GOSPEL
Testes radiológicos geram nova teoria sobre o Sudário de Turim

Um novo estudo científico propõe que uma reação provocada por radiação de baixa intensidade pode ter deixado uma marca invisível que só apareceu anos depois no tecido.
O Sudário de Turim, considerado um dos objetos históricos mais estudados e controversos do mundo, ganhou uma nova hipótese para tentar explicar a origem da misteriosa imagem de um homem crucificado impressa em sua superfície. Um artigo publicado recentemente, em 12 de agosto, propõe que a figura pode não ter sido visível no momento em que o tecido foi retirado do corpo, surgindo posteriormente devido ao envelhecimento natural do linho ou à exposição ao calor.
A hipótese foi apresentada pela imunologista Kelly Kearse, que estudou extensivamente o Sudário. A pesquisadora analisou experimentos nos quais diferentes níveis de radiação foram aplicados a tecidos de linho. Pulsos mais intensos produziram alterações imediatamente visíveis, mas também danificaram ou vaporizaram manchas de sangue. Já níveis muito baixos de energia alteraram as fibras sem provocar uma mudança perceptível inicialmente — a imagem só apareceu depois que o tecido envelheceu ou foi aquecido.
O detalhe das manchas de sangue e o relato bíblico
Segundo Kearse, esse mecanismo de “imagem latente” poderia explicar uma das características mais discutidas do Sudário: a preservação das manchas de sangue junto à imagem corporal. Caso o tecido tivesse envolvido um cadáver antes da formação da imagem, qualquer fonte de energia responsável pela marca precisaria ter afetado o linho sem destruir o sangue que já estava depositado sobre ele.
A possibilidade também se relaciona a uma questão narrativa bíblica. Os Evangelhos mencionam os tecidos encontrados no túmulo vazio, mas não descrevem uma imagem do corpo de Jesus impressa neles. Uma imagem que fosse inicialmente invisível aos olhos poderia explicar por que os discípulos não perceberam qualquer figura no tecido naquele momento.
A ideia de uma imagem que surge com o tempo não é totalmente nova. O cientista Samuel Pellicori, que integrou a equipe de exames do Sudário em 1978, já havia sugerido que substâncias naturais do corpo — como óleos da pele ou materiais de sepultamento — poderiam ter provocado alterações graduais nas fibras. O pesquisador Ray Rogers também considerou possível uma reação química lenta entre o linho e substâncias corporais.
Controvérsias e incertezas continuam
Apesar da nova hipótese, o Sudário continua cercado de debate científico e religioso. Testes de radiocarbono realizados em 1988 por três laboratórios diferentes apontaram que o tecido teria origem medieval, datado entre 1260 e 1390. Alguns pesquisadores, no entanto, questionam esses resultados por afirmarem que as amostras vieram de uma única região da peça.
A nova tese não demonstra que o Sudário envolveu Jesus, nem prova definitivamente que a radiação produziu a imagem. Como os experimentos foram feitos em linho moderno, ainda não se sabe exatamente como ou quando a figura se formou, mantendo abertas as explicações naturais, químicas e artísticas.
Fonte original: Aventuras na História (Reportagem de Felipe Sales Gomes)
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