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ESPORTE

Quarenta e oito horas de desilusão

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No prazo de quarenta e oito horas dois times brasileiros foram eliminados de competições continentais por adversários argentinos. Primeiro foi o Vasco, pela Conmebol Sul-Americana, que caiu frente ao Boca Juniors. Depois foi o Flamengo que escorregou frente ao Estudiantes, na Libertadores

Havia duas festas preparadas para saudar a classificação dos brasileiros, que entravam nos respectivos confrontos com boa vantagem, levando-se em conta os resultados obtidos em terras estrangeiras. O Vasco venceu em La Bombonera e o Flamengo empatou dentro de La Plata.

Ou seja, se um venceu e o outro empatou fora de casa, com várias condições adversas, tudo indicava que a classificação às finais de cada uma das competições era somente uma questão de burocracia. Era só entrar em campo, sair tocando a bola em ritmo de samba, que a fatura seria liquidada.

Entretanto… Quando uma conjunção adversativa se interpõe no caminho de um cristão, pode contar que vai pintar uma crucificação no horizonte. E ainda mais se no horizonte estiver postado algum santo de nome Januário ou algum urubu pouco cheiroso e recheado de empáfia.

Quarenta e oito horas foi o tempo que durou a ilusão. Não era um terreno firme o que pisavam os craques (se é que existe alguém com essas credenciais nos dois times referidos) de Vasco da Gama e Flamengo. Ao contrário, o que se estendia na frente de ambos era pura areia movediça.

No final das contas o que restou mesmo para os cariocas foi muito choro e ranger de dentes. Isso e a lição de que em futebol não se ganha nada de véspera. Aliás, atualmente nem peru morre mais um dia antes da festa. Peru que é esperto, antes de morrer trata é de encher a cara de cachaça.

E os argentinos, ressalte-se, vieram para o Rio de Janeiro certos de que triunfariam. Eu sei disso porque fui testemunha ocular da festa que eles fizeram nas areias de Copacabana nos dias dos jogos. Era impossível uma comemoração antecipada tão grande se eles achassem que corriam risco.

O pessoal do Vasco ainda tentou deixar os jogadores do Boca acordados, promovendo um foguetório em frente ao hotel dos caras na madrugada. O resultado disso foi totalmente oposto: os argentinos, acordados desde cedo, ligaram o rabo na tomada e foram acesos para o jogo.

E o Flamengo. Bem, aí eu penso que é um caso para maiores reflexões. Já pedi ajuda para os universitários. Mandei dezenas de e-mails para eles. Mas até agora só recebi uma resposta. Disse o meu missivista que viu os gringos gritando logo depois dos jogos: El Maraca es nuestro. Eu acredito!

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