Connect with us

GOSPEL

Há 82 anos, um navio alemão tentava salvar 937 judeus dos horrores do nazismo

Publicado

em

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o transatlântico St. Louis partiu de Hamburgo em direção às Américas

Aventuras na História

Em 1933, com ascensão de Hitler ao poder, uma onda antissemita começou a dar indícios do que vinha pela frente. Na época, o tirano foi responsável por criar leis que restringiam os direitos da comunidade judaica.

Já em 1939, a situação dos judeus só piorou, o que levou muitas pessoas a procurarem refúgio em outros países livres do domínio nazista, como foi o caso dos 937 passageiros à bordo do transatlântico alemã St. Louis. 

Às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o navio partiu de Hamburgo rumo às Américas. Os judeus à bordo da embarcação, acreditavam que poderiam recomeçar em outro país e que, assim, estariam seguros do que mais tarde ficaria conhecido como Holocausto Judeu.

No entanto, após uma série de eventos infelizes, os passageiros do St. Louis não encontraram o que almejavam, e muitos deles tiveram um fim trágico.

Vidas inocentes

A menina de 10 anos veste uma saia xadrez, sandália do tipo melissa e sorri para a câmera, em preto e branco, acompanhada de oito familiares — incluindo uma garotinha mais nova, que talvez tenha a metade da sua idade, talvez seja sua irmã.

A alegria não está só no seu rosto, aliás: todos na foto aparentam sentimentos que ultrapassam o protocolar sorriso de retrato. Adivinham-se ali otimismo, tranquilidade e um certo alívio.

O cenário é o convés de um navio, à frente de um barco salva-vidas. Os homens vestem ternos brancos, a família parece ter dinheiro. O vento marítimo descabela uma mulher jovem, mais ao fundo.

Tudo indicaria uma viagem a passeio, um cruzeiro em família, não fosse a legenda que nos informa a identidade da nossa menina de 10 anos: “Meu nome é Lore Dublon. Em 1939, eu fugi do meu país à procura de segurança nos Estados Unidos. Mas não me deixaram entrar. Então fui assassinada em Golleschau”.

Outra foto em P&B mostra um menininho de 2 anos, bem protegido do frio, com casaco, gorro e cachecol. Ele pilota seu triciclo, observado pelos pais, num conjunto que tem sua harmonia quebrada pela legenda quase idêntica à anterior: “Meu nome é Werner Stein. Em 1939, eu fugi do meu país à procura de segurança nos Estados Unidos. Mas não me deixaram entrar. Então fui assassinado em Auschwitz”.

Golleschau pode não ser um nome tão conhecido, mas Auschwitz não deixa dúvidas: é de campos de concentração nazistas que estamos falando. Essas e outras fotos emprestadas do Museu do Memorial do Holocausto, dos EUA — estão publicadas no perfil “St. Louis Manifest”, que nasceu no Twitter em janeiro de 2017, no dia seguinte ao decreto do presidente Trump que barrava a entrada nos EUA de imigrantes vindos de alguns países muçulmanos: Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

Para criticar, por analogia, o veto migratório que recusa abrigo a gente que foge de guerras, Estados homicidas e intolerância, o educador e ativista judeu Russel Neiss dedicou esse perfil a outro evento histórico com o mesmo ponto de partida — e as mesmas consequências: a infeliz jornada do transatlântico MS St. Louis, que partiu de Hamburgo às vésperas da Segunda Guerra Mundial, rumo às Américas, levando a criança Lore Dublon, o bebê Werner Stein e mais 935 passageiros judeus, que fugiam do racismo e da truculência nazista.

Expulsos de casa

O genocídio conhecido como Holocausto, em que o governo alemão assassinou cerca de 6 milhões de judeus, só começou mesmo em 1941, quando as câmaras de gás entraram em ação.

Mas isso não significa que judeus já não viessem sendo mortos e perseguidos na Alemanha nazista. Com a ascensão de Hitler ao poder, em 1933, seu ódio pela comunidade judaica foi aos poucos virando política de Estado, com uma sequência de leis que cancelavam os direitos dos judeus e, na prática, tornavam sua existência inviável sob qualquer perspectiva.

