EVANDRO CORDEIRO
A pilhéria que é o julgamento em que os acusados vão estabelecer penas para si próprios

COLUNA DO CORDEIRO
Que o Brasil vive de chicana em chicana jurídica desde a Constituição de 1988, aprovada e aparelhada por uma esquerda rançosa, obcecada por se vingar do período dos governos militares, todo mundo é consciente, exceto os de má fé. Agora o supra sumo dessa coisa horrorosa chegou ao ápice nesse momento, escorrendo com a viscosidade de um néctar de breu: a imoralidade naquilo que se tornou o consórcio entre homens imorais que que compõem nossos principais poderes, com destaque da hora para a suprema corte do país, onde ocorre agora uma patuscada. Para ilustrar melhor nosso infortúnio, liga aí nas tvs ou no YouTube e assista você mesmo, nesta terça-feira constrangedora, a maior pilhéria da história da República, um julgamento comédia em que os acusados vão – ou deveriam – estabelecer suas próprias penas. A cena dantesca, assistida mundo afora, só perderia para os vexames da corte corrupta e prosaica de Dom João VI, coitado, que nem aqui está mais para se defender. Dizem alguns historiadores ter sido a estrada da realeza portuguesa no Brasil uma chanchada. Mas voltando aos nossos iluminados ministros da SC, flagrados em delitos, suas excelências provavelmente farão uma arrumação, aquele acórdão recorrente, sob pena da real possibilidade de um cabo e um soldado terem que ir lá, fechar as portas e levar todos detidos. O Brasil está podre e, de minha parte, não enxergo horizontes. Não é demais avaliar que quando a suprema corte está putrefata, a República morreu faz tempo, está só ossos. Nosso regime político perpetua castas, divide o território em feudos e as nossas riquezas de nada servem, senão para alimentar os chacais famintos que se apoderaram da nação nos últimos 40 anos. Seria a hora de limpar a casa, começando pela suprema corte, mas seus membros vão julgar a si mesmos. É ruim, heim! Chora, Brasil!











