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Instituto Ecumênico do Acre se manifesta contra intolerância com “filha de santo” que pediu oração pelo pai, internado no Into

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Foto: James Maciel

A “filha de santo” Larissa Sppezápria, da Tenda de Umbanda Luz da Vida, vítima de intolerância religiosa no último dia 21 ao usar as redes sociais para pedir oração pelo pai, internado no Into, foi defendida pelo Instituto Ecumênico, dirigido, entre outros, pelo Padre Máximo. Veja a nota:

NOTA DO INSTITUTO ECUMÊNICO DIANTE DO CRIME DE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Firmado no respeito, na valorização e no fortalecimento do diálogo inter-religioso como base de uma sociedade justa e democrática, o INSTITUTO ECUMÊNICO FÉ E POLÍTICA DO ACRE – IEFP/AC, vem a público externar seu mais veemente repúdio ao ataque insano dirigido contra a Filha de Santo Larissa Sppezápria, da Tenda de Umbanda Luz da Vida, ocorrido no dia 21 de maio do corrente ano.

Ao expressar publicamente sua fé, Larissa fez-se instrumento da Paz, do Amor e da Verdade Divina, demonstrando sua confiança inabalável no Poder Supremo de Deus, fonte da Vida.

Por este motivo, foi violentamente atacada nas redes sociais por pessoa movida pelo ódio e pela intolerância. Atos daquela espécie merecem o repúdio das pessoas de bem, que buscam construir a paz e a fraternidade.

A intolerância religiosa ainda é um mal que atinge grande parte do mundo, chegando a causar inclusive guerras. Indivíduos que acalentam ideologias e atitudes de intolerância pelas religiões que sejam diferentes da sua, demonstram falta de compreensão, de bom senso e de respeito. São mentes insanas, desprovidas de sabedoria.

Somente a compaixão pela ignorância humana, pode elevar a nossa sociedade e transformar atos discriminatórios em fontes do respeito e da fraternidade que os Grandes Mestres, Mensageiros de Deus, vieram ensinar à humanidade. Aqueles que ainda alimentam o ódio, estão na contramão da história e da Senda do desenvolvimento espiritual da humanidade ao qual todos os seres são convidados.

O IEFP/AC pede que as Autoridades competentes façam justiça e que o crime cometido seja reparado. E assim, nossa sociedade possa dar mais um passo rumo à liberdade e à dignidade humana.

Força Larissa, Vida e Paz a Tenda de Umbanda Luz da Vida e a todos os focos da Luz Divina neste planeta!

Pelo Respeito, pela liberdade religiosa, pela fraternidade!

INSTITUTO ECUMÊNICO FÉ E POLÍTICA DO ACRE – IEFP/AC

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Conheça a história da Assembleia de Deus em Feijó, que completa 88 anos esse mês

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ASSEMBLEIA DE DEUS EM FEIJÓ – ACRE: UM EXÉRCITO IMBATÍVEL

Corria a década de 30…

Tempos sombrios, de grave crise econômica e de instabilidade política, marcavam o mundo pós-guerra. A Europa, ainda atormentada pelos horrores do grande conflito armado, via eclodir os movimentos totalitários, comandados por discursos inflamados de líderes como Mussolini, Stálin e Hitler. Homens que lideraram grandes exércitos pela força de ideologias extremistas. Homens que escreveram seus nomes nos anais da história com as penas do terror e com a tinta do sangue de seus compatriotas. Homens cujos nomes a história deveria esquecer!

Mas, bem longe daquele contexto tenebroso, na cidade de Feijó, no norte do Brasil, e com perfis totalmente opostos aos daqueles homens malignos e cruéis, atuaram homens cujos nomes a história deveria reverenciar. Homens cuja única ideologia é o amor perfeito do Pai. Homens de corações incendiados pela centelha missionária, apaixonados por almas. Homens que, ao invés de sujarem suas mãos de sangue, espalharam a semente do evangelho, plantando esperança nos corações sedentos de uma mensagem de paz.

