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Acre ganha protagonismo na nova rota do Brasil para o Pacífico, aponta estudo do Ipea

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O Acre ganha posição estratégica no redesenho da logística brasileira em direção ao Oceano Pacífico. Estudo publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) coloca a Amazônia Sul-Ocidental, onde o estado ocupa a fronteira brasileira com Peru e Bolívia, como área central para o avanço do corredor bioceânico Brasil-Peru e para uma nova etapa da integração econômica sul-americana.

O trabalho “Do Arco Norte ao corredor bioceânico Brasil-Peru: infraestrutura, fronteira e governança multinível da integração sul-americana” foi publicado em abril de 2026 e analisa justamente a expansão das conexões físicas entre o Brasil e os países vizinhos. Para o Ipea, a consolidação do chamado Arco Norte produtivo e o avanço da ligação com o Peru estão reorientando a logística brasileira em direção ao Pacífico.

É nesse novo desenho que o Acre ganha importância. O estado está localizado na tríplice fronteira Brasil-Peru-Bolívia, escolhida pelo estudo como caso para analisar as transformações em curso. A pesquisa envolveu levantamento bibliográfico e documental, dados secundários, observação participante e entrevistas realizadas entre 2023 e 2024.

Na prática, o Acre ocupa a conexão terrestre brasileira com o território peruano por meio da BR-317 e da Estrada do Pacífico. A posição abre uma alternativa logística em direção aos portos peruanos e aos mercados banhados pelo Pacífico, colocando o estado no caminho de uma possível reorganização dos fluxos de mercadorias do interior do continente.

Segundo o Ipea, as conexões físicas avançaram de maneira concreta desde meados da década de 2010. Estradas, pontes e corredores de transporte passaram a alterar a geografia econômica da região, mesmo em um período no qual os mecanismos políticos tradicionais de integração sul-americana perderam força.

O estudo aponta que a Amazônia Sul-Ocidental está se consolidando como espaço estratégico de articulação entre projetos nacionais de infraestrutura, atividades econômicas regionais e iniciativas de cooperação entre os países. Nesse processo, governos estaduais, municípios, entidades empresariais e outras organizações territoriais passaram a exercer participação crescente.

Para o Acre, o movimento representa uma mudança importante de escala. O estado de 22 municípios deixa de ocupar apenas a extremidade ocidental da malha rodoviária brasileira e passa a funcionar como ponto de passagem entre o território nacional e o sistema logístico peruano.

A localização também aproxima o Acre de uma discussão econômica que ultrapassa suas próprias fronteiras. A ligação pelo Peru cria uma rota terrestre em direção ao Pacífico justamente quando o Brasil procura diversificar os caminhos utilizados para movimentar sua produção e ampliar a integração comercial com os países sul-americanos.

O estudo do Ipea identifica ainda uma transformação na própria forma de integração regional. Em vez de depender exclusivamente de acordos conduzidos pelos governos nacionais, o processo vem sendo impulsionado por redes locais e regionais diretamente interessadas na circulação de cargas, pessoas e investimentos através das fronteiras.

O Acre já acumula uma estrutura institucional voltada a esse processo. A Secretaria de Planejamento do estado mantém um repositório específico sobre integração fronteiriça e a Rota Quadrante Rondon, reunindo documentos e iniciativas sobre as relações Brasil-Peru. Entre os registros estão a Zona de Integração Fronteiriça Brasil-Peru, o Comitê de Fronteira Sul e estudos sobre transporte de passageiros e cargas na região formada por Madre de Dios, Acre e Pando.

O Ipea chama atenção para a necessidade de a coordenação institucional acompanhar o avanço físico da integração. O estudo identifica forte participação dos atores territoriais, embora a articulação entre instituições ainda seja limitada. Também aponta a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica como uma estrutura que pode ampliar a coordenação regional.

A conclusão central, entretanto, é clara: a infraestrutura já está mudando o papel da Amazônia Sul-Ocidental na América do Sul. E, nesse novo mapa, o Acre deixa de representar o fim das estradas brasileiras para assumir uma função de conexão internacional.

Com fronteiras simultâneas com Peru e Bolívia e acesso rodoviário ao território peruano, o estado está no centro de uma rota que pode aproximar o Brasil do Pacífico. O estudo do Ipea transforma essa condição geográfica em um dado econômico: a posição do Acre passa a ser um ativo estratégico para a integração física e comercial do continente.

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