ECONOMIA
‘Em breve o Acre deixará de ser apenas corredor de passagem de outros Estados e será protagonista na exportação de seus próprios produtos’, prevê Raimundo Lima
Evandro Cordeiro para o AcreNews
O professor e economista Raimundo Lima “Sabonete”, um dos expoentes brasileiros quando o assunto é titulação de terra e agronegócio, é mais otimista do que se imagina em relação ao futuro do Acre. Ele não trabalha com achismos ou empolgação política, embora seja diretor de produção e agronegócio da Secretaria de Produção (SEPA). Lima faz avaliação de alto nível sobre a documentação de terras e o futuro do agronegócio, sem tirar, nem colocar, como prevê o anedotário. “Em breve o Acre deixará de ser apenas corredor de passagem da produção de outros estados, para ser protagonista na exportação de seus próprios produtos”, estabelece nosso professor, com base em dados científicos e números, como bom economista que é. Depois de dirigir o Incra estadual e o nacional, ele se tornou uma fonte de informações importantes para quem tem o mínimo de interesse, por exemplo, pelo agronegócio em qualquer lugar do Brasil. Em entrevista especial ao Acrenews, detalha a história da titulação de terras e o agronegócio como pouca gente é capaz de fazer no país, sobretudo de sua terra natal, o Acre.
Vamos à entrevista:
AcreNews – O senhor é um dos homens que mais conhecem sobre terras no Brasil, segundo parte da imprensa nacional, razão pela qual pergunto o seguinte: como está a questão da titulação de terras no Brasil e no Acre?
Raimundo Sabonete – A questão fundiária do Acre é a mais complexa que se conhece no mundo, pois sobre as terras acreanas incidiram Títulos de Propriedade expedidos pelos governos boliviano e peruano, pelo Estado Independente do Acre (período em que o Acre foi declarado país independente), e ainda pelo Estado do Amazonas que tentava a todo custo anexar as terras do Acre ao seu território, pelo fato do Acre ser o maior produtor de borracha do Brasil e ter a borracha de melhor qualidade do mundo ( maior concentração de sólidos e maior elasticidade). Por esses motivos e pela ausência do estado nas discriminatórias realizadas nas décadas de 70 e 80, a União através do Incra discriminou apenas 2/3 das terras acreanas, e muitas das discriminatórias não foram levadas a termo, ou seja: suas conclusões não foram aplicadas em ato contínuo, deixando de herança uma série de conflitos entre proprietários e posseiros.
AcreNews – Como o governo Gladson vem conduzindo a política agrária?
Raimundo Sabonete – Estivemos na semana passada audiência em Brasília, com o INCRA e governo do Acre, organizada pelo senador Márcio Bittar e pelo secretário da Sepa, Nenê Junqueira, onde apresentamos uma proposta de Parceria Técnica para regularizar (titular) as terras do Acre, sob a coordenação do Estado através da SEPA juntamente com o Iteracre e o Incra. Na parceria o Incra entra com o espaço físico, o Iteracre com o acervo técnico e a Sepa com veículos e técnicos e os recursos para diárias e combustível.
O Governador Gladson determinou que fosse apresentado uma proposta capaz de resolver por completo a regularização fundiária das terras acreanas, e isso nós fizemos.
AcreNews – E do ponto de vista da produtividade das terras, o agronegócio, como está sendo trabalhado?
Raimundo Sabonete – Das terras do Acre temos 327.000 ha (trezentos e vinte e sete mil hectares) encapoeiradas (sem uso) e 905.000 ha (novecentos e cinco mil hectares) de pastos degradados e em processo de degradação, isso representa 51% de tudo que foi desmatado no Acre, e é com base neste diagnóstico, que a SEPA está adquirindo mais de R$ 80.000.00,00 (oitenta milhões de reais) em máquinas, equipamentos e implementos agrícolas, recursos de Emendas do Senador Márcio Bittar, para executar o maior programa de recuperação de solos degradados da Amazônia Ocidental, visando aumentar a produção e a produtividade dos produtos explorados pelo agronegócio acreano. E em breve teremos novidade das negociações que estamos fazendo com outros países para firmar Acordos de Cooperação Técnica e Financeira para recuperação das áreas degradas, não se trata de empréstimo.
