POLÍTICA
Antônio Klemer escreve uma crônica indeclinavel para se despedir do amigo Ênio Ayres, que foi enterrado hoje
Eu, o Ênio e o Urubu Cheiroso

Antônio Klemer
O Pai dele havia sido Deputado Estadual, Prefeito de Tarauacá, mas ele, modopai, cruzou o nosso caminho numa aula de O.S.P.B, no Científico.
O Ênnio Ayres Filho era calado – modopai dele – tímido e, entre ele e eu, não havia dúvida: a Má Companhia não era ele!
Eu era Malconduta, cantor e frequentador de ambientes etílicos, modo a amizade do nosso outro Professor, Paulo Tóia.
O Corcel II Azul do Pai do Ênio nunca havia sido preparado pra desfilar na
Esquina do Pecado – que congregava o Gaivota, o Café Com Fresco e o Bar do Seu Oliveira – muito menos o Ênio havia sido criado pra pisar na Baila Comigo, atrás de Bateria do Abelhal…imagina!
Não demorou pra piorar: o Bloco do Abelhal atravessou a Ponte e o Pessoal da Caixa D’água se amancornou : passamos – desde o Lesco, o Augusto Predial, o Nego Sid e o resto da Mundiça – a responder pelo nome de Turma do Urubu Cheiroso, e o Ênio perdeu a vergonha de vez.
Nobre de coração, modum filho legítimo de TK, entrou para a nossa vida e deixou nela a marca de fidelidade, da solidariedade e do forte caráter vascaíno.
Hoje é Quarta-feira, 25, o Carnaval nos afastou e a distância entre mim e o Ênio passou a ser ainda maior do que quando eu apenas o via em minhas raras viagens a Tarauacá, quando fazia questão de dizer que alí eu tinha um amigo quase irmão. E nos encontrávamos e ríamos de nós mesmos e de nossas lembranças de adolescência.
Pois, indagorinha, o Cemitério Morada da Paz ganhou uma nova placa. Ela tem o Nome dele, do mesmo modo como a Turma do Urubu Cheiroso inscreveu na coroa de flores que eu vi de longe, com olhos de jabutí comendo Cajá, e meu coração da mesma idade do dele, gritando, descompassado: – Eu tive um Amigo quase irmão em Tarauacá!
Adeus, Ênio, que eu não quero tua carona hoje!











