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CULTURA & ENTRETENIMENTO

A primeira de todas: quem foi Maria Quitéria, baiana pioneira do Exército brasileiro há 200 anos

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Disfarçada de homem para lutar na Guerra da Independência, ela se tornou um símbolo de coragem e a primeira mulher a assentar praça em uma unidade militar no Brasil.

Por g1 BA — 08/03/2026

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a história de Maria Quitéria de Jesus ganha destaque especial. Nascida em Feira de Santana, na Bahia, ela quebrou as barreiras de gênero do século XIX para se tornar uma das figuras mais emblemáticas da luta pela independência do Brasil em solo baiano.

A fuga e o disfarce

A história conta que, em 1822, quando o Conselho de Cachoeira buscava voluntários para lutar contra as tropas portuguesas, o pai de Maria Quitéria, o fazendeiro Gonçalo Alves de Almeida, recusou-se a ceder homens, pois não tinha filhos varões.

Contrariando a vontade do pai, Maria Quitéria fugiu para a casa de sua irmã, onde cortou os cabelos e vestiu as roupas do cunhado. Sob o nome de “Soldado Medeiros”, ela se alistou no Regimento de Artilharia. Embora seu pai tenha descoberto o disfarce semanas depois e tentado retirá-la das tropas, o major do batalhão impediu sua saída, afirmando que a habilidade dela com as armas e sua disciplina eram superiores às de muitos homens.

Bravura no campo de batalha

Maria Quitéria não apenas lutou, mas se destacou em combates decisivos. Ela participou da defesa da Ilha de Maré e de batalhas na Estrada da Liberdade, em Salvador. Sua coragem era tamanha que ela passou a usar um saiote sobre o uniforme militar, assumindo publicamente sua identidade feminina enquanto combatia.

Em julho de 1823, com a vitória definitiva sobre as tropas de Portugal na Bahia, Maria Quitéria foi recebida com honras. Em agosto do mesmo ano, viajou para o Rio de Janeiro, onde foi condecorada pelo Imperador Dom Pedro I com a Ordem Imperial do Cruzeiro, no grau de Cavaleiro.

Legado e reconhecimento

Apesar de ter morrido em relativo anonimato e pobreza em 1853, na cidade de Salvador, o reconhecimento histórico veio com o tempo:

  • Patrona do Quadro Complementar de Oficiais: Em 1996, o Exército Brasileiro conferiu a ela o título de Patrona do Quadro Complementar de Oficiais.

  • Heroína da Pátria: Em 2018, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília.

Historiadores destacam que a trajetória de Maria Quitéria não foi apenas um ato isolado de patriotismo, mas um marco que desafiou a estrutura social da época, provando a capacidade feminina em espaços até então exclusivamente masculinos.

Confira a linha do tempo das mulheres no Exército — Foto: g1


Fonte: Publicado em 08/03/2026.

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