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Acre tem o 3º maior índice de abandono paterno do Brasil, aponta levantamento de 10 anos

O Acre ocupa a terceira posição no ranking nacional de crianças registradas sem o nome do pai na certidão de nascimento. Dados do Portal da Transparência do Registro Civil, referentes ao período entre janeiro de 2016 e janeiro de 2026, revelam que 10,16% dos recém-nascidos acreanos foram registrados exclusivamente com a filiação materna. O índice coloca o estado atrás apenas de Roraima (11,18%) e Amapá (10,66%), evidenciando um desafio social que persiste há pelo menos uma década na Região Norte.
O levantamento mostra que o abandono paterno não é um problema isolado, mas uma realidade nacional que afeta milhares de famílias brasileiras. No entanto, os estados nortistas concentram os percentuais mais elevados do país. Além de Roraima, Amapá e Acre, o Amazonas aparece na sequência, com 9,53% dos registros feitos apenas em nome da mãe.
No caso acreano, os números significam que, em cada grupo de 100 crianças registradas no período analisado, cerca de dez deixaram a maternidade sem o reconhecimento formal da paternidade. A situação acende um alerta sobre os impactos sociais e econômicos enfrentados principalmente pelas mães que assumem, sozinhas, a responsabilidade pela criação dos filhos.
Especialistas apontam que fatores como vulnerabilidade socioeconômica, dificuldades de acesso aos serviços públicos em áreas rurais e isoladas, além da ausência de uma cultura mais consolidada de paternidade responsável, ajudam a explicar os elevados índices registrados na região amazônica.
Enquanto o Norte concentra os maiores percentuais, os estados do Sul e Sudeste apresentam os menores índices do país. Santa Catarina lidera positivamente esse ranking, com 4,47% dos registros contendo apenas o nome da mãe. Minas Gerais aparece com 4,95%, seguida por São Paulo, com 5,54%, e Rio de Janeiro, com 5,59%.
Os dados mais expressivos do levantamento são:
• Roraima: 11,18%;
• Amapá: 10,66%;
• Acre: 10,16%;
• Amazonas: 9,53%;
• Santa Catarina: 4,47%.
Por trás das estatísticas estão milhares de histórias marcadas pela sobrecarga feminina. A ausência do nome do pai na certidão de nascimento representa não apenas um vazio afetivo para muitas crianças, mas também dificuldades práticas relacionadas ao acesso à pensão alimentícia, aos direitos sucessórios e ao reconhecimento formal dos vínculos familiares.
Para garantir esses direitos, muitas mães precisam recorrer a ações judiciais de investigação de paternidade, processos que podem se prolongar por anos. Em resposta a esse cenário, órgãos como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e as Defensorias Públicas têm promovido campanhas de reconhecimento voluntário da paternidade, como o programa “Meu Pai Tem Nome”, oferecendo procedimentos gratuitos nos cartórios.
Apesar dessas iniciativas, a série histórica de uma década demonstra que o abandono paterno permanece como um desafio estrutural. No Acre, onde mais de 10% dos registros ocorreram apenas com a identificação materna, os números reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas de conscientização, fortalecer mecanismos de responsabilização paterna e garantir proteção integral às crianças e adolescentes.
Mais do que um dado estatístico, o percentual registrado pelo Acre revela uma realidade que impacta diretamente o desenvolvimento social, a dinâmica familiar e a vida de milhares de mulheres que, diariamente, assumem sozinhas o papel de sustentar, educar e proteger seus filhos.













