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Do Acre para o Brasil: aos 51 anos, TRE carrega no voto uma história de inovação

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Criado em 1975 com sete zonas eleitorais e menos de 100 mil eleitores poucos anos depois, Tribunal chega a 2026 atendendo mais de 614 mil pessoas e com tecnologias desenvolvidas no Acre usadas por milhões de brasileiros

Quando o Tribunal Regional Eleitoral do Acre foi instalado, em 11 de agosto de 1975, votar era uma experiência muito diferente da atual. Não havia urna eletrônica, aplicativo no celular, QR Code no boletim de urna ou biometria. A apuração exigia tempo, papel e uma extensa operação humana.

Passados 51 anos, quase tudo mudou — menos a razão de existir da instituição: organizar eleições e assegurar que a escolha feita pelo eleitor seja registrada e respeitada.

O TRE-AC chegou a pouco mais de meio século de existência nesta terça-feira, 11 de agosto, carregando uma história que se confunde com a própria consolidação política do Acre. Seu primeiro presidente foi o desembargador Carlos Alves Cravo. De lá para cá, cresceram o estado, o número de eleitores e a estrutura necessária para fazer uma eleição chegar a um território marcado por grandes distâncias e comunidades de difícil acesso.

Os números dão a dimensão da transformação. Em 1978, três anos depois da instalação do Tribunal, o Acre possuía sete zonas eleitorais e 92.795 eleitores. Hoje são 614.631 eleitoras e eleitores — mais de 6,6 vezes o contingente registrado naquele período.

A estrutura também mudou. A 8ª Zona Eleitoral foi criada em 1988 e, em 1997, surgiram a 9ª e a 10ª. Atualmente, o estado conta com nove zonas eleitorais. Em Rio Branco, o Fórum Eleitoral abriga a 1ª e a 9ª zonas, enquanto cartórios e postos de atendimento levam os serviços aos demais municípios.

Muito antes disso, porém, fazer eleição no Acre dependia de fora.

A história da Justiça Eleitoral brasileira começou em 24 de fevereiro de 1932. Extinta durante o Estado Novo, em 1937, ela foi restabelecida em 28 de maio de 1945. No Acre, antes da existência de um tribunal regional próprio, as eleições eram organizadas pelo Tribunal Eleitoral do Distrito Federal.

Foi assim até mesmo em 1962, quando o Acre, recém-elevado à condição de estado, realizou sua primeira eleição para cargos como governador e senador. Juízes vindos do Distrito Federal coordenaram aquele processo. A instalação do TRE 13 anos depois, completaria uma etapa importante da estruturação institucional do novo estado.

Uma eleição na Amazônia

No Acre, democracia também é uma questão de logística.

Preparar uma eleição significa fazer urnas, mesários e materiais chegarem a lugares onde quilômetros não contam toda a história da distância. Há comunidades alcançadas por rios, ramais e deslocamentos que exigem planejamento muito antes de a seção eleitoral abrir.

É uma parte pouco visível do processo. Para o eleitor, o momento decisivo pode durar alguns minutos diante da urna. Para a Justiça Eleitoral, começa meses antes.

E, se a geografia acreana permaneceu desafiadora, a tecnologia transformou radicalmente a maneira de enfrentá-la.

Da madeira à urna eletrônica

As antigas urnas de madeira foram substituídas pelas de lona. Depois chegaram os computadores, os sistemas informatizados e, finalmente, a urna eletrônica.

Rio Branco passou a utilizar a votação eletrônica nas eleições de 1998. A mudança inaugurou uma nova época: a contagem manual, que atravessava horas e podia avançar por períodos muito maiores, deu lugar a uma apuração capaz de produzir resultados poucas horas depois do encerramento da votação.

Em 2026, quando o TRE acreano completa 51 anos, a urna eletrônica chega aos 30 anos de utilização no país.

A escala alcançada por essa transformação apareceu nas eleições municipais de 2024. Mais de 155 milhões de brasileiros estavam aptos a votar. Somente no Acre eram mais de 612 mil eleitores.

