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RAIMUNDO FERREIRA

Colunista professor Raimundo Ferreira explica sobre os hábitos bons e maus nesta sexta, 14

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OS HÁBITOS BONS E MAUS

Falar sobre o comportamento tanto poderá surpreender quem se dispõe a relatá-lo quanto revelar descobertas que fazemos sobre as ações que realizamos cotidianamente de forma automática.
Conforme afirma a filósofa Lúcia Helena Galvão, os hábitos são “construtores e condutores silenciosos do nosso destino”. Podemos passar a vida inteira realizando repetidamente determinadas ações que nem percebemos, mas que são condutoras de nossas vidas. Quando somos obrigados a deixar de realizá-las, imediatamente percebemos que somos dependentes delas e que, para nos livrarmos, torna-se algo difícil e, em alguns casos, até impossível.

Ou seja, significa afirmar que grande parte da nossa personalidade é alicerçada, mesmo sem termos consciência disso, pela repetição dos hábitos.

Dito isso, vale evidenciar que existem bons e maus hábitos. Cabe a nós saber conservar os bons e nos livrar dos maus, que geralmente se transformam em vícios. Apenas para citar alguns dos mais comuns, podemos mencionar: passear em shopping, cultivar paixões por ideologia política ou por alguma modalidade esportiva, almoçar na hora certa, assistir pontualmente a determinada programação nos meios de comunicação, dedicação excessiva ao trabalho, ter mania de limpeza e organização, além de vícios como jogos de azar, preocupar-se excessivamente com a vida alheia, entre outros.

Acreditamos que algumas pessoas conseguem vencer algumas dessas dificuldades relacionadas aos maus hábitos, tomando as rédeas de suas vidas e promovendo mudanças. Por exemplo, conseguem deixar de fumar, livrar-se do alcoolismo doentio, abandonar drogas pesadas e até modificar outros hábitos que prejudicam as relações sociais e a própria conduta.

Um dos problemas enfrentados no combate aos hábitos que prejudicam a personalidade e o caráter das pessoas diz respeito à dificuldade que elas têm para reconhecer a importância da mudança. Isso ocorre porque são hábitos incorporados ao longo de toda a existência e praticados diariamente de forma automática. Ou seja, até então, tratava-se de uma atividade comum ou corriqueira.

Inclusive, a maioria desses hábitos é praticada sem que as pessoas saibam exatamente qual é a sua utilidade.

Acreditamos ser oportuno mencionar o ritual dos indígenas para atrair a chuva, denominado “dança da chuva”. Acende-se uma fogueira e eles ficam ao seu redor, cantando e realizando passos marcados, enquanto batem com uma espécie de cajado no chão, todos no mesmo compasso. Eles realizam esse ritual, que se tornou um hábito, sabendo o que significa e para que serve.

O homem branco, que se diz civilizado, realiza uma porção de hábitos e até rituais de forma automática, como se estivesse no piloto automático, sem saber para quê nem por que os realiza, especialmente nestes tempos de aparelhos eletrônicos portáteis.

Um dos meus hábitos é escrever compulsivamente.

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