POLÍCIA
Polícia civil e GAECO deflagram operação “CASA MAIOR” no Acre
Ação ocorre simultaneamente em Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Tarauacá, focando em lideranças do Comando Vermelho.

Nas primeiras horas desta terça-feira (13), a Polícia Civil do Estado do Acre, em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público, deflagrou a Operação Casa Maior. A ofensiva visa desarticular a estrutura hierárquica de uma organização criminosa que atua no estado, com foco principal em lideranças e articuladores.
Ofensiva em Três Municípios
A operação é considerada uma das maiores do ano no combate ao crime organizado. As equipes policiais estão nas ruas de forma simultânea nos três maiores polos do estado:
-
Rio Branco (Capital)
-
Cruzeiro do Sul (Vale do Juruá)
-
Tarauacá (Vale do Envira)
Ao todo, o Poder Judiciário expediu cerca de 100 ordens judiciais, que incluem mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão domiciliar.
Alvos de Alta Hierarquia
O nome da operação, “Casa Maior”, não foi escolhido ao acaso. Segundo fontes ligadas à investigação, o objetivo é atingir a “cúpula” da facção — indivíduos que ocupam cargos de decisão e coordenação dentro da organização criminosa (Comando Vermelho).
As investigações, que duraram meses, apontam que os alvos são responsáveis por gerenciar o tráfico de drogas, ordenar ataques e coordenar a logística financeira do grupo de dentro e de fora do sistema prisional.
Logística e Efetivo
A operação conta com um forte aparato de segurança, envolvendo dezenas de agentes da Polícia Civil, delegados e promotores de justiça do GAECO. O apoio de unidades especializadas, como o CORE (Coordenadoria de Recursos Especiais), foi fundamental para o cumprimento dos mandados em áreas de difícil acesso e alta periculosidade.
Próximos Passos
Até o fechamento desta matéria, diversos suspeitos já haviam sido conduzidos às delegacias. Materiais como aparelhos celulares, documentos, dinheiro em espécie e possivelmente armas e entorpecentes estão sendo contabilizados.
A cúpula da Segurança Pública e os coordenadores do GAECO devem realizar uma coletiva de imprensa ainda nesta manhã para apresentar o balanço oficial de presos e materiais apreendidos.
Esta notícia será atualizada conforme novas informações forem divulgadas.
No Acre, a operação foi coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) e executada pela Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), em conjunto com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), e contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.
Ao todo, foram expedidos 62 mandados de prisão preventiva e 39 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias utilizadas pelo grupo criminoso. Até o momento, 15 pessoas foram presas, mais de R$ 27 mil em dinheiro foram apreendidos, além de uma arma de fogo, munições e veículos.
As medidas judiciais foram cumpridas nos municípios de Rio Branco, Tarauacá e Cruzeiro do Sul, além dos estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Paraíba e Mato Grosso. Segundo as autoridades, devido à ampla ramificação da organização criminosa, a operação precisou ser estendida para outros seis estados da federação, onde alvos estratégicos foram localizados e presos.
Em coletiva de imprensa, o Delegado-Geral da Polícia Civil do Acre, José Henrique Maciel, frisou que a operação representa apenas mais uma etapa de um trabalho investigativo contínuo de anos de investigação.
“As investigações não param por aqui. Estamos falando de um grupo criminoso altamente estruturado, que atuava na cobrança de pedágio de comerciantes, deliberava comandos para execuções e exercia papel decisivo dentro da organização criminosa. Não descartamos novas prisões e apreensões, pois esse trabalho não se encerra com a operação de hoje. As investigações continuam”, destacou o delegado-geral.
Arma de fogo e munições foram apreendidos durante a ação policial: Foto: Dhárcules Pinheiro
O coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Bernardo Albano, ressaltou a complexidade da investigação e o alcance interestadual do esquema criminoso. “Foi identificada uma ligação direta entre criminosos do Acre com presos do sistema prisional do Rio de Janeiro e também com foragidos daquele estado. A investigação revelou ainda a participação de advogados já condenados por integrar organização criminosa, além do envolvimento de esposas de lideranças, que passaram a expedir ordens após a prisão de seus maridos”, afirmou o promotor.
As apurações também identificaram e resultaram no bloqueio de um grande fluxo financeiro utilizado para financiar as atividades criminosas e manter o padrão de vida das lideranças da facção. Além disso, os investigadores conseguiram mapear o processo decisório interno, as disputas de poder e a hierarquia dentro da organização.
Além do tráfico de drogas, a Operação Casa Maior desarticulou esquemas de extorsão contra comerciantes do centro de Rio Branco, que eram obrigados a pagar supostas “taxas de segurança” impostas por criminosos. A ação representa um duro golpe contra o crime organizado e reforça a atuação integrada das forças de segurança e do Ministério Público no combate às facções criminosas no Acre e no país.
























