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Acre tem 99% da piscicultura baseada em peixes nativos e mantém perfil raro no país

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Estado produziu 2,8 mil toneladas de espécies nativas em 2025; especialização contrasta com mercado nacional dominado pela tilápia

O Acre aparece entre os estados brasileiros com uma das estruturas mais concentradas na criação de peixes nativos. Das 2.830 toneladas de pescado cultivado no estado em 2025, 2.800 toneladas foram de espécies nativas e apenas 30 toneladas de tilápia. Na prática, aproximadamente 99% da produção acreana está vinculada aos peixes da própria biodiversidade regional.

Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026, produzido pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), e revelam uma característica que diferencia radicalmente o Acre do padrão predominante no país.

Das 1,011 milhão de toneladas de peixes cultivados pelo Brasil em 2025, 707.495 toneladas foram de tilápia, equivalentes a 69,94% do total. Os peixes nativos responderam por 257.070 toneladas, ou 25,41%.

Isso significa que, enquanto aproximadamente um quarto da piscicultura brasileira está concentrado em espécies nativas, no Acre essa participação chega a praticamente 100%.

A característica aproxima o estado de um perfil essencialmente amazônico. Rondônia, maior produtor brasileiro de peixes nativos, alcançou 55.200 toneladas em 2025. O Pará produziu 25 mil toneladas de nativos, Roraima chegou a 23 mil e o Amazonas, a 12.390 toneladas.

A especialização acreana ganha relevância porque os peixes nativos representam um mercado muito menor que o da tilápia no Brasil. Segundo a Peixe BR, foram produzidas 257.070 toneladas dessas espécies no país em 2025. Rondônia respondeu por 55.200 toneladas, Maranhão por 42.700, Mato Grosso por 40 mil, Pará por 25 mil e Roraima por 23 mil.

Há também uma base física considerável para a atividade no Acre. Dados da plataforma Bussola.farm apresentados pelo Anuário mostram que somente os cinco municípios com maior área de viveiros escavados reúnem 4.234 hectares.

Rio Branco lidera com 2.004 hectares, seguido por Bujari, com 1.025; Senador Guiomard, com 521; Xapuri, 352; e Cruzeiro do Sul, 332 hectares.

Somente Rio Branco e Bujari somam 3.029 hectares, correspondentes a 71,5% da área reunida pelos cinco principais polos acreanos apresentados no levantamento.

O quadro positivo da especialização, porém, não elimina a perda de produção ocorrida em 2025. O Acre passou de 3.270 toneladas em 2024 para 2.830 toneladas no ano passado, redução de 440 toneladas.

Os números, entretanto, revelam outra dimensão da atividade. Em vez de disputar espaço principalmente no gigantesco mercado brasileiro da tilápia, o Acre possui uma cadeia produtiva praticamente especializada em espécies nativas.

É justamente nesse segmento que estados amazônicos demonstram capacidade de produção em maior escala. Rondônia, por exemplo, ocupa a liderança brasileira na criação de peixes nativos, indicando que existe mercado e espaço para crescimento da atividade dentro da própria região.

Para o Acre, portanto, os dados mostram dois cenários simultâneos: uma produção ainda pequena e que recuou em 2025, mas também uma base de mais de 4,2 mil hectares de viveiros somente entre os cinco maiores polos e uma especialização de aproximadamente 99% em peixes nativos, característica que diferencia a piscicultura acreana do modelo predominante no restante do Brasil.

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