São dezenas deles! E queremos, nesta noite tão solene, relembrar seus feitos tão dignos de fulgurar nos mais convencionais registros históricos.

Voltemos à década de 30 e visitemos o município de Envira, no Amazonas. Ali, encontraremos Lino José Benício servindo como evangelista numa humilde congregação do seringal Novo Mundo. Um homem simples, obediente à Palavra e disposto a cumprir o Ide do Mestre. Foi essa sua disposição e o seu amor pela obra missionária que o levou a abandonar seu lugar e, orientado pelo Espírito Santo, fundar uma igreja na então Vila Feijó, no Acre. Naquele templo simples, construído em madeira bruta e coberto de palha, Lino José Benício foi apresentado ao pastorado e consagrado, sendo, logo em seguida, empossado pelo pastor José Floriano, em 16 de junho de 1933.

Naqueles tempos difíceis, de cultos realizados à luz de candeeiro e farol, o fervor da igreja incipiente e a pregação da Palavra eram o que atraía cada vez mais almas para o Sol da Justiça, que é Jesus.

No ano de 1939, acometido de uma doença, nosso pioneiro deixa a direção da igreja, após 6 anos de intenso trabalho e dedicação amorosa à causa do evangelho.

Entre os anos de 1939-55, coube ao pastor Manoel Araújo, de nacionalidade portuguesa, a missão de desbravar as terras feijoenses, abrindo vários pontos de pregação, construindo novas congregações e reconstruindo o templo central da igreja em madeira de lei. Sob a graça e a unção de Deus na ministração da Palavra, e extremamente zeloso da doutrina e organização da igreja, esse intrépido obreiro viu engrossar a fileira de fiéis no campo que lhe foi confiado. Consciente do dever cumprido, 16 anos após sua posse, em 1955, é transferido para Rio Branco, onde presidiria aquela igreja e a Convenção Regional do Acre.

Pastor Antônio Prudente de Almeida e sua esposa Valda Almeida foram os nomes escolhidos para assumirem a presidência desta igreja no ano de 1955. Após dois anos, em 1957, pastor Prudente, sentindo ter findado o seu tempo à frente desta obra, transferiu o cajado ao seu sucessor.

Era um novo tempo. O Dono da obra procurava alguém que, com ousadia e intrepidez, investisse no evangelismo pessoal. Em Sena Madureira, no seringal Macoã, estava o casal de obreiros preparado para essa missão. E foi assim que, em 1957, o pastor Raimundo José do Nascimento e sua esposa, a irmã Maria de Lourdes Elias do Nascimento, foram comissionados por Deus para assumir a direção da igreja feijoense.

Ocorre que, por desígnios do Pai, o pastor Raimundo experimentou a dor da perda de sua fiel companheira. Os tempos não eram realmente fáceis, mas Deus não deixa as lágrimas de um fiel secarem no chão da indiferença. Lágrimas de um fiel, plantadas em solo de dor, geram frutos de alegria. E, para o pastor Raimundo José, a alegria veio num matrimônio abençoador, nos filhos que lhe daria a irmã Judite Aguiar do Nascimento e em 22 anos de profícuo ministério à frente desta igreja, findo em 23 de maio de 1979.

O pastor João Batista Adrião, junto com sua esposa Francisca Adrião, assumiu esta igreja no dia 23 de maio de 1.979 e permaneceu até março de 1982, passando quatro anos entre nós.

Após sua saída, assumiu o pastor Jonas Francisco da Costa que, com sua esposa Adaíres Costa, presidiu esta igreja de 13 de setembro de 1.982 a 14 de novembro de 1.983, por pouco mais de 1 ano.

Entre idas e vindas de obreiros, a obra do Senhor em Feijó crescia a passos largos. Deus confirmava sua presença no meio do seu povo e o ministério de cada obreiro que dedicava sua vida a esse lugar. 