Em sua autobiografia, a judia alemã Renate Breslow conta como sua infância foi afetada pelo crescente antissemitismo no país — que vinha do governo, mas que obteve uma adesão eufórica de grande parte da população.

Em 1935, o Parlamento aprovou uma lei segundo a qual os não judeus estavam proibidos de fazer qualquer compra em lojas de judeus — uma restrição que arruinou
a vida financeira de Renate.

Outra lei racista proibiu que crianças judias frequentassem escolas públicas — o que fez com que a pequena, que estava na primeira série, se visse privada de educação formal e de todas as amizades de infância.

Mas nada traumatizaria tanto a sua família quanto a onda de violência antissemita nos dias 9 e 10 de novembro de 1938: a Kristallnacht. A “Noite dos Cristais” recebeu esse nome como uma referência aos cacos de vidro — das vidraças dos estabelecimentos comerciais de judeus — que cobriram as ruas da Alemanha após esse pogrom — termo iídiche que significa uma série de pilhagens, agressões e assassinatos contra uma minoria.

O linchamento em massa foi instigado por membros do Partido Nazista e pela milícia paramilitar que apoiava o governo (a SA). As lojas dos judeus foram destruídas, não antes que suas mercadorias fossem saqueadas.

Centenas de sinagogas foram incendiadas — os bombeiros foram instruídos a apenas impedir que o fogo se alastrasse para edificações vizinhas. Mais de 90 judeus foram assassinados covardemente nesses dois dias.

“Depois da Kristallnacht, não havia um judeu na Alemanha que não quisesse fugir do país”, lembrou, numa palestra em 2013, a mesma Renate Breslow, agora uma senhorinha, vivendo confortavelmente na Pensilvânia, EUA.

Se ela sobreviveu ao nazismo para contar sua história ao mundo, foi porque seus pais decidiram fazer o que o bom senso mandava: ir para longe de
Hitler.

Ela só não imaginava que a estratégia de sua família, e de centenas de outras que embarcaram no transatlântico St. Louis, no dia 13 de maio de 1939, fosse virar uma aventura marcada pelo fracasso da solidariedade.

Quanto mais longe, melhor

Com o avanço frenético da violência contra a comunidade judaica na Alemanha, o início de 1939 viu uma procura desesperada de judeus por novos lares. Um destino que parecia convidativo eram os Estados Unidos, que tinha o Oceano Atlântico separando sua população dos nazistas — e onde havia comunidades de judeus desde os tempos em que o país ainda era colônia dos ingleses.

Nos anos 1930, eles tinham importância política na cidade de Nova York e apoiavam o New Deal, a série de reformas estruturais do presidente Franklin D. Roosevelt.

Em 1939, os EUA tinham até um judeu na Suprema Corte. Parecia, sim, um lugar seguro.
Para entrar nos EUA, no entanto, não era tão fácil. Havia cotas de imigração, e a fila para se estabelecer no país podia levar de um a cinco anos.

Os judeus alemães, com os nazistas nos calcanhares, não tinham esse tempo todo. Então muitos concluíram que uma temporada na vizinha Cuba seria ideal para refazer a vida enquanto lidavam com a burocracia americana.

No fim do século 19, negociantes judeus vindos dos EUA começaram a residir na ilha caribenha, atraídos pelas oportunidades ligadas à importação e exportação de açúcar e tabaco.

Já os imigrantes europeus passaram a chegar nos anos 1920, formando uma comunidade de 24 mil judeus, muitos deles trabalhando na indústria de tecido. Parte significativa dessas pessoas estava usando a terra dos charutos como trampolim para uma estadia definitiva nos EUA, mas o Ato de Imigração americano, de 1924, criando cotas que restringiam a entrada de refugiados europeus e asiáticos, acabou mudando os planos dessas famílias, que se resignaram a fixar residência em Cuba mesmo.

