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No coração da floresta, a sagrada aldeia do Povo Yawanawá

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Agência AC | Foto: Diego Gurgel/Secom

No alto Rio Gregório, a Aldeia Sagrada, do Povo Yawanawá, é o lugar ideal para se desconectar da conturbada rotina urbana e viver experiências únicas, em meio a uma inesquecível imersão espiritual, bem no coração da floresta acreana. Na comunidade indígena do “povo da queixada”, a força da natureza conduz o tempo e estabelece uma grande ligação com o universo.

Chegar até a aldeia é, literalmente, uma longa jornada, que se inicia na Vila São Vicente, às margens da BR-364, distante 86 quilômetros de Tarauacá, o quarto maior município do Acre. Dali em diante, a bordo de pequenas embarcações, são, em média, oito horas de viagem.

A subida do Gregório, por si só, é um precioso atrativo. Em um cenário que contrasta com o verde intenso da floresta e as típicas águas barrentas dos jovens rios acreanos ainda em formação, é possível observar o cotidiano estabelecido pela vida ribeirinha.

Cotidiano dos ribeirinhos da Amazônia. Foto: Diego Gurgel/Secom

A cada curva, é possível acompanhar o vai e vem dos barcos, mulheres ocupadas com seus afazeres domésticos, homens garantindo o sustento pela pesca, utilizando até mesmo a curiosa técnica de pegar o peixe com as próprias mãos, e as crianças aproveitando o melhor da infância, ao se divertirem tomando banho de rio.

Árvores de grande, médio e pequeno portes fazem parte de todo o trajeto. Destaque para a frondosa Samaúma, a rainha da floresta. A fauna também se faz presente. Com o barulho do motor e aproximação dos barcos, as mais diversas aves espalhadas pelas praias ao longo do rio levantam voo e chamam atenção.

Crianças indígenas se divertem no Rio Gregório. Foto: Diego Gurgel/Secom

Com a redução das chuvas, o nível do Rio Gregório está muito baixo. Por conta disso, os conhecidos balseiros, que são os galhos e troncos das árvores arrastados pela forte correnteza da água durante o período da cheia, ficam expostos. Esses grandes volumes presentes no leito do manancial dificultam a navegação, que precisa de cuidado redobrado nos pontos mais críticos.

Um verdadeiro espetáculo no céu da Aldeia Sagrada. Milhares de estrelas podem ser vistas a olho nu. Foto: Diego Gurgel/Secom

A última friagem que chegou ao Acre proporcionou um verdadeiro espetáculo no céu. Além de derrubar a temperatura, a intensa massa de ar polar impediu a formação de nuvens e possibilitou a visualização de milhares de estrelas a olho nu. A partir do shuhu, templo onde são realizadas as cerimônias dos yawanawás, a combinação entre a estrutura e as constelações é uma dos mais belas para se admirar a grandiosidade do cosmos.

Vivência na Aldeia Sagrada

Criada em 1984, a Terra Indígena do Rio Gregório foi o primeiro território constituído pelas populações tradicionais a ser demarcado no Acre. Atualmente, cerca de mil índios yawanawás, a maioria crianças e jovens adultos, habitam as sete comunidades da região.

Indígena pintado com um kenê (desenho geométrico sagrado). Foto: Diego Gurgel/Secom

A Aldeia Sagrada possui um simbolismo muito especial para o Povo Yawanawá. Além de ter sido o primeiro local de contato com o homem branco, ali foram sepultadas as principais lideranças da comunidade indígena. Há poucos anos, foi aberta para o etnoturismo e o xamanismo.

“A Aldeia Sagrada é um santuário sagrado onde viveram os nossos ancestrais e o lugar onde as principais lideranças e pajés estão enterrados. Hoje, essa aldeia é dedicada exclusivamente à nossa espiritualidade, onde o meu povo e os nossos visitantes têm a possibilidade de uma imersão profunda no universo yawanawá”, explicou o cacique Biraci Brasil.

Canções dos yawanawás fazem parte da vivência. Foto: Diego Gurgel/Secom

Atraídos pelo interesse de viver uma experiência excepcional na Amazônia, a maior e mais preservada floresta tropical do planeta, aproximadamente 700 turistas do Brasil e de outros países visitam as aldeias Sagrada e Nova Esperança anualmente.