O governador Gladson determinou que fosse apresentado ao Ministério da Agricultura, projeto de aquisição de insumos para correção e adubação (calcário e adubos) dos solos degradados. A proposta foi apresentada e encontra-se em análise.
AcreNews – Professor, existe, de fato, uma transição da política do extrativismo para o agronegócio?
Raimundo Sabonete – Sim, o governador Gladson Cameli tem como meta o desenvolvimento do agronegócio acreano e isso é fato que se pode comprovar com o aumento na produção de grãos, em especial milho e soja e a quantidade de silos que vêm sendo construídos pela iniciativa privada, e dois grandes polos graneleiros que serão construídos pelo governo do estado nos municípios de Senador Guiomard e Epitaciolândia. O Estado tem incentivado é apoiado as cadeiras produtivas da madeira e da castanha, pela contribuição na formação do PIB estadual e no equilíbrio da nossa Balança Comercial.
AcreNews – O agronegócio promete ou já é uma realidade no mercado acreano?
Raimundo Sabonete – O agronegócio é uma realidade e não terá retrocesso jamais, pois além da expansão dos silos, fábricas de ração, avicultura, suinocultura, café, banana, farinha, frutas e verduras, os agricultores e produtores acreanos buscam ampliar suas atividades e maximizar seus lucros, intensificando capital, via créditos, e tecnologias.
AcreNews – Que conselho o senhor daria ao governador Gladson Cameli caso ele se reeleja, para que o campo no Acre se transforme naquilo que é no Brasil, condutor da economia?
Raimundo Sabonete – O governador Gladson é um gestor moderno e inteligente, sabe ouvir e delegar, isso é fundamental para o Acre e para o seu desenvolvimento harmônico. A minha contribuição será uma análise aprofundada do Plano de Governo, com destaque para o que foi realizado e para o que ainda temos que realizar, e em seguida, propor o novo plano, cabendo ao governador Gladson a decisão final, até porque existem outros técnicos que podem contribuir muito na elaboração de Planos, Programas e Projetos para o estado.
AcreNews – Como um dos economistas renomeados do Estado, o senhor tem dados sobre nossa economia relacionada ao campo que ainda não foram explorados por nenhum governo?
Raimundo Sabonete – Das exportações acreanas de 2020 o agro representou 94% do volume exportado garantindo um Superávit na Balança Comercial do Acre de quase R$ 200.000,00 (duzentos milhões de reais).
É o setor que mais cresce, tanto na geração de empregos como na geração de renda. Em breve, o agronegócio acreano estará absorvendo veterinários, agrônomos, administradores, economistas, técnicos agrícolas e todo tipo de mão de obra, pois o acelerado processo de crescimento das cadeias produtivas trabalhadas pelo agro exigirá mais controles e aplicação de tecnologias de ponta, a chamada agricultura de precisão.
AcreNews – Como bandeira política, o agronegócio é rentável? Dá votos?
Raimundo Sabonete – O agronegócio é uma realidade em todos os países que dispõem de terras agricultáveis e o Brasil, com certeza, é o mais importante. Neste contexto o Acre aparece como oitavo produtor de suíno do Brasil, e graças ao governador Gladson os produtores tiveram condições de sobreviver aos problemas econômicos causados pela pandemia do Covide-19. E para comprovar esta afirmativa, 2020 foi o primeiro ano em que os produtores de frango e suínos, não importaram milho e soja para produzir ração para alimentar seus animais, tudo foi produzido no Acre.
Em breve o Acre deixará de ser um corredor por onde passa a produção de outros estados, para ser protagonista na produção e exportação de grãos, carne, madeira, castanha, café, guaraná, cacau, frutas e verduras.












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