EVANDRO CORDEIRO
Jorge Viana “desaparece” do Acre e cenário para o Senado reflete alta rejeição e baixa competitividade

Pesquisas mostram que, apesar de apoio formal do PT, Viana está atrás dos principais nomes e sua retirada da vitrine política acreana se dá em meio a números desfavoráveis que minam chances reais de vitória
Jorge Viana (PT) foi anunciado como um dos candidatos ao Senado que o Partido dos Trabalhadores pretende apoiar nas eleições de outubro, integrando lista com 27 nomes em palanques estaduais. O anúncio reforça a intenção da legenda de ampliar sua presença no Congresso a pedido do presidente Lula e sob coordenação do presidente nacional do PT, Edinho Silva. Apesar disso, seu protagonismo no Acre tem sido discreto e os números mais recentes indicam dificuldades claras na corrida ao Senado.
Pesquisas eleitorais mostram que Viana está bem atrás dos principais concorrentes na disputa pelo Senado federal no Acre. Em levantamento recente, o governador Gladson Cameli (PP) lidera com cerca de 28,7% das intenções de voto, enquanto o senador Márcio Bittar (PL) aparece com cerca de 15,9% e Jorge Viana figura em 12,6%, ainda abaixo de nomes como Jéssica Sales e Mara Rocha.
O cenário indica não só uma posição distante do topo da preferência, mas também uma forte rejeição entre os eleitores. Em pesquisas anteriores, Viana apresentou índices de rejeição elevados — por exemplo, um levantamento mostrou que 46% dos entrevistados afirmaram que não votariam de jeito nenhum nele, comparado a 31% para Bittar e 25% para Cameli.
Essa combinação de baixo desempenho e alta rejeição pode ser analisada em termos de probabilidades eleitorais: com Viana concentrando cerca de 1 em cada 8 votos válidos, sua chance de alcançar uma das duas vagas ao Senado sem um crescimento significativo até a eleição é estatisticamente reduzida em comparação aos candidatos com maiores percentuais. Em modelos simplificados de projeção eleitoral, quando o candidato líder supera consistentemente a marca de 25–30%, suas chances de vitória são consideradas majoritárias, enquanto candidatos com menos de 15% têm probabilidades baixas de ultrapassar concorrentes mais fortes sem ondas de apoio ou eventos que mudem o cenário.O “desaparecimento” de Viana do centro do debate político no Acre também pode ser refletido em sua menor exposição midiática e na falta de campanhas ativas nas bases eleitorais, ao contrário de outros nomes que têm percorrido o estado. Parte disso pode estar associada à estratégia do PT de concentrar esforços em coalizões mais amplas, buscando apoiar candidatos com maior potencial de vitória, ou à própria hesitação em intensificar sua campanha diante de índices que mostram dificuldade de competitividade.
Além disso, o histórico recente de debates políticos no Acre sugere que o eleitorado tem favorecido nomes mais ligados à atual administração estadual ou a candidatos com menor rejeição — como indica o fato de Cameli manter liderança sólida em intenções de voto. A combinação de rejeição mais alta, desempenho modesto nas pesquisas e menor presença pública explica o motivo pelo qual Jorge Viana tem tido menor visibilidade na disputa e pauta estadual em relação a outros concorrentes mais competitivos.
Enquanto isso, o PT formalmente mantém o apoio à candidatura de Viana ao Senado, mas os números atuais indicam que o quadro exigirá mudanças estratégicas significativas para que ele se credencie efetivamente como um candidato viável em outubro.













