SAÚDE
Médica explica mitos e verdades sobre hepatites virais
Especialista alerta que hepatites B e C podem permanecer silenciosas por anos antes do diagnóstico

As hepatites virais ainda representam um desafio para a saúde pública, principalmente porque muitas pessoas podem conviver com a infecção durante anos sem apresentar sintomas. No Julho Amarelo, campanha dedicada à conscientização e prevenção dessas doenças, a médica infectologista e coordenadora do curso de Medicina da Afya Cruzeiro do Sul, Dra. Suiane Negreiros, reforça a importância da testagem e da vacinação.
Segundo a especialista, as hepatites virais podem evoluir de forma silenciosa, e muitos pacientes só descobrem a doença quando surgem complicações mais graves, como cirrose hepática. “As hepatites virais podem ocorrer sem sintomas e isso acontece em grande número de casos, independente do tipo de vírus. Muitas vezes a pessoa só apresenta a doença quando ocorre evolução para uma gravidade, como é o caso da cirrose hepática”, explica.
A médica destaca que as hepatites B e C têm comportamento frequentemente silencioso e recomenda que a população realize testes para identificação dos vírus, especialmente pessoas que possuem histórico familiar da doença.
“A doença ter um comportamento silencioso, principalmente para os vírus B e C, faz com que as populações devam realizar o teste para os vírus das hepatites B e C. É indicado para todos, mas principalmente para aquelas pessoas que têm casos na família”, afirma.
Transmissão
Entre os principais mitos relacionados às hepatites está a ideia de que apenas pessoas com determinados comportamentos considerados de risco podem contrair a doença. A infectologista explica que qualquer pessoa exposta a sangue contaminado pode adquirir o vírus.
A transmissão das hepatites B e C está relacionada ao contato com sangue e pode ocorrer pelo compartilhamento de objetos capazes de causar ferimentos, como alicates de unha, lâminas de barbear, pinças e tesouras.
Por outro lado, a especialista esclarece que abraços, apertos de mão e beijos não são formas de transmissão. Sobre copos e talheres, ela faz uma ressalva: em situações específicas, como em pacientes com cirrose e sangramento gengival, pode haver risco caso exista contato com sangue.
Vacinação
A médica também reforça a importância da vacinação contra as hepatites virais. Segundo ela, existem vacinas para hepatite A e hepatite B.
“A hepatite B é imunoprevenível, ou seja, temos uma vacina com excelente cobertura para proteção do indivíduo. Ela não produz a doença, ela protege”, afirma.
A especialista destaca ainda a importância de ampliar a conscientização sobre a imunização, já que a vacina contra hepatite B está disponível gratuitamente nos postos de saúde.
“É muito triste ainda estarmos diagnosticando casos novos quando temos uma vacina gratuita disponível”, alerta.
Quando não diagnosticadas e tratadas, as hepatites virais podem evoluir para complicações graves. De acordo com a infectologista, a progressão para cirrose e câncer de fígado pode ocorrer, especialmente nos casos relacionados aos vírus B e C.
“As hepatites virais B e C são as causas mais comuns de câncer de fígado”, destaca.
Durante o Julho Amarelo, a orientação é que a população busque informações, mantenha a vacinação em dia e procure os serviços de saúde para realização dos testes quando indicados.












