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No Acre, 17% das pessoas ainda usam lenha e carvão para cozinhar; no Brasil todo são 14,5%

O Acre está entre os estados brasileiros onde o uso de lenha e carvão na preparação de alimentos permanece elevado: 17% da população ainda depende desses combustíveis, acima da média nacional de 14,5%. Segundo a plataforma Brasil em Mapas, o dado revela que, apesar do avanço da transição energética doméstica no país, persistem desigualdades regionais e sociais no acesso a fontes modernas de energia.
O Brasil reduziu fortemente o uso de biomassa nos lares nas últimas décadas. Em 1985, 55,5% da população cozinhava exclusivamente com lenha ou carvão; em 1990, eram 48%. Em 2025, a proporção caiu para 14,5% — cerca de 30,9 milhões de pessoas — queda de 33,5 pontos percentuais impulsionada pela expansão do gás de cozinha. Ainda assim, aproximadamente 11 milhões de domicílios continuam dependentes apenas de lenha e carvão.
A vulnerabilidade econômica explica parte do quadro: entre famílias de baixa renda, 25% utilizam biomassa sólida. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética mostra que 90% da lenha consumida em áreas rurais é coletada sem custo, indicando relação direta entre pobreza energética e uso desse combustível.
A exposição à fumaça doméstica de lenha pode gerar níveis de poluição 20 a 40 vezes superiores aos limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde, afetando principalmente mulheres e crianças.
Regionalmente, o Norte (17%) e o Sul (16%) seguem acima da média nacional, enquanto Sudeste (5,8%) e Centro-Oeste (8,9%) apresentam índices menores após forte urbanização e maior acesso ao gás. No Norte, fatores de renda, acesso e tradição ajudam a explicar a persistência do uso de lenha — contexto no qual o Acre se insere.
Embora o Brasil de 2025 cozinhe majoritariamente com gás, a presença ainda relevante de lenha e carvão em estados como o Acre indica bolsões de pobreza energética. Políticas de subsídio ao gás e ampliação do acesso à energia limpa são apontadas como essenciais para reduzir essa dependência e melhorar saúde e qualidade de vida.