Retrato de refugiadas judias no porto de Havana, em 1939 / Crédito: Domínio Público, via Wikimedia Commons

Considerada a questão logística e burocrática, seria para Havana, então, que os passageiros do St. Louis rumariam, partindo de Hamburgo. Alguns tinham até familiares que já moravam em Cuba há anos. Só podia ser um lugar seguro.

Idílio no Oceano

Os nazistas não estavam muito preocupados em segurar seus judeus — pelo contrário, a fuga em massa facilitava a limpeza étnica hitlerista. Mas isso não queria dizer que os nazis fossem deixar o êxodo sair barato.

Autorizações de partida eram vendidas por fortunas. Sem expectativa de voltar à companhia do Führer, não foram poucos os judeus que venderam tudo o que tinham. Esses eram os “sortudos” — os que possuíam algo para negociar.

Os que não podiam comprar sua ida tiveram de lidar diariamente com a fúria nazista – o que quase sempre significava a morte. A bordo do St. Louis, no entanto, estavam os que podiam. A maioria dos passageiros era de judeus de posses.

Tanto que a embarcação era um luxuoso transatlântico, com oito deques, piscina para adultos e crianças. No navio, judeus que haviam perdido todos os seus direitos na Alemanha tiveram semanas de renascimento.

“Eles nem podiam comprar jornais, não podiam se sentar nos bancos das praças… tinham uma vida muito limitada em seu país, mesmo que alguns deles fossem ricos”, explica o jornalista cubano Armando Lucas Correa, autor de A Garota Alemã, romance histórico baseado na viagem do St. Louis.

“Dentro do navio, eles tiveram suas vidas de volta.” O dia a dia em alto-mar era de jantares refinados, música e atendimento cordial. Foi nesse clima de paz e grandes expectativas que a menina Lore Dublon foi fotografada, sorrindo, com sua família.

E foi no deque do St. Louis que Renate Breslow contava os dias para reencontrar seu pai, que já estava em Havana. Mas o idílio estava prestes a terminar.

Primeira rejeição 

O pai de Renate estava tão ansioso pela chegada de sua esposa e filha que passou a noite no porto de Havana. Assim que o St. Louis se aproximou da cidade, ele arrumou um barquinho para chegar perto do navio e acenar para a parte da sua família que estava a bordo.

Trocaram sorrisos e gritos de felicidade, enquanto a tripulação preparava o desembarque. Os demais passageiros também já estavam com suas bagagens arrumadas quando veio o balde de água fria. Havia algum problema burocrático, e o desembarque ainda não estava autorizado.

“Quando chegamos a Havana, a imigração subiu ao navio. Eles foram muito educados e gentis. Mas aprendi minha primeira e única palavra em espanhol: ‘mañana’ [‘amanhã’]. Tudo ficava para amanhã”, contou o sobrevivente Gerald Granston, em depoimento à BBC, quando já era um octogenário, em 2017.

Na época em que cruzou o Atlântico fugindo dos nazistas, esse alemão era um menino de 6 anos, que experimentou o horror extremo a bordo daquele navio. De fato, o que os passageiros mais ouviam é que a questão se resolveria no dia seguinte, e no seguinte, e no outro… O imbróglio era este: os viajantes subiram a bordo do St. Louis com autorizações emitidas pelo diretor-geral de Imigração cubano, Manuel Benitez.

Só que a iminente chegada de quase mil judeus havia enfurecido a opinião pública no país latino-americano. Cuba já havia admitido 2.500 judeus europeus, e muitos achavam um disparate ter mais estrangeiros que iriam competir com a mão de obra nacional pelos poucos empregos à disposição — vale lembrar que, em 1939, Cuba ainda sofria as consequências do crash da bolsa americana, que arrasara as economias do planeta dez anos antes.

Então uma manifestação antissemita juntou 40 mil pessoas contra o acolhimento dos refugiados. E o governo cubano desfez o acordo. Só puderam desembarcar 22 judeus alemães, porque já tinham vistos de entrada para os EUA.

