ESPORTE
Guitarra nas mãos e bola nos pés

Há cerca de dez dias atrás recebi uma mensagem do maestro Zacarias Fernandes, torcedor desde sempre do glorioso Atlético Clube Juventus (que um dia, se Deus quiser, haverá de voltar aos gramados acreanos), lembrando que no dia 27 de março seria o aniversário de 77 anos do Elísio Mansour.
E então, como uma coisa puxa a outra, dada a importância do referido personagem, eu entendi que deveria escrever alguma coisa para não deixar passar em branco a data. Para não deixar também que a lembrança ficasse somente nos registros das redes sociais, que se diluem na sequência dos dias.
Referência na música e no futebol acreano, o Elísio Manoel Pinheiro Mansour nasceu em Brasiléia-AC, cidade na fronteira com a Bolívia, onde um dia eu também vim à luz. Isso (o nascimento dele) no dia 27 de março de 1949, um ano antes de o Brasil perder a Copa para o Uruguai, no Maracanã.
Mas o que interessa, Brasil na Copa de 1950 à parte, é que o Elísio nasceu numa família de gente louca por futebol. O pai dele, Elias, dirigiu o Rio Branco; o irmão Elias ajudou a fundar o Juventus; o irmão Eliézio foi jogador do Juventus; e o irmão Eugênio jogou e dirigiu o Independência.
Inicialmente, em 1965, antes da fundação do Juventus, o Elísio atuou no juvenil do Independência e, apesar de muito jovem, no time principal do Rio Branco. No Estrelão, o Elísio, jogando de ponteiro esquerdo, compunha um ataque onde formavam ainda Ruy Macaco, Klerman e Ernâni Petroleiro.
No primeiro semestre de 1966, quando o irmão Elias participou do grupo de idealistas (padre Antônio Anelli, Walter Félix de Souza, Dona Dinah Gadelha, Clóter Olímpio Boaventura, entre outros) que fundou o Juventus, o Elísio se mudou para o Clube da Águia e nunca mais saiu de lá.
Impetuoso, driblador, veloz, o Elísio não tinha medo de cara feia e, com a bola nos pés, partia sempre pra cima dos laterais adversários. Pará-lo mesmo só se fosse na base do sarrafo. E foi justamente isso o que aconteceu: numa tarde qualquer de 1971, um lateral maldoso quebrou o joelho dele.
A vida do Elísio, porém não o fez um sucesso apenas dentro de campo. Depois da bola ele dirigiu o próprio clube da sua paixão. E paralelamente, enquanto entortava os zagueiros, ele embalou a juventude acreana com os acordes da sua guitarra, integrante que era do lendário conjunto Os Bárbaros.
Sim, antes que acabe esse meu latifúndio virtual de cada semana, lembrei de um outro fato de destaque na vida desse talentoso acreano: ele jogou num time de futebol de salão que quase nunca perdeu uma partida. Formação desse time: Simão; Mustafa, Dadão, Carlos César e Elísio!








