futebol, ah o futebol. Nunca deixou de ser uma das grandes paixões nacionais.
Mas, então, o entendimento de que não se poderia discutir tais assuntos surgiram por quê?
Talvez pelo fato de se tratar de temas sensíveis, por mexer com paixões e emoções que poderiam trazer chateação, sentimentos negativos por qualquer contradição entre as partes envolvidas.
Fato é que, de tanto ignorar o elefante rosa no meio da sala, o brasileiro não aprendeu a discutir sem ofender, a debater sem querer brigar.
E foi assim, aos poucos, que deu-se um aumento nos casos de intolerância religiosa, bem como os inúmeros rompimentos familiares que ocorreram em face de divisões ideológicas e políticas.
No futebol não foi diferente. Embora o desenvolvimento econômico e tecnológico tenha alavancado os índices esportivos, o comportamento humano reverbera seu instinto primitivo. Confrontos entre torcedores que resultam em mortes, brigas entre torcidas organizadas dentro e fora de estádios.
O diálogo foi para escanteio. A falta no jogo de hoje não é marcada em campo, mas é sentida na arquibancada quando assistimos um clássico com uma torcida única. O amor perdeu de virada para a intolerância.
Um grande hit da banda Black Eyed Peas já dizia where is the love? – em portugês: Onde está o amor?











