POLÍTICA
Do Cacique ao Coronel, candidatos apostam em apelidos e profissões para conquistar o eleitor no Acre

Na urna, sobrenome nem sempre é suficiente. Entre os candidatos do Acre nas eleições de 2026, há quem prefira apresentar ao eleitor a patente militar, a profissão, o título acadêmico, o pertencimento indígena, o nome de uma empresa ou simplesmente o apelido pelo qual ficou conhecido.
A relação de candidaturas registrada na Justiça Eleitoral revela uma espécie de segundo mapa da eleição acreana: aquele formado pelos nomes escolhidos pelos próprios candidatos para aparecer na urna.
Na disputa para deputado federal, alguns exemplos saltam aos olhos.
Ninawa Inu Pereira Nunes Huni Kui aparece para o eleitor como Cacique Ninawá Huni Kui. O nome de urna reúne a função de liderança e a identidade do povo indígena ao qual pertence.
Na mesma relação aparecem Coronel Ulysses e Coronel Edvan. Em vez de depender apenas do nome civil, ambos levam para a urna uma patente que já funciona como identificação pública e política.
Delegado Judson segue lógica semelhante. A profissão antecede o primeiro nome e passa a integrar sua identidade eleitoral.
Os médicos também estão presentes nessa estratégia. Dr. Fábio Rueda, Dr. Kel Guimarães e Dr. Raimundo Castro usam o título profissional diretamente no nome de urna.
Há ainda candidatos que transformam uma referência profissional ou empresarial em sobrenome eleitoral. É o caso de Lindemberg da Citolab. O “da Citolab” diferencia imediatamente o candidato de outros Lindembergs e associa seu nome à marca pela qual se tornou conhecido.
Outros apostam no caminho mais tradicional da política acreana: os diminutivos e apelidos.
Zezinho Barbary, Zé Adriano e outros candidatos aparecem com nomes mais curtos e familiares, enquanto Chico Sombra carrega para a urna um apelido que possui muito mais força de identificação do que um nome civil completo.
Essa escolha não é mero detalhe.
Na eleição para deputado federal, o eleitor acreano terá dezenas de nomes diante de apenas oito vagas na Câmara. Em um ambiente eleitoral tão pulverizado, ser lembrado pode ser tão importante quanto ser conhecido.
É justamente aí que entram apelidos, profissões e títulos.
O nome de urna funciona como uma pequena peça de comunicação política. Precisa caber na tela, ser pronunciado facilmente, aparecer nos materiais de campanha e, principalmente, permanecer na memória do eleitor até o momento do voto.
Em alguns casos, a identidade escolhida praticamente dispensa apresentação. “Coronel”, “Delegado”, “Dr.” e “Cacique” informam alguma coisa sobre o candidato antes mesmo de o eleitor conhecer suas propostas.
Em outros, ocorre o fenômeno inverso: o apelido ganha tanta força que o nome civil desaparece da campanha.
A diversidade também produz combinações pouco usuais. A relação apresentada à Justiça Eleitoral inclui nomes de urna como Djê Cavalcante e Eneias Marques ao lado de Chico Sombra, Cacique Ninawá Huni Kui, Coronel Ulysses, Coronel Edvan, Delegado Judson, Dr. Fábio Rueda, Dr. Kel Guimarães, Dr. Raimundo Castro e Lindemberg da Citolab.
O fenômeno não é exclusividade do Acre. Em todo o país, a legislação permite ao candidato indicar o nome pelo qual pretende ser identificado na urna, observados os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral. É daí que surgem, a cada eleição, candidatos identificados por profissões, patentes, apelidos, atividades comerciais e outras referências conhecidas em suas comunidades.
No Acre, porém, essa tradição ganha um componente particular. Em um estado de população relativamente pequena e relações políticas muito próximas, ser reconhecido pelo apelido pode valer mais eleitoralmente do que exibir o nome completo do registro civil.
A eleição de 2026 começa, assim, com duas identidades para muitos candidatos.
Uma está nos documentos apresentados à Justiça Eleitoral.
A outra, muito mais curta e calculada para ser lembrada, estará diante do eleitor na urna eletrônica.
Fonte: DivulgaCandContas, Tribunal Superior Eleitoral, relação de candidaturas das eleições de 2026.











