RAIMUNDO FERREIRA
Em sua coluna desta quarta-feira, 25, professor Raimundo Ferreira questiona os julgamentos equivocados

JULGAMENTO EQUIVOCADO
Atualmente, a apresentação de ideias de forma mais elaborada, ou a tentativa de fundamentar assuntos com base em pensamentos filosóficos, de certa maneira, está fora de moda. Conforme evidenciam os comunicadores das temáticas modernas, essa época teria ficado para trás; seria um papo retrógrado. Em parte, até concordamos, afinal, as ideias desses homens sábios que viveram, especialmente na antiga Grécia, estão distantes da nossa geração — alguns há quase três mil anos.
No entanto, se não todas, ao menos a maioria de suas ideias e teorias, além de integrarem o contexto atual, permanecem como verdades consistentes, capazes de orientar e evidenciar questões que, apesar dos avanços da modernidade, ainda causam transtornos na sociedade contemporânea.
A maioria dos desentendimentos no âmbito das relações sociais, por exemplo, continua sendo gerada pela falta de um conhecimento mais profundo sobre a verdadeira personalidade do outro. Ainda não compreendemos plenamente que cada indivíduo possui uma essência única e que, sem considerar essa particularidade, qualquer julgamento — seja positivo ou negativo — tende a ser equivocado.
O que se observa atualmente são comentários e julgamentos emitidos com base no “achismo”. Pessoas que nada sabem sobre as outras se atrevem a opinar e até a fazer afirmações categóricas a seu respeito. Esse comportamento talvez represente uma das atitudes mais desonestas e injustas que um ser humano pode ter para com outro.
Essa reflexão me veio à mente porque, no dia 16/02/2026, embora poucos tenham tomado conhecimento, comemorou-se o Dia do Filósofo. Na ocasião, o jornalista Patrick Silva, do Correio Braziliense, escreveu um texto bastante interessante sobre a data, fazendo referência ao filósofo estoico Epicteto, com a célebre frase: “Não são os fatos que nos perturbam, mas a interpretação que fazemos deles”.
Seu enfoque nas redes sociais foi especialmente pertinente, pois é por meio desses canais que julgamentos — muitas vezes sem qualquer fundamentação — são disseminados, ganham repercussão e, não raro, causam danos à reputação de muitas pessoas. Da mesma forma, também contribuem para enaltecer, sem a devida qualificação ou razão, qualidades inexistentes em outras.
Assim, essa temática — ou melhor, esse comportamento recorrente na atualidade — exige reflexão. Queiramos ou não, de maneira consciente ou inconsciente, estamos todos submetidos e, muitas vezes, participando das “fofocas do momento”.













