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Lideranças indígenas defendem estrada entre Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus: “É um sonho nosso”

_Por Wesley Tavares_
Lideranças indígenas de aldeias localizadas às margens do rio Purus manifestaram apoio à abertura da via terrestre que ligará Manoel Urbano a Santa Rosa do Purus durante audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira (26), na Câmara de Vereadores de Manoel Urbano. O encontro ocorreu por meio do Requerimento nº 13/2026, de autoria do deputado estadual Tanízio Sá, e teve como foco a discussão do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do ramal do Juazeiro, cuja análise foi suspensa pelo Ministério Público Federal até que os povos indígenas fossem formalmente ouvidos.
Participaram da audiência a superintendente do IBAMA no Acre, Melissa Machado, representantes do ICMBio, do Deracre, da Secretaria dos Povos Indígenas do Acre (Sepi), além de autoridades de Santa Rosa do Purus, entre elas o prefeito Tamir Sá, o vice-prefeito Valdir Caxinawá, vereadores e diversas lideranças indígenas das aldeias situadas ao longo do rio Purus.
Durante sua exposição, Melissa Medeiros detalhou as etapas necessárias para a obtenção do licenciamento ambiental, destacando que o IBAMA atua como órgão licenciador e tem a obrigação de analisar tecnicamente empreendimentos dessa natureza. Segundo ela, o instituto não se posiciona contra a abertura da ligação terrestre, mas exige que o Estudo de Impacto Ambiental seja realizado conforme as normas vigentes.
Nas manifestações, representantes das aldeias ressaltaram que a ligação atende demandas antigas, principalmente relacionadas ao acesso à saúde, à mobilidade e à redução do custo de vida. O líder indígena Raimundo Sampaio, da aldeia Novo Recreio, afirmou que a obra representa uma necessidade real para a região. “Somos favoráveis porque facilita o atendimento em saúde, ajuda na economia e melhora o dia a dia das famílias, inclusive nas aldeias”, declarou.
O prefeito de Santa Rosa do Purus, Tamir Sá, destacou as dificuldades enfrentadas pelo município em razão do isolamento geográfico, fator que encarece combustíveis, alimentos e serviços básicos. “Esse ramal ainda é um sonho, mas um sonho urgente. O início dos estudos é o primeiro passo para mudar essa realidade. Para se ter uma ideia, uma botija de gás chega a custar R$ 180”, afirmou.
Tamir também ressaltou a atuação do deputado estadual Tanízio Sá na condução da pauta junto aos órgãos competentes. “Santa Rosa nunca teve uma representação que levasse esse tema adiante. O deputado Tanízio assumiu essa responsabilidade e tem buscado diálogo com instâncias estaduais e federais para que o projeto avance”, completou.
Já o prefeito de Manoel Urbano, Toscano Veloso, avaliou a audiência como um passo relevante para o avanço da proposta, destacando a presença de órgãos ambientais e representantes do Governo do Estado. Segundo ele, o debate sobre o EIA abre uma possibilidade concreta de melhorar a qualidade de vida da população, sobretudo diante das dificuldades enfrentadas por Santa Rosa do Purus.
Como exemplo, citou a diferença nos preços de itens básicos, como o gás de cozinha, que no município vizinho chega a R$ 180, enquanto em Manoel Urbano custa cerca de R$ 130. Para o gestor, a futura ligação terrestre tende a fortalecer a economia local e facilitar o deslocamento da população, incluindo as comunidades indígenas. “Essa obra vai beneficiar Manoel Urbano e Santa Rosa do Purus, facilitando a vida das pessoas”, afirmou.
O líder indígena Sicô, da aldeia Santa Júlia, declarou que as comunidades Kulina e Madijá veem a obra como essencial para melhorar as condições de vida na região. “Nosso povo sofre com o isolamento. Essa ligação é importante para garantir acesso à saúde, transporte e melhores condições de vida. Por isso, somos favoráveis ao diálogo e a esse projeto, que é um sonho antigo”, disse.
O deputado estadual Tanízio Sá explicou que o avanço do projeto depende diretamente da execução do Estudo de Impacto Ambiental, cujo custo estimado é de R$ 2,6 milhões. Para evitar que a falta de recursos interrompesse o processo, foi destinada uma emenda parlamentar de R$ 500 mil ao Deracre, permitindo a contratação de empresa especializada. “O estudo ambiental é caro e exige responsabilidade técnica. Destinamos esse recurso para que o Deracre pudesse iniciar a contratação da empresa responsável. Esse é um passo decisivo para que a obra deixe o papel”, afirmou.
Segundo o parlamentar, a discussão ultrapassa os limites de Santa Rosa do Purus. “Estamos tratando essa ligação como uma pauta de Estado. Santa Rosa é um dos municípios mais isolados do Acre, mas não é o único. A ideia é que esse projeto sirva de referência para outras regiões, demonstrando que é possível avançar com planejamento, diálogo com os povos indígenas, respeito às normas ambientais e articulação institucional”, concluiu.
- Sico – Líder da Aldeia Santa Júlia
- Toscano Veloso – Prefeito de Manoel Urbano
- Melissa Machado – Superintendente do IBAMA
- Tamir Sá – Prefeito Santa Rosa do Purus
- Raimundo Sampaio – Líder da Aldeia Novo Recreio

