Não foi diferente com o pastor Luiz Gonzaga de Lima e sua esposa Vânia Maria Chiquito de Lima. Apesar de bem jovem, pastor Luiz era convicto da chamada de Deus em sua vida e assumiu a liderança desta igreja em novembro de 1.983 a setembro de 1.986, passando três anos à frente deste trabalho.

Logo em seguida, a missão de nos apascentar foi confiada ao pastor Sebastião Jesus de Araújo e à sua esposa, irmã Elizabete, que nos presidiram no período de setembro de 1.986 a 1.987.

Com a saída do pastor Sebastião, coube a um filho de Feijó e filho na fé desta igreja, o pastor Jader Correia de Sena, a honra de servir ao Senhor na presidência interina da Assembleia de Deus em Feijó, juntamente com sua esposa, a irmã Lizete Thaumaturgo Sena. No curto período de 1987 a abril de 1988, esse casal de obreiros contribuiu de forma muito significativa para o elevo espiritual desta igreja.

Pastor Jader foi sucedido pelo pastor Peregrino Nogueira de Oliveira, que desde muito jovem se dedicou ao ministério da palavra. Ele e sua esposa, irmã Silvânia Helena Lopes de Oliveira, foram empossados em 16 de abril de 1.988, pastorearam durante quatro anos, saindo em outubro de 1.992.

Em seguida, o pastor Rosilúcio Oliveira Britto assume a liderança da igreja, em 09 de outubro de 1.992. A exemplo dos que lhe antecederam, realizou um grande trabalho em prol da Obra do Senhor. Ele e sua esposa Ivanete Mesquita Britto passaram três anos na direção deste trabalho e tiveram sua participação na história desta igreja até setembro de 1.995.

De setembro a novembro de 1995, a missão foi atribuída ao pastor Josué de Souza Almeida, que, por razões particulares, precisou deixar a presidência da igreja.

No dia 05 de novembro de 1.995, assume a presidência da igreja o pastor Francisco das Chagas Santiago de Oliveira que, em companhia de sua esposa, a irmã Alzenira do Nascimento Oliveira, aqui estive por dois anos, realizando um brilhante trabalho para Deus. Concluído o tempo de Deus nas suas vidas, nossos pastores foram despedidos no dia 15 de março de 1.997.

Na mesma data, assume o pastor Lázaro Humberto Lemes que, juntamente com sua esposa, a irmã Luzia Aparecida Rodrigues Lemes, realizou relevantes trabalhos, dentre os quais estão a construção de algumas congregações e a edificação do novo templo, cumprindo suas responsabilidades de maneira muito correta e eficiente.

Entendendo que seu tempo estava findando na presidência desta igreja e que o Senhor lhe chamava para outro lugar, pastor Lázaro entregou a presidência, em 04 de setembro de 2.005, sendo substituído pelo pastor Valério Oliveira da Silva que, com sua esposa Vera Lúcia Teixeira da Silva, preside de 04 de setembro a 11 de março de 2.007, deixando marcas de dedicação e compromisso na causa do Senhor.

Concluindo o seu tempo na presidência, pastor Valério se despede, transferindo a honra ao nosso querido e atual pastor Rogélio Luiz Rodrigues de Souza e sua mui digna esposa, a pastora Maria Surleide Alves de Souza.

Pastor Rogélio, apesar de ser um obreiro relativamente jovem, responde positivamente às necessidades da igreja feijoense. Seu ministério é confirmado pelo Senhor por meio do crescimento vertiginoso da obra e da experimentação do sobrenatural de Deus nos diferentes trabalhos a que se propõe realizar. Trabalhos esses sempre marcados por muito dinamismo e espiritualidade e pela presença ativa e marcante da pastora Surleide, uma obreira na acepção lata da palavra e entusiasta do ministério do esposo.