De acordo com Biraci Brasil, a Aldeia Sagrada funciona como um centro de cura espiritual e está aberta para o mundo. Terra de grande biodiversidade, as plantas medicinais encontradas naturalmente no entorno da comunidade são utilizadas no preparo do banho de ervas. Segundo a crença indígena, a prática tem poder de curar doenças e purificar a alma. Já as canções e danças dos yawanawás marcam momentos de confraternização entre os indígenas e os seus visitantes. Seja em uma grande roda ou em duplas, a animação pela celebração da vida é a mesma.

Turistas e indígenas se confraternizam na Aldeia Sagrada. Foto: Diego Gurgel/Secom

Um dos momentos mais aguardados é a cerimônia do Uni. Também conhecido genericamente como Ayahuasca, e no contexto urbano como Daime, o chá feito a partir da cocção do cipó mariri (Banisteriopsis caapi) com as folhas da chacrona (Psychotria viridis) é de uso ancestral de muitos povos indígenas amazônicos e andinos e é considerado sagrado. Seu efeito psicoativo altera o estado de consciência humano e provoca um misto de sensações, conhecidas como “miração” e sua força pode durar várias horas seguidas.

Com o avanço da vacinação contra a Covid-19, o turismo nas aldeias yawanawás está sendo retomado com responsabilidade e seguindo os protocolos de segurança sanitária. No Instagram, os perfis @yawanawaretreats e @retiro.yawanawa oferecem informações e pacotes aos interessados em conhecer a cultura a rica indígena acreana.

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Comissão da Câmara aprova nome da ponte de Tarauacá para Odilon Vitorino de Siqueira

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A Comissão de Viação e Transportes da Câmara aprovou, em caráter terminativo, projeto de lei do ex-deputado federal e atual vice-governador Major Rocha que batiza a ponte sobre o rio Tarauacá, de Odilon Vitorino de Siqueira. O projeto agora deverá ser avaliado na Comissão de Cultura.

Quem foi Odilon Vitorino

Odilon Vitorino de Siqueira, por sua garra, determinação e espírito público, representa a essência do município de Tarauacá/AC.

Comerciante reconhecido na região, foi seringalista, por quase 50 anos, na região de Tarauacá/AC.

Odilon Vitorino de Siqueira envolvido na formação política do Estado do Acre, tendo sido vereador tarauacaense de 1963 a 1967, ocupando a cadeira de Vice-Presidente daquela Assembléia Municipal.

Ocupou, ainda o cargo de Prefeito de Tarauacá, de 1986 a 1989, consolidando a democracia e o desenvolvimento do município.

Com informações Extra do Acre.

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Aos 70 anos, costureira supera a COVID e vence Corrida do BOPE em Rio Branco

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Natural de Cruzeiro do Sul, a costureira Maria Cleide mudou totalmente o estilo de vida quando descobriu as corridas de rua há cinco quatro anos atrás. A idade nunca foi um obstáculo e ela é atração em todas as corridas que participa. Neste domingo (26), ela era um dos mais de trezentos atletas que participaram da III Corrida do BOPE, realizada pela Acre Running em parceria com a Polícia Militar.

Dos 5 km da prova, 2 foram na pista de instrução do BOPE, onde são treinados os alunos da corporação. Uma prova difícil para quem é jovem, imaginem para uma pessoa com a idade da nossa personagem. Mas Dona Cleide não se intimidou. Superou os 16 obstáculos e cruzou a linha de chegada em primeiro lugar na categoria acima de 60 anos.

“Eu me sinto rejuvenescida com as corridas. Devolveu minha autoestima e melhorou em muito minha saúde. Fui infectada pela COVID mas não me deixe abater. Estava orando a Deus para voltar a disputar uma corrida”, disse ela que não participava de uma prova oficial desde fevereiro de 2021.

Dona Cleide é costureira, mas para muitos é uma atleta, que inspira pessoas mais jovens a também mudarem o estilo de vida, praticando exercícios físicos.

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Sábado de muita movimentação nas lojas de construção e na procura por carpinteiros e pedreiros

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Por Wanglézio Braga / Fotos: Wanglézio Braga

O sábado (25) para muitos moradores dos bairros da Cohab do Bosque, Aviário, São Francisco, Cadeia Velha e Centro de Rio Branco foi de contabilizar os estragos causados pela forte tempestade que caiu na tarde de sexta-feira (24). Nas lojas de material de construção, a movimentação foi grande assim como também o trabalho de carpinteiros e pedreiros, acionados para prestar manutenção nos imóveis atingidos.

