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Preocupada com súbita elevação do Rio Acre, Defesa Civil engatilha todas as frentes de monitoramento

O monitoramento hidrológico divulgado na manhã desta segunda-feira, 30, pela Defesa Civil estadual e pela Agência Nacional de Águas (ANA), aponta elevação no nível de diversos rios do Acre, com registros de transbordamento em municípios do interior e situação de alerta na capital.

De acordo com o boletim, o Rio Juruá ultrapassou a cota de transbordamento em Cruzeiro do Sul, atingindo 13,28 m — acima dos 13m considerados limite. Situação semelhante ocorre em Plácido de Castro, onde o Rio Abunã chegou a 13,01m, também acima da cota de transbordamento, que é de 12,50m.
Na capital, Rio Branco, o Rio Acre alcançou 13,60m, ultrapassando a cota de alerta (13,50m), o que mantém as autoridades em atenção para possíveis impactos em áreas ribeirinhas.

Outros municípios também estão em situação de alerta, como Porto Walter, Tarauacá e a comunidade São Salvador, em Mâncio Lima, às margens do Rio Moa.
Elevação e redução dos níveis
Entre as maiores elevações registradas nas últimas 24 horas estão:
- Porto Acre: +2,30m
- Riozinho do Rola: +1,45m
- Cruzeiro do Sul: +1,18m
- Rio Branco: +0,92cm
Por outro lado, alguns municípios apresentaram redução no nível das águas, como:
- Xapuri: -1,60m
- Brasileia/Epitaciolândia: -1,21m
- Capixaba: -0,74cm
- Assis Brasil: -0,44cm
Apesar das quedas pontuais, o cenário geral ainda inspira cuidados, especialmente nas regiões mais próximas aos rios.
Defesa Civil reforça prontidão e alerta para novas elevações
De acordo com o coordenador da Defesa Civil do Estado, coronel Carlos Batista, o governo já está preparado para responder rapidamente a possíveis impactos das cheias. “O Plano de Contingência para Inundações já está pronto e, caso haja necessidade, será imediatamente operacionalizado”, destacou.
Segundo o gestor, a situação é mais crítica na bacia do Rio Juruá, onde houve chuvas intensas nos últimos dias, principalmente nas cabeceiras. Carlos ressaltou ainda que o governo estadual já mantém toda a estrutura em prontidão para apoiar os municípios. “Até o momento, não há registro de famílias desabrigadas em todo o estado”, afirmou.
Batista acrescentou que o monitoramento é contínuo e envolve uma série de ações preventivas. “Estamos acompanhando permanentemente os níveis dos rios e as condições climáticas, em articulação com os municípios. Também intensificamos o monitoramento das áreas de risco, a emissão de alertas, o apoio técnico às defesas civis municipais e o planejamento logístico para eventual envio de ajuda humanitária”, observou.
Moradores relatam apreensão
Morador do Ramal Bom Jesus, na Vila Acre, Jonas Gomes da Silva relata preocupação com a nova elevação do nível das águas, principalmente para quem vive às margens do Rio Acre.

“Fico um pouco apreensivo, porque ali nas beiradas do rio, como Seis de Agosto e Taquari, alaga. Afeta muita gente”, afirma, lembrando que mesmo quem mora em áreas menos atingidas diretamente pelas enchentes sofre com os impactos indiretos, como lama e dificuldades de acesso. Jonas também destaca a situação do pai, que vive em área de risco e precisa deixar a casa sempre que o nível do rio sobe.

“Quando alaga, ele tem que sair, levar tudo para outro lugar. É aquela dificuldade. E quando a água baixa, a casa fica toda prejudicada, cheia de lama. Tem que arrumar tudo de novo”, relata.












