GERAL
Artigo do Francimar Cavalcante sobre o fim da janela partidária: “A hora é agora”

Por Francimar Cavalcante
Com o encerramento da janela partidária neste dia 5 de abril, as pedras que pavimentam a estrada para o pleito deste ano começam a ser fixadas. É natural que surjam divergências, afinal são delas brotem a pluralidade de candidaturas; contudo, observa-se que, os nomes que despontam como preferidos até o momento jogam no mesmo time no espectro ideológico. Diante dessa homogeneidade de pensamento, o debate não deve se perder em discussões abstratas, mas sim concentrar sua tônica em ideias propositivas, em especial no que se refere ao desenvolvimento regional do estado. O Acre está diante de uma oportunidade histórica que exige clareza de propósito e compromisso com um projeto estruturante que transcenda a disputa tradicional por espaços de poder, focando na transformação de nossa posição geográfica em um ativo geoeconômico de relevância global.
O mundo passa por uma profunda transformação econômica, com o eixo dinâmico do crescimento concentrado no Indo-Pacífico, redesenhando fluxos logísticos onde o Acre deixa de ser periferia para assumir posição estratégica. A conexão com o Peru via Rodovia Interoceânica e as multimodalidades previstas, o acesso aos portos do Pacífico, com destaque ao recém inaugurado porto de Chancay, representam mais do que infraestrutura; tratam-se de instrumentos para ampliar a competitividade brasileira e diversificar o acesso aos mercados asiáticos. Os números recentes confirmam a vocação do Acre: as exportações acreanas cresceram 15,6% em no primeiro trimestre de 2026, com Assis Brasil concentrando mais de 60% do fluxo de escoamento. A fronteira, portanto, deixou de ser um limite geográfico para se tornar uma plataforma de integração internacional, onde proteína animal, madeira beneficiada e grãos encontram demanda crescente.
Contudo, o desafio não se restringe ao aumento do volume comercial, mas sim na capacidade de agregar valor, industrializar e verticalizar a produção para gerar empregos qualificados no estado. O desenvolvimento real pressupõe o fortalecimento das cadeias produtivas locais e a retenção de riqueza no território, evitando que sejamos apenas um corredor de passagem. Simultaneamente, a utilização estratégica dos portos peruanos pode consolidar o Acre como eixo alternativo para a entrada de fertilizantes, máquinas agrícolas e insumos tecnológicos destinados Nao somente ao Norte e ao Centro-Oeste mas parabtodo o país. Em um cenário global marcado por instabilidades, diversificar rotas é uma medida de segurança econômica e de eficiência operacional que o estado está pronto para liderar.
Transformar essa vocação em prosperidade concreta exige decisão política, planejamento técnico e a continuidade administrativa de políticas de Estado. A modernização das estruturas aduaneiras, o fortalecimento da malha rodoviária e o pleno funcionamento da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) precisam integrar uma agenda pública permanente, com metas claras e execução consistente. O Acre já apresenta crescimento do PIB acima da média nacional nos últimos anos, o que demonstra uma capacidade latente de expansão. É necessário, entretanto, institucionalizar esse movimento como estratégia de longo prazo, consolidando um plano estadual de comércio exterior que garanta ao estado o protagonismo na nova configuração do comércio internacional.
Esta eleição deve ser o momento de uma escolha consciente sobre o futuro econômico, onde se definirá se o Acre seguirá rumo a assumir um papel central ou em posição secundária. Mais do que administrar o presente, os candidatos serão desafiados a apresentar soluções para transformar nossa localização estratégica e capacidade produtiva em resultados sociais tangíveis. O amadurecimento do cenário político aponta para uma convergência inevitável: o eixo central deste pleito será, obrigatoriamente, o tão sonhado desenvolvimento regional. Com as potencialidades do estado já devidamente provadas por indicadores de crescimento, não há mais espaço para o diletantismo ou para discussões que não toquem o cerne da nossa engrenagem produtiva e logística.
Neste cenário, o eleitorado tende a filtrar o ruído ideológico para focar na substância e na viabilidade das propostas apresentadas. Aqueles candidatos que demonstrarem maior acuidade técnica, visão estratégica de longo prazo e a habilidade real de converter o potencial geoeconômico em prosperidade para a população são os que, certamente, obterão destaque e ressonância nos debates. O Acre não busca apenas um gestor administrativo, mas um arquiteto de sua integração definitiva com o mercado global e de sua autonomia econômica. O momento exige competência de alto nível, e o debate político, enfim, encontrou o seu verdadeiro e mais urgente objeto: a construção de um futuro próspero e irreversível.











