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ANA alerta para agravamento da seca no Acre e prevê El Niño muito forte até o início de 2027
O Acre poderá enfrentar um prolongamento das condições de estiagem nos próximos meses, mesmo com a chegada do período tradicionalmente mais chuvoso. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) divulgou, em 29 de outubro, a quinta edição do Painel El Niño 2026-2027, que aponta probabilidade de 100% de permanência das condições do fenômeno até, pelo menos, o início de 2027, com possibilidade de alcançar intensidade muito forte.
O boletim, elaborado em conjunto com seis instituições federais, indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte da Região Norte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. As temperaturas também deverão permanecer acima dos padrões históricos, especialmente no Norte do Brasil, combinação que pode agravar a perda de umidade do solo e comprometer a recuperação dos rios.
Segundo a ANA, o Oceano Pacífico Equatorial poderá apresentar temperaturas superiores a 3 graus Celsius acima da média durante o verão de 2026-2027. Esse aquecimento é um dos indicadores utilizados para avaliar a intensidade do El Niño, fenômeno que altera a circulação atmosférica e influencia a distribuição das chuvas no território brasileiro.
O alerta ocorre depois de o Acre registrar, em setembro, sua condição mais severa de seca desde dezembro de 2024. Conforme o Monitor de Secas, coordenado pela ANA, a área do território estadual atingida por seca grave aumentou de 37% em agosto para 53% em setembro, avanço de 16 pontos percentuais em apenas um mês.
Considerando a extensão territorial acreana, aproximadamente 86,9 mil quilômetros quadrados estavam submetidos à seca grave. O fenômeno, em diferentes níveis de intensidade, alcançava 100% do estado, que apresentou a situação mais severa entre as unidades da Região Norte naquele mês.
O novo boletim de outubro acrescenta uma preocupação ao quadro: a possibilidade de precipitações insuficientes para recompor a disponibilidade de água nos próximos meses.
Na Região Norte, a proporção de território submetido à seca grave dobrou entre agosto e setembro, passando de 4% para 8%. O Nordeste apresentou situação ainda mais crítica, com aumento de 16% para 28% da área regional atingida pela mesma categoria.
A ANA também acompanha as vazões dos rios amazônicos, especialmente diante dos impactos que a redução dos níveis de água pode provocar na navegação, no abastecimento das comunidades e nas atividades econômicas dependentes do transporte fluvial.
A avaliação considera que os efeitos da estiagem podem persistir mesmo após o retorno das chuvas, principalmente quando os acumulados são insuficientes para recuperar a umidade do solo e os níveis dos cursos d’água.
O levantamento faz parte de um esforço conjunto da ANA, Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
As instituições recomendam acompanhamento permanente das condições meteorológicas e hidrológicas, especialmente em regiões vulneráveis à escassez de água.
A ANA informou ainda que realizará, em 4 de dezembro, a primeira reunião da Sala de Crise da Região Norte, destinada ao acompanhamento das condições hídricas e à articulação de medidas diante dos impactos do El Niño.
Os dados estaduais mais recentes do Monitor de Secas continuam referentes a setembro, enquanto as projeções climáticas divulgadas em 29 de outubro abrangem os meses seguintes. O boletim não estabelece percentuais específicos de redução das chuvas para o Acre.
Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), quinta edição do Painel El Niño 2026-2027, publicada em 29 de outubro de 2026. 