 Já são mais de 12 anos à frente desta igreja. Período em que vários departamentos foram criados; muitos templos construídos, tanto na cidade quanto no interior, e vários métodos de trabalho implantados, todos eles resultando no crescimento expansivo da igreja!

Hoje, a Assembleia de Deus em Feijó dispõe de um templo sede espaçoso, moderno e com amplo estacionamento. Possui também um quadro de 15 pastores, 18 evangelistas, dezenas de presbíteros, missionárias, diáconos, diaconisas e auxiliares que servem nesta obra.

Pastor Rogélio, pela abundante graça de Deus, empreendeu muitas conquistas espirituais nesses anos todos, mas a maior delas, certamente, é poder testemunhar o crescimento da igreja em mais 100%! Feijó tem, hoje, um verdadeiro exército de mais de 5 mil assembleianos, comandados por um líder inflamado pelo amor de Deus, tomado de paixão por almas.

 Temos milhões de motivos para celebrar ao Senhor, para render graças ao seu poderoso nome, pois que tão cuidadosamente nos deu líderes cheios de unção e ousadia. Homens que não tiveram as suas vidas por preciosas, mas cumpriram a carreira que aqui lhes estava proposta, dando testemunha da graça salvadora e cuidando amorosamente daqueles que lhes foram confiados pelo Senhor dos exércitos!

Aqueles grandes homens da história secular, que, na década de 30, arregimentavam multidões em nome de ideologias extremistas, mesmo sendo oradores brilhantes, líderes natos, não lograram êxito em suas empreitadas: suas estratégias falharam, seus numerosos exércitos tombaram, os reinos que pretendiam estabelecer ficaram apenas em seus loucos sonhos. Eles atraíram para si o peso eterno de tanto sangue derramado e pereceram sem deixar saudades!

Mas, entre nós, longe dos holofotes e dos registros da história oficial, há uma galeria de heróis de verdade! Há uma galeria de nomes que fulguram nos anais celestiais. Nomes de homens que, por meio da fé, venceram o reino das trevas, praticaram a justiça, puseram em fuga legiões de espíritos aprisionadores de almas, triunfaram sobre enfermidades, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra contra o pecado e puseram de pé um exército mui excelente! E esse exército é o que aqui se vê hoje: essa igreja poderosa, viva, combatente e vitoriosa. Uma igreja que milita contra principados e potestades, contra as hostes espirituais da maldade e que avança destemida no território do inimigo!

Aquela igrejinha tão pequena, que começou com uma família, é hoje uma grande potência espiritual porque foi alimentada não com discursos de ódio nem com filosofias humanas. Diante dela estiveram os comissionados do Senhor dos exércitos, cuja ideologia é a palavra do próprio Cristo que diz: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura!

Oitenta e seis anos se passaram desde o longínquo 1933. Nesse tempo, líderes mundiais fracassaram, planos de governos falharam, economias fortes faliram, mas nós estamos de pé, conservando a tocha acesa, pois somos fruto daquela semente que, há 86 anos, foi plantada no calor do fogo pentecostal!

E que venham outros oitenta e seis anos, para mostrarmos ao mundo inteiro que a Igreja de Cristo nunca sucumbirá, pois, o próprio Jesus é o seu sustentáculo! E as portas do inferno não prevalecerão contra ela!

Deus abençoe Feijó.

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Gabriela Câmara e vereador Arnaldo Barros realizam projeto de evangelismo

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Folha do Acre

A missionária Gabriela Câmara e o vereador Arnaldo Barros estiveram na última sexta-feira (12) em mais uma ação no presídio Francisco de Oliveira Conde onde realizaram doações de Bíblias de estudos para os presos. Foi a primeira vez que a missionária Gabriela Câmara realizou este tipo de missão após ter sido consagrada como missionária na Assembleia de Deus Madureira.

Gabriela Câmara e Arnaldo Barros formaram uma parceria em busca de evangelizar o maior número de pessoas possíveis e ajudar na reabilitação de dependentes químicos.