Mas a relação do estado com a modernização eleitoral tem uma particularidade: o Acre não foi apenas consumidor de tecnologia criada em outros lugares. Algumas ferramentas que hoje fazem parte da Justiça Eleitoral brasileira nasceram aqui.

Um título que saiu do Acre para 60 milhões de celulares

Em 2017, a então secretária de Tecnologia da Informação do TRE, Rosana Magalhães, concebeu uma forma de levar para o celular informações que antes dependiam do documento físico ou da procura direta pelos serviços eleitorais.

A ideia nasceu no Acre, ganhou a parceria do Tribunal Superior Eleitoral e alcançou o país.

Hoje, mais de 60 milhões de brasileiros já baixaram o e-Título. No Acre, são cerca de 215 mil usuários.

O aplicativo tornou-se uma espécie de porta de entrada digital da Justiça Eleitoral. Pelo telefone, o eleitor pode consultar o local de votação, emitir certidões, verificar débitos eleitorais, obter declaração de trabalhos eleitorais e acessar outros serviços.

E não foi uma experiência isolada.

Outra ferramenta desenvolvida no TRE acreano foi o Boletim na Mão. O aplicativo permite ao cidadão ler o QR Code impresso no boletim emitido pela urna após a votação e visualizar no celular ou tablet uma cópia digital daquele resultado.

É tecnologia aplicada diretamente à transparência: o cidadão pode conferir os dados produzidos pela própria urna.

Mais recentemente surgiu o BioZap, desenvolvido pelo secretário de Tecnologia da Informação do TRE-AC, Edcley Firmino. A ferramenta identifica eleitores que ainda não possuem biometria cadastrada e permite o envio de mensagens orientando-os a procurar a Justiça Eleitoral.

Três soluções diferentes, em épocas distintas, com uma característica comum: usar a tecnologia para diminuir a distância entre o eleitor e o serviço público.

O que não mudou em 51 anos

Para a presidente do TRE, desembargadora Waldirene Cordeiro, essa transformação tecnológica não alterou a essência do trabalho.

“Ao longo desses 51 anos, a Justiça Eleitoral mudou, evoluiu e se modernizou. Mas há algo que permanece igual desde o primeiro dia: o compromisso de servir às pessoas. E é por isso que continuaremos trabalhando para que cada acreano tenha a certeza de que sua voz importa e que a democracia sempre encontrará um caminho para chegar até ele”, afirma.

O vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Lois Arruda, também associa a evolução tecnológica ao trabalho humano que sustenta a estrutura.

“Durante todo esse período, a Justiça Eleitoral experimentou um processo de modernização extraordinário. Mas, em meio a toda essa mudança tecnológica, há algo que nunca mudou: o compromisso dos seus servidores e magistrados em atender com eficiência e qualidade o eleitor acreano e, assim, permitir que a democracia se aprimore”, ressalta.

A próxima página

O aniversário de 51 anos encontra o TRE-AC às vésperas de mais uma eleição geral. É uma posição privilegiada para observar o tamanho da mudança ocorrida desde 1975.

Naqueles primeiros anos, havia pouco mais de 92 mil eleitores. Agora são 614.631. A urna de madeira virou equipamento eletrônico. O título eleitoral cabe no celular. O resultado de uma seção pode ser conferido por QR Code. Uma ferramenta criada em um tribunal instalado no extremo oeste brasileiro chegou a mais de 60 milhões de pessoas.

Mas existe uma engrenagem que nenhuma dessas tecnologias substituiu.

Por trás de cada urna preparada, aplicativo desenvolvido, cartório aberto, barco utilizado, ramal percorrido e seção eleitoral instalada há pessoas trabalhando para que outras pessoas possam votar.

Talvez seja justamente essa a melhor medida dos 51 anos do TRE. A história iniciada em 11 de agosto de 1975 não está guardada apenas em documentos e antigas urnas. A cada eleição, ela volta a acontecer — quando uma estrutura espalhada pelo Acre inteiro se movimenta para transformar milhões de decisões individuais em uma escolha coletiva.

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