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7 toneladas de castanha e bônus de 20%: povos indígenas recebem pagamento por conservar 236 mil hectares da Amazônia

Pela primeira vez, a comercialização de cerca de 7 toneladas de castanha-da-amazônia produzidas por povos indígenas da Terra Indígena Rio Branco, em Rondônia, incluiu um pagamento adicional de 20% pelo serviço de conservação de uma área de aproximadamente 236 mil hectares de floresta. Embora o contrato não divulgue o valor total da venda, o bônus pode representar milhares de reais a mais para as comunidades, dependendo do preço negociado pela tonelada da castanha.
A remuneração extra foi incorporada à safra 2025/2026 por meio de uma parceria entre a Cooperativa dos Povos Indígenas do Rio Branco (Coopirb) e a empresa Castanhas Ouro Verde, dentro do projeto NewCast, coordenado pela Embrapa. O adicional corresponde ao pagamento por serviços ambientais (PSA), mecanismo que remunera comunidades pelo papel desempenhado na preservação da floresta, da biodiversidade e dos recursos naturais.
Sem a divulgação do valor comercial da tonelada, não é possível calcular com precisão quanto será pago às comunidades. Entretanto, considerando apenas uma referência de mercado, caso as 7 toneladas fossem comercializadas por R$ 10 mil, o bônus de 20% corresponderia a R$ 2 mil extras. Se a venda alcançasse R$ 100 mil, o pagamento adicional subiria para R$ 20 mil. Ou seja, o valor efetivo dependerá do contrato firmado entre as partes.
Além do ganho financeiro, o acordo representa um novo modelo de comercialização ao reconhecer economicamente a conservação ambiental realizada pelos povos indígenas. Os recursos adicionais serão administrados coletivamente pela cooperativa e poderão ser aplicados em infraestrutura, saúde, educação, fortalecimento cultural e melhorias na produção.
Outro fator que contribuiu para agregar valor ao produto foi a adoção das Boas Práticas para a Produção de Castanha-da-Amazônia, tecnologia desenvolvida pela Embrapa. As recomendações orientam desde a coleta até a secagem, armazenamento e transporte, reduzindo perdas e elevando a qualidade do produto ofertado ao mercado.
Segundo a pesquisadora Patrícia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente e coordenadora do projeto NewCast, a experiência demonstra que a combinação entre inovação tecnológica, organização social e mecanismos de valorização econômica fortalece as cooperativas e amplia o reconhecimento pelos serviços ambientais prestados pelas comunidades.
A Embrapa também destaca que acompanha os povos Tupari e Aruá da Terra Indígena Rio Branco desde 2015, difundindo tecnologias para qualificar a produção e ampliar o acesso a mercados diferenciados. A iniciativa contou ainda com apoio da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) nas negociações comerciais.
O projeto NewCast busca desenvolver soluções tecnológicas, organizacionais e comerciais para fortalecer a cadeia produtiva da castanha-da-amazônia. A experiência em Rondônia passa a ser uma referência por unir geração de renda, conservação ambiental e valorização dos conhecimentos tradicionais em um único modelo de negócios sustentável.