“Temos uma aliança em prol de ganhar almas para Jesus e reduzir a criminalidade”, diz.

Arnaldo Barros é fundador do projeto “Paz para o Acre” que busca ressocializar pessoas que estejam dispostas a abandonar facções criminosas.

Gabriela Câmara além de missionária da Assembleia de Deus também é diretora da Boas Novas onde desenvolve um projeto de evangelismo em tempo integral.

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Conheça a história da missionária sueca que marcou o início da igreja no Brasil

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No Rio de Janeiro, a missionária Frida deu início ao jornal Som Alegre. (Foto: Acervo CPAD-CEMP)

GUIAME

A história da igreja evangélica no Brasil teve grande influência da missionária sueca Frida Maria Strandberg Vingren, que passou décadas esquecida e tem tido sua memória resgatada por historiadores nos últimos anos.

Frida Vingren se tornou tema de livro, tese de doutorado e voltou a alimentar o debate sobre o papel da mulher na Assembleia de Deus, a maior denominação pentecostal do país, com 12 milhões de fiéis.

Casada com o missionário sueco que fundou a Assembleia de Deus em Belém do Pará, Frida se tornou uma das mais importantes lideranças da igreja nos 15 anos em que esteve no Brasil. Ela ajudou a construir o ministério no Rio de Janeiro, comandou um jornal e foi a primeira mulher a pregar em praça pública.

Início do ministério

Frida chegou Belém em 1917, aos 26 anos, enviada pela Igreja Filadélfia, uma denominação pentecostal em Estocolmo, capital da Suécia. Três meses depois, ela se casou com Gunnar Vingren, que sete anos antes havia fundado a Assembleia de Deus no Brasil.

No início, Frida cuidava dos filhos e restringia seu trabalho aos serviços sociais da igreja, zelando pelos órfãos, visitando os idosos e os doentes – uma responsabilidade tradicionalmente entregues às mulheres.

“A jovem ia com frequência aos centros afastados que isolavam pacientes com hanseníase do restante da população – os chamados leprosários, que surgiram no Brasil naquela época”, disse à BBC News a jornalista sueca Kajsa Norell, autora de Halleljua Brasilien!, lançado em 2011, que conta a história do surgimento da Assembleia de Deus no Brasil.

O marido, missionário por vocação, estava constantemente viajando, mas quase sempre voltasse para casa doente. “Ele ficava muito tempo de cama”, diz o sociólogo Gedeon Freire de Alencar, autor de Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus, 1911-2011 e um dos primeiros a redescobrir a história de Frida, no início dos anos 2000.

Com o tempo, Frida passou a assumir cada vez mais as atribuições de Gunnar em Belém. Ela começou a traduzir os hinos da igreja sueca para o português, cantava, tocava e pregava.


Gunnar chegou ao Brasil sete anos antes de Frida, em 1910; o casal teve seis filhos. (Foto: Acervo CPAD-CEMP)

“Ela transforma os boletins entediantes dos missionários (publicados nos jornais da igreja sueca) em histórias incríveis. Um dos textos conta sobre a prisão que ela visitava toda semana em Belém, que mantinha 200 garotos entre cinco e 20 anos de idade, alguns que estavam ali simplesmente por não terem pai”, conta Norell.

Frida passou então a bater de frente com o pastor Samuel Nyström, que estava à frente do jornal Boa Semente, da Assembleia de Deus. Por ser radicalmente contra a pregação de mulheres, ele passou a reclamar da missionária em correspondências com a liderança da igreja na Suécia.

Em 1924, com quatro filhos, o casal Frida e Gunnar decidiram se mudar para o Rio de Janeiro para fundar um novo ministério. “Eles decidem sair de Belém porque a tensão já era insustentável”, diz Valéria Vilhena, pesquisadora da Universidade Metodista, que baseou o doutorado na vida da missionária e que lança neste ano um livro sobre sua história.

