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Acre cresce com apoio do agronegócio e serviços em 2025 e projeta avanço entre 1% e 6% em 2026

A economia do Acre registrou desempenho positivo, porém desigual, em 2025, sustentada principalmente pelo agronegócio, setor de serviços e investimentos públicos, enquanto comércio, construção civil e empresas intensivas em mão de obra enfrentaram retrações e maior pressão financeira, segundo o Boletim Econômico 2025 do Fórum Empresarial.
O crescimento estadual ficou acima da média nacional em alguns indicadores, impulsionado pela produção agropecuária e pela expansão dos serviços, mas não foi suficiente para promover melhora generalizada no ambiente de negócios. Empresários relataram juros elevados, crédito caro e endividamento das famílias como os principais entraves ao consumo e ao investimento.
Para 2026, a expectativa predominante é de crescimento moderado, com projeções setoriais que variam entre 1% e 6% no agronegócio, além da manutenção do setor de serviços como motor da economia. O avanço dependerá da continuidade dos investimentos públicos e privados já anunciados e da ampliação de oportunidades ligadas ao comércio exterior.
O relatório aponta que o cenário econômico nacional também deve crescer de forma contida, com o PIB brasileiro estimado entre 1,5% e 2,0% em 2026, em um ambiente ainda marcado por taxa Selic elevada, próxima de 15%, e inflação projetada entre 3,7% e 4,2%.
No Acre, os empresários avaliam que a construção civil e o comércio seguem pressionados pelo alto custo do crédito e pela escassez de mão de obra qualificada, especialmente em obras de infraestrutura e habitação. A migração de trabalhadores para outros estados e a baixa qualificação local continuam limitando a expansão desses setores.
Em contrapartida, o agronegócio desponta como principal vetor de crescimento em 2026, com destaque para as cadeias do café, proteína animal, açaí, cacau e mel, impulsionadas pela demanda externa e pelo potencial de agregação de valor. O setor de serviços, especialmente hotelaria e eventos, tende a manter estabilidade, apoiado nos gastos públicos e institucionais.
O boletim destaca ainda oportunidades estratégicas ligadas à Zona de Processamento de Exportações (ZPE) e ao Porto de Chancay, no Peru, que pode reposicionar o Acre como corredor logístico internacional. No entanto, alerta que, sem coordenação institucional, redução da burocracia e melhoria da infraestrutura, o estado corre o risco de não converter essas oportunidades em crescimento sustentável.
Em síntese, 2026 deve ser um ano de consolidação, no qual o desempenho econômico do Acre dependerá menos de fatores pontuais e mais da capacidade de articulação entre governo e setor produtivo, da superação de gargalos estruturais e do direcionamento estratégico dos investimentos.











