SAÚDE
Saúde mental no trabalho: governo avalia novo adiamento de punições para empresas
Em 2025, quando a norma já deveria estar em vigor, mais de meio milhão de afastamentos por transtornos mentais foram registrados.

O governo federal avalia adiar pela terceira vez a entrada em vigor de trechos da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que estabelecem punições e critérios rigorosos para empresas cujos ambientes de trabalho causem danos à saúde mental dos funcionários.
A regra, que deveria ter começado a valer plenamente em 2024, foca na identificação de riscos psicossociais, como estresse excessivo, assédio e burnout, integrando-os ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de cada estabelecimento.
Pressão do Setor Empresarial
Representantes de confederações patronais argumentam que os critérios para definir o que é um “dano mental causado exclusivamente pelo trabalho” ainda são subjetivos e podem gerar uma enxurrada de multas e processos judiciais indevidos. O setor pede mais tempo para adaptar os departamentos de Recursos Humanos e Medicina do Trabalho às novas exigências de diagnóstico e prevenção.
Posição dos Especialistas e Sindicatos
Por outro lado, especialistas em saúde do trabalho e centrais sindicais criticam o possível novo adiamento. Eles apontam que os transtornos mentais já são a terceira maior causa de afastamentos pelo INSS no Brasil e que a falta de uma fiscalização punitiva desestimula as empresas a investirem em ambientes de trabalho mais saudáveis.
O que diz a Norma (NR-1)
A atualização da NR-1 exige que as empresas:
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Identifiquem perigos que possam comprometer a saúde mental;
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Avaliem os riscos e classifiquem o nível de urgência de intervenção;
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Implementem medidas de controle e acompanhamento médico contínuo.
Próximos Passos
A decisão final sobre o adiamento deve sair após uma reunião da Comissão Tripartite Paritária Permanente (CTPP), que reúne representantes do governo, trabalhadores e empregadores. Caso o adiamento se confirme, a nova previsão para o início das autuações ficaria para o final de 2026 ou início de 2027.
O Ministério do Trabalho informou, em nota, que “está em constante diálogo com as bancadas para garantir que a norma seja aplicada de forma segura para os trabalhadores e viável para o setor produtivo”.
Por G1