Atuação no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, Frida se tornou a primeira mulher a dirigir uma escola bíblica dominical, fundada em uma prisão. Ela ainda fundou o jornal Som Alegre, onde citava com frequência trechos da Bíblia que, em sua visão, deixavam claro que as mulheres poderiam pregar, ensinar ou doutrinar.

Seu comportamento passou a desagradar também pastores brasileiros, provocando a convocação da primeira grande convenção da Assembleia de Deus, realizada no dia 12 de julho de 1930, em Natal (RN).

“O motivo da convocação foi Frida”, destaca Isael Araújo, pastor da Assembleia de Deus em Niterói e autor da biografia Frida Vingren, lançada em 2014. No encontro, os pastores definiram as atividades que poderiam ser desempenhadas pelas mulheres na igreja — pregar não estava nesta lista.

“Foi um enquadramento”, acrescenta Araújo, que foi chefe do Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (CEMP) da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Em todo o processo, Gunnar ficou ao lado da esposa e defendeu o ministério feminino, mas foi voto vencido.

Nos meses seguintes, Frida usou seu espaço no jornal para desafiar as decisões tomadas na convenção e para pedir que as mulheres não recuassem. A situação ficou insuportável no Brasil e, em de 1932, o casal, que na época tinha seis filhos, decidiu retornar à Suécia.


Frida na escola dominical em que lecionava, em uma prisão no Rio de Janeiro. (Foto: Acervo CPAD-CEMP)

Antes de partir, contudo, eles perdem a filha mais nova e Gunnar morreu pouco tempo depois de chegar à Europa.

Rumo ao esquecimento

Frida queria retomar a vida de missionária, mas a liderança da igreja no Brasil não aprovava seu retorno e nem mesmo o pastor Lewi Pethrus, um dos maiores líderes da igreja pentecostal na Suécia.

A missionária levantou recursos por conta própria e decidiu ir para Portugal, mas foi detida na estação de trem de Estocolmo e saiu com uma camisa de força em direção ao hospital psiquiátrico no dia 12 de janeiro de 1935. A igreja lhe tirou a guarda dos filhos e doou todos os seus pertences.

Em nenhum dos prontuários médicos, contudo, há o diagnóstico de que ela sofria de algum distúrbio mental. “Ela estava esgotada, física e mentalmente, já tinha tido malária no Brasil e, provavelmente, sofria de alguma doença na tireoide”, observa Kajsa Norell.

Depois de cinco anos entre idas e vindas do hospital psiquiátrico, Frida morreu aos 49 anos, no dia 30 de setembro de 1940, na Suécia, nos braços da filha. Abatida, ela pesava 23 quilos.

Para o pastor Araújo, o conflito direto com as maiores lideranças da igreja está entre as razões para o ‘esquecimento’ de Frida. Na Suécia, a Igreja Filadélfia foi confrontada com a trajetória de Frida quando o livro de Kajsa Norell foi lançado.

“Aquilo era uma novidade completa para nós”, diz Gunnar Swahn, que foi secretário de

missões da Igreja Filadélfia. “Foi horrível o que fizeram com ela. Muita gente ficou chocada com a forma como ela foi tratada pelas antigas lideranças”.

O ministério de mulheres

As mulheres têm ganhado cada vez mais espaço dentro das Assembleias de Deus no Brasil. Essa tendência, contudo, é bastante assimétrica nas diferentes regiões do país, justamente pelas características da denominação.

Ao contrário da Igreja Católica, bastante hierarquizada, sua estrutura é congregacional. “É como se fosse uma democracia direta”, compara Alencar. Cada congregação define suas liturgias, “tem lugar que aceita mulher, tem lugar que não aceita”.

Questionado se hoje as mulheres podem ser pastoras na Assembleia de Deus, Gunnar Swahn respondeu: “Ah, sim! Nós gostamos de pensar que somos uma igreja progressista”.

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