POLÍCIA
Acre tem 2,7 policiais militares por mil habitantes, mais que a média brasileira

O Acre possui 2,7 policiais militares para cada grupo de mil habitantes, uma taxa superior à média brasileira, que é de 1,9 PM por mil moradores. O dado faz parte do estudo Raio-X das Forças de Segurança Pública no Brasil 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), mas os próprios pesquisadores alertam que esse indicador, isoladamente, não permite concluir se um estado está mais ou menos protegido.
A taxa acreana coloca o estado entre as maiores do país, ao lado de Rondônia (2,7), e acima de unidades como São Paulo (1,8), Minas Gerais (1,7), Goiás (1,6), Paraná (1,4) e Santa Catarina (1,2), que possui o menor índice nacional.
À primeira vista, os números poderiam sugerir que estados com mais policiais por habitante registram menores níveis de violência. No entanto, o levantamento mostra justamente o contrário em alguns casos.
O exemplo mais emblemático é o Amapá. Com 4,4 policiais militares por mil habitantes, o estado lidera o ranking nacional de efetivo proporcional. Ainda assim, registrou, em 2024, a maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVIs) do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Na direção oposta está Santa Catarina. Mesmo com apenas 1,2 policial militar por mil habitantes — a menor taxa do país — o estado apresentou a segunda menor taxa de mortes violentas.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essa aparente contradição demonstra que a quantidade de policiais, por si só, não explica os indicadores de criminalidade.
Os pesquisadores afirmam que comparar apenas a relação entre efetivo e população cria uma “mitologia das razões de efetivo” (staffing ratios), conceito desenvolvido pelos pesquisadores norte-americanos James Q. Wilson e Christopher Grammich e adotado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Segundo essa abordagem, fatores como extensão territorial, densidade populacional, presença de fronteiras, infraestrutura viária, tecnologia empregada, número de ocorrências policiais e tempo de resposta são muito mais relevantes para definir a necessidade real de efetivo.
No caso do Acre, essa interpretação ganha ainda mais importância. O estado possui extensa faixa de fronteira internacional com Peru e Bolívia, municípios isolados, grandes áreas de floresta, comunidades de difícil acesso e uma malha rodoviária limitada, características que exigem maior presença territorial das forças policiais.
Além da Polícia Militar, o levantamento mostra que o Acre também possui índices superiores à média nacional em outras corporações. São 1,1 policial civil por mil habitantes, mais que o dobro da média brasileira, de 0,5. O estado registra ainda 0,8 bombeiro militar por mil habitantes, enquanto a média nacional é de apenas 0,3.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o dimensionamento das forças de segurança deve considerar a carga real de trabalho das corporações, incluindo volume de ocorrências, tempo de atendimento, cobertura territorial, policiamento preventivo e características geográficas, e não apenas a relação entre policiais e população.
O estudo conclui que utilizar uma taxa única como parâmetro nacional pode produzir interpretações equivocadas. Estados amazônicos, como o Acre, enfrentam desafios logísticos muito diferentes daqueles observados em unidades altamente urbanizadas, como São Paulo, tornando inadequada uma comparação baseada exclusivamente no número de policiais por mil habitantes.