Na Cohab do Bosque, o temporal causou o destelhamento de casas e prédios públicos. Houve registro de quedas de árvores, de galhos na fiação elétrica e desmoronamento de muros. Faltou luz no período da tarde, sendo restabelecida tarde da noite, em algumas áreas o sistema ainda não foi normalizado. Nas ruas e calçadas destaque para os restos de telhas, tampas de caixa d’água e a movimentação de moradores que lamentavam, nas esquinas, o cenário provocado pelo segundo temporal da semana.  

Na Escola de Ensino Fundamental Samuel Barreira, funcionários registraram telhas quebradas e várias brechas no teto. O estabelecimento marcou o início das aulas para os próximos dias, porém, existe a possibilidade de suspender o início das atividades para a manutenção do prédio. A direção da escola ainda vai avaliar essa situação.

Na Rua Luzanira Gomes, das 17 casas, pelo menos 11 tiveram problemas com destelhamento. Os moradores acordaram cedo para ajudar os profissionais da carpintaria. “O sol ainda tava surgindo no céu quando fui buscar o rapaz para fazer a manutenção daqui de casa. Foram 16 telhas e o forro que desabou parcialmente. Não houve feridos, graças a Deus, mais o susto foi grande e o prejuízo também”, relatou dona Alzira Melo.

Na região do 4° Batalhão do Exército Brasileiro, onde fica o Círculo Militar, a força da natureza provocou destelhamento do Hospital Militar, do departamento administrativo e uma árvore que caiu nas grades do Hotel de Trânsito. Na mesma rua, moradores ficaram horas sem luz por conta de galhos que caíram na fiação. Eles também registraram telhas quebradas nas residências e alagamento na Rua Colômbia.

Não muito distante desta região do bosque, nas proximidades da Igreja Santa Inês, um prédio abandonado teve a sua estrutura bastante danificada. Parte do espaço desabafou e o telhado de alumínio foi completamente levado pela ventania, atingindo carros estacionados em um lava-jato. “Prejuízo para nós. Ainda estamos contabilizando”, frisou o funcionário do estabelecimento, Antônio Luiz.

No Conjunto Baixa da Colina, uma árvore caiu na fiação elétrica. A rua que dá acesso ao bairro Bosque e São Francisco foi bloqueada para que os trabalhadores da Energisa pudessem realizar com segurança a manutenção. Na estrada do São Francisco, o trânsito ficou bastante lento e desconexo. Não havia agentes de trânsito no local.

LOJAS LOTADAS

Nossa equipe de reportagem esteve durante a manhã em duas lojas de material de construção. O fluxo de clientes aumento consideravelmente. Em uma das lojas, sediada no bairro José Augusto, o movimento de clientes foi acima 70%, número incomum para o dia de hoje. Pregos, telhas, calhas, cimentos, areia e brita, caixas d´água, mantas térmicas e estruturas de ferro foram os itens mais procurados.

“Tivemos que acionar alguns colegas que estavam de folga para poder atender os clientes. Nós registramos, apenas em uma hora de loja aberta, mais de 70% de aumento nas nossas vendas. Infelizmente, o mercado fica aquecido, mais ficamos tristes pelas famílias que perderam suas coisas no temporal”, revelou a vendedora Júlia Santos.

PROCURAM-SE CARPINTEIROS

Muito trabalho para os carpinteiros e trabalhadores da construção civil. Alguns moradores recorreram às redes sociais ou a velha agenda telefônica dos amigos em busca desses profissionais. O carpinteiro Mário Soares contou que nas últimas horas recebeu mais de 30 telefonemas de pessoas que procuravam os seus serviços.

“Toda semana é assim. Choveu bastante e com forte vento, o telefone não para. Nas últimas horas, recebei muitos telefonemas. Hoje eu não tenho mais vagas, tudo agendado. A sorte é que os trabalhos são quase tudo, na mesma rua do bairro. Isso fica mais fácil, mesmo assim sobrecarrega. Tive que chamar alguns amigos para me ajudar, por causa da demanda. Nesta rua, por exemplo, tenho até a noite, quatro serviços para fazer”, relatou.

O pedreiro José Augusto Monteiro precisou convidar também alguns amigos do interior, dos municípios de Senador Guiomard e de Capixaba para ajudar nos serviços.

“Tô trabalhando desde as primeiras horas de hoje, em três obras diferentes. Chamei alguns amigos para ajudar, ganhar um dinheiro, na reforma de uma parede que desabou, na reconstrução de um muro e também no reforço de uma laje de uma casa que quase cedeu. A gente se vira nos trinta, né? Mais tem espaço para todos os outros colegas, basta procurar que acha”, citou.

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