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Café da floresta do Acre alcança premiações e revela nova fronteira econômica sustentável

Na Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, a trajetória de Keyti Kety Souza e Jorge Souza ganhou projeção nacional ao transformar um cultivo iniciado na pandemia em um café premiado. O destaque em concursos reforça não apenas a qualidade do produto, mas também a consolidação da cafeicultura como vetor econômico no estado.
Sem experiência prévia, o casal iniciou o plantio em 2020, em área já desmatada, adotando práticas sustentáveis. O resultado foi o café Raízes da Floresta, do tipo robusta amazônico, hoje inserido em mercados nacionais e internacionais.
O reconhecimento veio com números expressivos. No Concurso Florada Premiada, um dos maiores do mundo voltado a cafés produzidos por mulheres, o produto alcançou o 11º lugar entre os melhores do Brasil. Já no QualiCafé, competição estadual, ficou na 5ª posição, com 86 pontos — nota considerada elevada no mercado de cafés especiais.
A análise das premiações indica avanço qualitativo da produção acreana. Concursos desse porte utilizam critérios técnicos rigorosos, como aroma, acidez, corpo e uniformidade, o que posiciona o café da reserva em patamar competitivo frente a regiões tradicionais.
Além do reconhecimento técnico, a visibilidade conquistada amplia o valor agregado do produto, fator decisivo para pequenos produtores. A presença em eventos como a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, e a inserção em mercados externos, como Itália, Estados Unidos e China, evidenciam essa expansão.
O crescimento ocorre em paralelo a políticas públicas de incentivo. O governo do Acre, por meio da Secretaria de Agricultura (Seagri), forneceu mudas, assistência técnica e infraestrutura, reduzindo custos iniciais e acelerando a produção.
Outro indicador relevante é a inserção no Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). O casal foi o primeiro do estado habilitado a fornecer café à rede pública, garantindo mercado institucional e renda estável.
No plano estrutural, a experiência confirma uma tendência: a cafeicultura, especialmente do robusta amazônico, avança como alternativa econômica sustentável, combinando produção em pequena escala, preservação ambiental e alto valor de mercado.
Mais do que uma história individual, o caso revela uma mudança de perfil no campo acreano — onde qualidade, certificação e origem passam a definir competitividade.