Quando os mais de 900 restantes descobriram a proibição, um misto de frustração e pânico tomou conta do navio. O menino viu à sua frente um adulto cortar os pulsos e se atirar no mar, desesperado. “Se fechar meus olhos, ainda posso ouvir seus gritos e ver o sangue”, ele disse à BBC.

O que fazer, então? Já que o atalho para o território americano estava bloqueado, ficou decidido que iriam direto para seu alvo principal. Afinal, não eram os EUA a terra das oportunidades?

O ‘não’ de Roosevelt

Em 1939, a cota de imigrantes nos EUA provenientes da Alemanha e Áustria era de 27.370 pessoas — e já estava preenchida. Então, quando o transatlântico St. Louis se aproximou de Miami, o governo americano se viu diante da seguinte questão: por que aceitaria aqueles refugiados se havia tantos aguardando a vez? A resposta poderia ser: porque, se eles tivessem de voltar para a Alemanha, seriam mortos imediatamente.

Aceitá-los era uma questão de benevolência, não de burocracia. Só que os motivos da ocasião iam muito além dos trâmites imigratórios. A Grande Depressão dos anos 1930 abriu a caixa de pandora do pior da natureza humana.

A América, na ressaca de pagar a conta da abundância dos loucos anos 1920, estava disposta a tudo para proteger seus empregos, e esse tudo incluía isolacionismo, xenofobia e — sempre ele — antissemitismo.

Uma pesquisa na revista Fortune indicava que, na época, 83% da população era contra a flexibilização das cotas de imigrantes. E o presidente Roosevelt estava num momento em que precisava mais do que nunca agradar a seu público interno: ele concorria à reeleição.

Aceitar aqueles judeus, rejeitados por seus eleitores, era dar munição a adversários políticos. Então ele disse não. “America first”, poderia ter emendado, antecipando o bordão de Donald Trump.

Logo em seguida, também consultado, o Canadá seguiu seu irmão do Sul, e negou abrigo aos refugiados. Um oficial da Imigração canadense na época, questionado sobre quantos judeus poderiam ser admitidos no país, respondeu assim: “Nenhum já é além da conta”.

Quatro destinos

Sem porto seguro em Cuba nem na América do Norte, só restava aos judeus retornar para a Europa. Mas para onde? A Alemanha não era opção.

Organizações judaicas intervieram e passaram a negociar com alguns países. Conseguiram vistos para que os passageiros se estabelecessem em quatro: Bélgica, Holanda, França e Inglaterra.

O navio enfim atracou em Antuérpia, no começo de junho, de onde os judeus foram encaminhados para seus diferentes destinos — com todo o significado que a palavra “destino” pode ter.

Grande parte dos passageiros preferia a França, por uma questão de admirar a cultura francesa. Os que falavam inglês acharam que teriam maior facilidade na Inglaterra. Mas, de maneira geral, a divisão foi equilibrada.

Esta, entretanto, é uma história sem final feliz para muitos desses viajantes – como as legendas daquelas fotos de Twitter já davam a entender. A Segunda Guerra Mundial começou três meses após o desembarque do St. Louis e, entre os dias 10 e 28 de maio do ano seguinte, os nazistas ocuparam a França, a Holanda e a Bélgica.

Dos passageiros do navio que haviam sido encaminhados para esses países, 255 morreram — a maioria em campos de concentração. Mais feliz foi o destino da bebê Eva Safler, registrada no deque do transatlântico. A criança, então aos 9 meses de vida, está no colo da mãe, que olha para baixo, relutante em posar para a foto.

Uma postura que contrasta com a do marido, sorridente ao lado de uma boia em que se lê “St. Louis – Hamburg”. Além do desembaraço diante da câmera, dele sabemos que teve uma decisão que salvaria sua família.

Ao ser questionado sobre o país para o qual preferia ir, das quatro possibilidades europeias, o homem escolheu a Inglaterra. Disse que queria viver num país onde houvesse água separando-o da Alemanha nazista.

