POLÍTICA
Bocalom renuncia à Prefeitura de Rio Branco e abre novo cenário político no Acre

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, anunciou nesta quinta-feira (26) sua renúncia ao cargo, com efeitos a partir de 3 de abril de 2026. A decisão, formalizada em carta encaminhada à Câmara Municipal, encerra um ciclo de mais de cinco anos à frente da capital acreana e projeta desdobramentos políticos no estado.
Na carta, Bocalom afirma que a saída é resultado de “muita reflexão” e de um “chamado” para cumprir uma nova missão no Acre, em meio ao que classificou como um momento de “indignação” no país. Embora não detalhe os próximos passos, o tom do documento indica reposicionamento político, possivelmente ligado às eleições.
Eleito em 2020, o prefeito destacou que assumiu o cargo em janeiro de 2021 e que, ao longo de 1.917 dias de gestão, buscou conduzir a administração com “humildade e dedicação”. Ao justificar a renúncia, afirmou deixar a prefeitura com a convicção de ter promovido avanços na capital, citando melhorias no desenvolvimento urbano, redução de desigualdades e ampliação de serviços públicos.
Bocalom também reforçou a continuidade administrativa ao mencionar que o vice-prefeito, Alysson Bestene, assumirá o comando do Executivo municipal. Segundo ele, Bestene dará sequência às políticas públicas implementadas e aos projetos em andamento.
A carta tem forte tom pessoal e religioso, com referências à fé e à missão pública. O prefeito classificou a gestão como um “sacerdócio” e afirmou que suas decisões foram guiadas por princípios cristãos. Também fez agradecimentos à família, equipe de governo e vereadores, destacando a parceria institucional ao longo dos mandatos.
Do ponto de vista político, a renúncia ocorre em um momento estratégico. Pela legislação eleitoral, a desincompatibilização até seis meses antes do pleito é requisito para que ocupantes de cargos executivos possam disputar outras funções. A saída, portanto, reforça a leitura de que Bocalom deve entrar na disputa eleitoral de 2026, embora ainda não tenha confirmado candidatura.
A decisão altera o cenário político em Acre, especialmente na capital, que passa a ser administrada por um novo titular em meio a projetos estruturantes e desafios fiscais e urbanos. Também reposiciona forças políticas locais, com impacto direto nas articulações para as próximas eleições.
Com a renúncia, encerra-se um ciclo iniciado em 2021 e abre-se uma nova fase, tanto na gestão municipal quanto no tabuleiro político acreano.












