ECONOMIA
Alta nos preços dos combustíveis faz a inflação disparar, diz boletim emitido pelo Banco Central
Previsão inflacionário é de elevação de 5,65% para 6.45 % para 2022 e um pouco mais para 2023, informa a publicação
Por Tião Maia, para AcreNews
Os constantes aumentos nos preços dos combustíveis no país vão determinar uma inflação maior que a prevista, dizem analistas de mercado em boletins econômicos publicados nesta segunda-feira (14). A projeção subiu de 5,65% para 6,45%. É a nona semana seguida de piora nas projeções para a inflação.
O mercado financeiro elevou consideravelmente a projeção sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação, em 2022. A nova estimativa está no Boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central (BC) após consultas a economistas para os principais indicadores econômicos do Brasil.
A divulgação dos novos números ocorre após a Petrobras anunciar reajustes nos preços dos combustíveis no país, em meio à disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, puxados pela guerra na Ucrânia. O preço médio da gasolina teve aumento de 18,8%; e para o diesel, a alta foi de 24,9%.
O disparo da moeda americana no câmbio, por exemplo, encarece o preço do combustível e pode ser considerado o principal vilão para o bolso do consumidor, uma vez que o Brasil importa petróleo e paga em dólar o valor do barril, que corresponde a mais de R$ 400 na conversão atual.
A meta de inflação perseguida pelo Banco Central este ano é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, podendo variar entre 5% e 2%. A nova estimativa dos agentes financeiros leva a inflação a se distanciar ainda mais da meta.
Caso se confirme a estimativa do mercado, a inflação deve ficar fora do intervalo pelo segundo ano seguido. Em 2021, o IPCA somou 10,06%, o maior desde 2015.
Para 2023, a estimativa para a inflação também aumentou, de 3,51% para 3,70%, mas ainda está dentro da meta. Para o próximo ano, a meta foi fixada em 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%.
Também foi elevada a previsão para a Selic em 2022, de 12,25% ao ano para 12,75%. Em 2023, espera-se que a Selic fique em 8,75%, mais do que a expectativa da semana passada (8,25%).
No início de fevereiro deste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu elevar a taxa básica de juros, a Selic, para 10,75%. O aumento levou a taxa ao maior patamar em quatro anos. O Copom se reúne nesta semana.
Os agentes do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central aumentaram as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022. A expectativa é que a economia brasileira cresça 0,49% este ano. Na semana passada, a estimativa era de crescimento de 0,42%.
As expectativas para o dólar melhoraram, com redução de R$ 5,40 para R$ 5,30 em 2022 e de R$ 5,30 para R$ 5,21 para o próximo ano.
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