Dos 288 passageiros do St. Louis admitidos na Inglaterra, quase todos — 287 — sobreviveram à Segunda Guerra. Os nazistas nunca ocuparam o território inglês.

Eva Safler está viva até hoje, dando a volta ao mundo para contar a história dessa odisseia marítima — uma lição sobre o individualismo que marca as políticas das nações mais poderosas do planeta.

Continuar lendo
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

GOSPEL

Assembleia de Deus faz programação para celebrar os 110 anos de fundação em Belém

Publicado

em

Por

G1 Pará Foto: Reprodução

A Assembleia de Deus completa 110 anos de fundação e para celebrar a data, a igreja realiza programações em Belém, cidade onde tudo começou. Nesta sexta-feira (18), haverá culto solene, às 19h, com a presença do presidente Jair Bolsonaro, governador Helder Barbalho, prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues entre outros convidados. A programação será transmitida pelas redes sociais da igreja.

No sábado (19), está programada a inauguração do Museu Nacional da Assembleia de Deus, localizado na avenida Nazaré com a travessa 14 de Março. E às 9h, haverá a reconstituição da chegada dos pioneiros Daniel Berg e Gunnar Vingren, na Escadinha, no Porto de Belém.

Aproximadamente 200 pessoas serão recepcionadas, vindas de navios, vestidas em trajes do início do século XX. De acordo com a igreja, o evento já é tradição e por medidas restritivas em razão da pandemia, será aberto a um público reduzido para evitar aglomerações.

Fundação

No início do século XX, os suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, receberam em profecia a ordem de que tinham que pregar o evangelho num lugar chamado Pará. Ao pesquisarem no mapa, descobriram que era um local distante na Amazônia. Sem dinheiro e sem entenderem o idioma português, partiram de Nova York rumo a capital paraense. Eles desembarcaram em Belém no dia 19 de novembro de 1910. No Pará conheceram o casal Henrique e Celina Albuquerque, que cederam sua casa para as reuniões pentecostais.

A Assembleia de Deus é uma igreja missionária, com forte atuação na América do Sul, África e Ásia e outros países. Além de missões internacionais, a Igreja presta serviços às comunidades carentes da região metropolitana e ribeirinhas, além de refugiados.

Continuar lendo

GOSPEL

Conheça a história da Assembleia de Deus em Feijó, que completa 88 anos esse mês

Publicado

em

Por

ASSEMBLEIA DE DEUS EM FEIJÓ – ACRE: UM EXÉRCITO IMBATÍVEL

Corria a década de 30…

Tempos sombrios, de grave crise econômica e de instabilidade política, marcavam o mundo pós-guerra. A Europa, ainda atormentada pelos horrores do grande conflito armado, via eclodir os movimentos totalitários, comandados por discursos inflamados de líderes como Mussolini, Stálin e Hitler. Homens que lideraram grandes exércitos pela força de ideologias extremistas. Homens que escreveram seus nomes nos anais da história com as penas do terror e com a tinta do sangue de seus compatriotas. Homens cujos nomes a história deveria esquecer!

Mas, bem longe daquele contexto tenebroso, na cidade de Feijó, no norte do Brasil, e com perfis totalmente opostos aos daqueles homens malignos e cruéis, atuaram homens cujos nomes a história deveria reverenciar. Homens cuja única ideologia é o amor perfeito do Pai. Homens de corações incendiados pela centelha missionária, apaixonados por almas. Homens que, ao invés de sujarem suas mãos de sangue, espalharam a semente do evangelho, plantando esperança nos corações sedentos de uma mensagem de paz.

São dezenas deles! E queremos, nesta noite tão solene, relembrar seus feitos tão dignos de fulgurar nos mais convencionais registros históricos.

