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RAIMUNDO FERREIRA

O recado das fábulas é tema da coluna do professor e arquivista Raimundo Ferreira de Souza nesta sexta-feira, 13

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O RECADO DAS FÁBULAS

Desde os primórdios da civilização, embora seus conteúdos sejam, na maioria das vezes, direcionados ao público infantil, as fábulas sempre concluíram suas narrativas apresentando alguma lição de vida, geralmente chamada de “moral da história”, de forma criativa e envolvente.
Os adultos sempre compreenderam que esses enredos são, em essência, fantasiosos. No entanto, em textos teóricos, essas argumentações metafóricas são amplamente utilizadas para ilustrar temáticas relevantes, especialmente em contextos com apelo motivacional.
Atualmente, apesar de esses enredos ainda apresentarem narrativas interessantes e inteligentes, quem ousa apresentar conteúdos com referências à lição de vida e à moral da história acaba, muitas vezes, sendo rotulado como “lacrador”. De certa maneira, as pessoas acreditam estar autônomas e seguras de suas decisões. No entanto, podemos estar enganados, pois tais comportamentos rebeldes parecem estar mais ligados aos modismos do momento e à necessidade de marcar posição em uma geração sem horizonte definido do que a uma consciência realmente sólida.
Não está muito clara essa suposta segurança que aparentam demonstrar. Na verdade, não percebemos metas de vida bem definidas. O que se observa é a ausência de um roteiro traçado: os personagens não sabem para onde desejam seguir, nem quais objetivos pretendem alcançar.
Como sabemos, a maioria das discussões atuais gira em torno da busca por melhorias na qualidade de vida e pelo bem-estar social. No entanto, ao observarmos mais atentamente a essência desses debates, percebemos que as ideias defendidas concentram-se mais no “ter” do que no “ser”.
Ou seja, muitas pessoas acreditam que, ao possuírem mais bens, estarem alinhadas com a moda, conquistarem mais curtidas, adquirirem produtos de último lançamento e participarem dos círculos da alta sociedade, automaticamente alcançarão uma boa qualidade de vida e o tão desejado bem-estar.
A nosso ver, esses requisitos são úteis, benéficos e, de fato, podem proporcionar grandes emoções e prazeres momentâneos. Como diz o filósofo e artista “brega da caatinga”, Falcão: “dinheiro não é tudo, mas é 100%”.
Entretanto, a qualidade de vida e o bem-estar duradouro exigem não apenas boas condições econômicas e engajamento social, mas também a definição de objetivos enquanto seres humanos. Do contrário, poderemos possuir todos os meios — até em excesso —, porém chegará um momento em que será preciso parar e, sem direção, acabaremos caindo no esquecimento, justamente por não termos planejado nem visualizado nossos fins.
Existe uma fábula que ilustra bem essa reflexão. Ela conta a história de um homem que possuía um barco simples, porém em perfeito funcionamento. Certo dia, perguntaram-lhe qual era seu maior sonho, e ele respondeu que desejava comprar um barco maior e melhor, pois isso representaria a realização de seu maior objetivo.
Em seguida, fizeram-lhe outra pergunta:
— Você saberia dizer para onde viajaria com esse barco maior e melhor?
O homem respondeu:
— Não.
Moral da história: se você não sabe qual é o porto seguro para onde deseja navegar e realizar seus sonhos, para que precisa de um barco maior e melhor?

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