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Acre entra no radar de centro nacional que estuda prevenção de desastres climáticos

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As enchentes que atingiram o Acre nos últimos anos foram apontadas como um dos exemplos mais relevantes dos impactos das mudanças climáticas no Brasil durante a 1ª Reunião Geral do Centro de Pesquisa em Resiliência a Crises e Desastres Climáticos (CLIMARES), realizada entre os dias 25 e 27 de maio na Universidade de São Paulo (USP).

O evento reuniu pesquisadores, especialistas e estudantes de diversas áreas para apresentar resultados de pesquisas voltadas à prevenção de desastres naturais e à construção de estratégias de adaptação às mudanças do clima. O Acre apareceu entre os estados citados nos debates sobre os desafios enfrentados pelo país diante do aumento da frequência de eventos extremos.

Durante palestra de abertura, o coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, destacou que o Brasil vem registrando recordes de temperatura, secas prolongadas, enchentes e deslizamentos cada vez mais intensos.

Ao abordar os principais desastres recentes, o pesquisador mencionou as severas inundações ocorridas no Acre, que provocaram impactos sociais e econômicos expressivos. Segundo ele, os eventos extremos demonstram a necessidade de ampliar políticas públicas de prevenção e planejamento urbano em áreas vulneráveis.

Marengo ressaltou que desastres não são resultado apenas da força da natureza, mas também das condições de exposição das populações. Para o especialista, reduzir riscos passa por ações permanentes de monitoramento, educação e adaptação climática.

O Acre surge como um dos estados estratégicos para esse debate. Localizado na Amazônia Ocidental, o território enfrenta com frequência cheias históricas dos rios, enxurradas e períodos de estiagem que afetam milhares de famílias, exigindo respostas cada vez mais rápidas dos órgãos públicos.

As pesquisas apresentadas no CLIMARES incluem estudos sobre enchentes, secas, deslizamentos, vulnerabilidade social, educação para prevenção de riscos e fortalecimento da Defesa Civil. Uma das frentes busca aprimorar sistemas de alerta capazes de antecipar ocorrências e reduzir danos à população.

Outro foco dos pesquisadores é compreender como fenômenos climáticos globais, como El Niño e La Niña, podem influenciar eventos extremos em diferentes regiões brasileiras. Nesse contexto, a Amazônia, incluindo o Acre, ocupa posição de destaque por sua sensibilidade às alterações climáticas.

Os estudos também apontam para a necessidade de integrar ciência, gestão pública e participação comunitária. A proposta é criar ferramentas que auxiliem estados e municípios a planejar ações preventivas, diminuindo perdas humanas e econômicas.

A diretora do Cemaden, Regina Alvalá, destacou durante o encontro a importância da educação na construção de uma cultura de prevenção. Segundo ela, o envolvimento de escolas e comunidades é fundamental para fortalecer a resiliência diante dos desastres climáticos.

Para os pesquisadores do CLIMARES, experiências vividas pelo Acre podem contribuir para a formulação de estratégias nacionais de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas. A expectativa é que os estudos desenvolvidos pelo centro forneçam subsídios para políticas públicas capazes de aumentar a proteção das populações mais vulneráveis em todo o país.

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