Voltemos à década de 30 e visitemos o município de Envira, no Amazonas. Ali, encontraremos Lino José Benício servindo como evangelista numa humilde congregação do seringal Novo Mundo. Um homem simples, obediente à Palavra e disposto a cumprir o Ide do Mestre. Foi essa sua disposição e o seu amor pela obra missionária que o levou a abandonar seu lugar e, orientado pelo Espírito Santo, fundar uma igreja na então Vila Feijó, no Acre. Naquele templo simples, construído em madeira bruta e coberto de palha, Lino José Benício foi apresentado ao pastorado e consagrado, sendo, logo em seguida, empossado pelo pastor José Floriano, em 16 de junho de 1933.

Naqueles tempos difíceis, de cultos realizados à luz de candeeiro e farol, o fervor da igreja incipiente e a pregação da Palavra eram o que atraía cada vez mais almas para o Sol da Justiça, que é Jesus.

No ano de 1939, acometido de uma doença, nosso pioneiro deixa a direção da igreja, após 6 anos de intenso trabalho e dedicação amorosa à causa do evangelho.

Entre os anos de 1939-55, coube ao pastor Manoel Araújo, de nacionalidade portuguesa, a missão de desbravar as terras feijoenses, abrindo vários pontos de pregação, construindo novas congregações e reconstruindo o templo central da igreja em madeira de lei. Sob a graça e a unção de Deus na ministração da Palavra, e extremamente zeloso da doutrina e organização da igreja, esse intrépido obreiro viu engrossar a fileira de fiéis no campo que lhe foi confiado. Consciente do dever cumprido, 16 anos após sua posse, em 1955, é transferido para Rio Branco, onde presidiria aquela igreja e a Convenção Regional do Acre.

Pastor Antônio Prudente de Almeida e sua esposa Valda Almeida foram os nomes escolhidos para assumirem a presidência desta igreja no ano de 1955. Após dois anos, em 1957, pastor Prudente, sentindo ter findado o seu tempo à frente desta obra, transferiu o cajado ao seu sucessor.

Era um novo tempo. O Dono da obra procurava alguém que, com ousadia e intrepidez, investisse no evangelismo pessoal. Em Sena Madureira, no seringal Macoã, estava o casal de obreiros preparado para essa missão. E foi assim que, em 1957, o pastor Raimundo José do Nascimento e sua esposa, a irmã Maria de Lourdes Elias do Nascimento, foram comissionados por Deus para assumir a direção da igreja feijoense.

Ocorre que, por desígnios do Pai, o pastor Raimundo experimentou a dor da perda de sua fiel companheira. Os tempos não eram realmente fáceis, mas Deus não deixa as lágrimas de um fiel secarem no chão da indiferença. Lágrimas de um fiel, plantadas em solo de dor, geram frutos de alegria. E, para o pastor Raimundo José, a alegria veio num matrimônio abençoador, nos filhos que lhe daria a irmã Judite Aguiar do Nascimento e em 22 anos de profícuo ministério à frente desta igreja, findo em 23 de maio de 1979.

O pastor João Batista Adrião, junto com sua esposa Francisca Adrião, assumiu esta igreja no dia 23 de maio de 1.979 e permaneceu até março de 1982, passando quatro anos entre nós.

Após sua saída, assumiu o pastor Jonas Francisco da Costa que, com sua esposa Adaíres Costa, presidiu esta igreja de 13 de setembro de 1.982 a 14 de novembro de 1.983, por pouco mais de 1 ano.

Entre idas e vindas de obreiros, a obra do Senhor em Feijó crescia a passos largos. Deus confirmava sua presença no meio do seu povo e o ministério de cada obreiro que dedicava sua vida a esse lugar. 

Não foi diferente com o pastor Luiz Gonzaga de Lima e sua esposa Vânia Maria Chiquito de Lima. Apesar de bem jovem, pastor Luiz era convicto da chamada de Deus em sua vida e assumiu a liderança desta igreja em novembro de 1.983 a setembro de 1.986, passando três anos à frente deste trabalho.

Logo em seguida, a missão de nos apascentar foi confiada ao pastor Sebastião Jesus de Araújo e à sua esposa, irmã Elizabete, que nos presidiram no período de setembro de 1.986 a 1.987.

Com a saída do pastor Sebastião, coube a um filho de Feijó e filho na fé desta igreja, o pastor Jader Correia de Sena, a honra de servir ao Senhor na presidência interina da Assembleia de Deus em Feijó, juntamente com sua esposa, a irmã Lizete Thaumaturgo Sena. No curto período de 1987 a abril de 1988, esse casal de obreiros contribuiu de forma muito significativa para o elevo espiritual desta igreja.

Pastor Jader foi sucedido pelo pastor Peregrino Nogueira de Oliveira, que desde muito jovem se dedicou ao ministério da palavra. Ele e sua esposa, irmã Silvânia Helena Lopes de Oliveira, foram empossados em 16 de abril de 1.988, pastorearam durante quatro anos, saindo em outubro de 1.992.

Em seguida, o pastor Rosilúcio Oliveira Britto assume a liderança da igreja, em 09 de outubro de 1.992. A exemplo dos que lhe antecederam, realizou um grande trabalho em prol da Obra do Senhor. Ele e sua esposa Ivanete Mesquita Britto passaram três anos na direção deste trabalho e tiveram sua participação na história desta igreja até setembro de 1.995.

De setembro a novembro de 1995, a missão foi atribuída ao pastor Josué de Souza Almeida, que, por razões particulares, precisou deixar a presidência da igreja.

No dia 05 de novembro de 1.995, assume a presidência da igreja o pastor Francisco das Chagas Santiago de Oliveira que, em companhia de sua esposa, a irmã Alzenira do Nascimento Oliveira, aqui estive por dois anos, realizando um brilhante trabalho para Deus. Concluído o tempo de Deus nas suas vidas, nossos pastores foram despedidos no dia 15 de março de 1.997.

Na mesma data, assume o pastor Lázaro Humberto Lemes que, juntamente com sua esposa, a irmã Luzia Aparecida Rodrigues Lemes, realizou relevantes trabalhos, dentre os quais estão a construção de algumas congregações e a edificação do novo templo, cumprindo suas responsabilidades de maneira muito correta e eficiente.

Entendendo que seu tempo estava findando na presidência desta igreja e que o Senhor lhe chamava para outro lugar, pastor Lázaro entregou a presidência, em 04 de setembro de 2.005, sendo substituído pelo pastor Valério Oliveira da Silva que, com sua esposa Vera Lúcia Teixeira da Silva, preside de 04 de setembro a 11 de março de 2.007, deixando marcas de dedicação e compromisso na causa do Senhor.

Concluindo o seu tempo na presidência, pastor Valério se despede, transferindo a honra ao nosso querido e atual pastor Rogélio Luiz Rodrigues de Souza e sua mui digna esposa, a pastora Maria Surleide Alves de Souza.

Pastor Rogélio, apesar de ser um obreiro relativamente jovem, responde positivamente às necessidades da igreja feijoense. Seu ministério é confirmado pelo Senhor por meio do crescimento vertiginoso da obra e da experimentação do sobrenatural de Deus nos diferentes trabalhos a que se propõe realizar. Trabalhos esses sempre marcados por muito dinamismo e espiritualidade e pela presença ativa e marcante da pastora Surleide, uma obreira na acepção lata da palavra e entusiasta do ministério do esposo.

 Já são mais de 12 anos à frente desta igreja. Período em que vários departamentos foram criados; muitos templos construídos, tanto na cidade quanto no interior, e vários métodos de trabalho implantados, todos eles resultando no crescimento expansivo da igreja!

Hoje, a Assembleia de Deus em Feijó dispõe de um templo sede espaçoso, moderno e com amplo estacionamento. Possui também um quadro de 15 pastores, 18 evangelistas, dezenas de presbíteros, missionárias, diáconos, diaconisas e auxiliares que servem nesta obra.

Pastor Rogélio, pela abundante graça de Deus, empreendeu muitas conquistas espirituais nesses anos todos, mas a maior delas, certamente, é poder testemunhar o crescimento da igreja em mais 100%! Feijó tem, hoje, um verdadeiro exército de mais de 5 mil assembleianos, comandados por um líder inflamado pelo amor de Deus, tomado de paixão por almas.

 Temos milhões de motivos para celebrar ao Senhor, para render graças ao seu poderoso nome, pois que tão cuidadosamente nos deu líderes cheios de unção e ousadia. Homens que não tiveram as suas vidas por preciosas, mas cumpriram a carreira que aqui lhes estava proposta, dando testemunha da graça salvadora e cuidando amorosamente daqueles que lhes foram confiados pelo Senhor dos exércitos!

Aqueles grandes homens da história secular, que, na década de 30, arregimentavam multidões em nome de ideologias extremistas, mesmo sendo oradores brilhantes, líderes natos, não lograram êxito em suas empreitadas: suas estratégias falharam, seus numerosos exércitos tombaram, os reinos que pretendiam estabelecer ficaram apenas em seus loucos sonhos. Eles atraíram para si o peso eterno de tanto sangue derramado e pereceram sem deixar saudades!

Mas, entre nós, longe dos holofotes e dos registros da história oficial, há uma galeria de heróis de verdade! Há uma galeria de nomes que fulguram nos anais celestiais. Nomes de homens que, por meio da fé, venceram o reino das trevas, praticaram a justiça, puseram em fuga legiões de espíritos aprisionadores de almas, triunfaram sobre enfermidades, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra contra o pecado e puseram de pé um exército mui excelente! E esse exército é o que aqui se vê hoje: essa igreja poderosa, viva, combatente e vitoriosa. Uma igreja que milita contra principados e potestades, contra as hostes espirituais da maldade e que avança destemida no território do inimigo!

Aquela igrejinha tão pequena, que começou com uma família, é hoje uma grande potência espiritual porque foi alimentada não com discursos de ódio nem com filosofias humanas. Diante dela estiveram os comissionados do Senhor dos exércitos, cuja ideologia é a palavra do próprio Cristo que diz: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura!

Oitenta e seis anos se passaram desde o longínquo 1933. Nesse tempo, líderes mundiais fracassaram, planos de governos falharam, economias fortes faliram, mas nós estamos de pé, conservando a tocha acesa, pois somos fruto daquela semente que, há 86 anos, foi plantada no calor do fogo pentecostal!

E que venham outros oitenta e seis anos, para mostrarmos ao mundo inteiro que a Igreja de Cristo nunca sucumbirá, pois, o próprio Jesus é o seu sustentáculo! E as portas do inferno não prevalecerão contra ela!

Deus abençoe Feijó.

Continuar lendo

GOSPEL

Gabriela Câmara e vereador Arnaldo Barros realizam projeto de evangelismo

Publicado

em

Por

Folha do Acre

A missionária Gabriela Câmara e o vereador Arnaldo Barros estiveram na última sexta-feira (12) em mais uma ação no presídio Francisco de Oliveira Conde onde realizaram doações de Bíblias de estudos para os presos. Foi a primeira vez que a missionária Gabriela Câmara realizou este tipo de missão após ter sido consagrada como missionária na Assembleia de Deus Madureira.

Gabriela Câmara e Arnaldo Barros formaram uma parceria em busca de evangelizar o maior número de pessoas possíveis e ajudar na reabilitação de dependentes químicos.

“Temos uma aliança em prol de ganhar almas para Jesus e reduzir a criminalidade”, diz.

Arnaldo Barros é fundador do projeto “Paz para o Acre” que busca ressocializar pessoas que estejam dispostas a abandonar facções criminosas.

Gabriela Câmara além de missionária da Assembleia de Deus também é diretora da Boas Novas onde desenvolve um projeto de evangelismo em tempo integral.

Continuar lendo

Trending

www.acrenews.com.br é uma publicação da Acrenews Comunicação

CNPJ: 40.304.331/0001-30

Endereço: Área rural, 204, Setor Barro Vermelho - CEP 69.923-899

Os artigos assinados não expressam a opinião deste site.

contato@acrenews.com.br

Copyright © 2021 Acre News. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por STECON Engenharia e Tecnologia